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CRÍTICA: NUREMBERG

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Em uma Alemanha ainda marcada pelas ruínas da Segunda Guerra, enquanto líderes nazistas aguardam julgamento em Nuremberg e o mundo tenta transformar atrocidades recentes em linguagem jurídica, a narrativa se estreita ao redor de figuras que ainda permanecem ali, vivas, articuladas, tentando reorganizar suas próprias versões dos fatos dentro de um sistema que agora exige explicações em vez de obediência.




O filme se afasta das figuras já cristalizadas pela história e encontra força ao observar aqueles que restaram, deslocando o olhar para as consequências psicológicas e morais desse período.

Há um desconforto evidente em ver esses homens fora do poder, obrigados a traduzir seus atos em discurso, enquanto o tribunal, que deveria sustentar a tensão dramática, é reduzido a um espaço funcional, presente, mas raramente determinante.

É nesse recorte que a relação entre Douglas Kelley, o psicólogo americano responsável por avaliar os prisioneiros nazistas, e Hermann Göring, um dos principais líderes do regime e figura central entre os acusados, assume o centro da narrativa.




O que poderia ser um retrato coletivo se transforma em um embate concentrado, quase claustrofóbico, onde inteligência e manipulação se entrelaçam de forma constante. Göring carrega uma presença incômoda, sustentando resquícios de autoridade mesmo diante da queda, enquanto Kelley oscila entre o interesse clínico e o impacto moral de encarar, tão de perto, a lógica por trás de tamanha violência.

Quando o filme permite que o horror atravesse a encenação com mais clareza, a experiência se expande e ganha densidade, lembrando a dimensão concreta dos crimes discutidos. Essas rupturas, no entanto, são pontuais e logo cedem espaço novamente ao foco restrito, que insiste em retornar ao campo individual.




A escolha de abordagem evidencia um contraste difícil de ignorar. A duração sugere fôlego para um panorama mais amplo, mas o filme permanece concentrado em um estudo de personagens, deixando à margem a complexidade política e jurídica que definiu aquele momento histórico.

O resultado funciona pela tensão íntima que constrói, mas carrega a sensação constante de que a grandeza do evento permanece ao redor, intocada, reduzida a pano de fundo de algo menor do que poderia ser¨.

O Tribunal de NUREMBERG é considerado um dos marcos mais importantes do direito internacional. Conhecido por definir o destino de diversos líderes nazistas após a Segunda Guerra Mundial, o que muitos desconhecem é o desafio enfrentado para sustentar a tese de que os réus eram mentalmente aptos e não estavam corrompidos por uma ideologia eugenista, que foi o argumento central utilizado pelos acusados na tentativa de afastar a responsabilidade pelos crimes cometidos.




E é neste contexto que Rami Malek e Russell Crowe estabelecem um jogo de gato e rato em que a confiança e inteligência são postos à prova até o limite neste longa dirigido por James Vanderbilt.

Imediatamente após a Segunda Grande Guerra, o psiquiatra do Exército dos EUA, tenente-coronel Douglas Kelley (Rami Malek), recebe a missão extraordinária de avaliar o estado mental de Hermann Göring (Russell Crowe), ex-general nazista e braço direito de Hitler, além de outros altos oficiais alemães. O que hoje parece ser muito simples, era extremamente complicado nos anos 1940.

Além de ter que provar que tanto Göring como os outros nazistas não estavam apenas seguindo ordens ou tinham sido corrompidos por uma ideologia, a acusação enfrentava desafios jurídicos, éticos e logísticos significativos em sua busca por justiça. A ideia de um tribunal penal internacional ainda não existia; simplesmente não havia um modelo para julgar um regime por crimes contra a paz, guerras de agressão e conspiração. Era uma situação inédita na história da humanidade.

A abordagem de Kelley combinava entrevistas psiquiátricas, testes de personalidade e observação direta dos prisioneiros. Ele questionava detalhadamente os réus para avaliar se compreendiam as acusações, como reagiam emocionalmente aos próprios atos e se estavam aptos a participar do julgamento.

É justamente nessa dinâmica entre médico e paciente que NUREMBERG se sobressai. Rami Malek e Russell Crowe entregam cenas de tirar o fôlego a cada encontro entre Kelley e Göring, conduzindo o espectador ao dilema enfrentado pelo psiquiatra, uma missão cujo desfecho poderia influenciar os rumos do mundo no tribunal mais emblemático da História.




Baseado no livro ‘O nazista e o psiquiatra’, de Jack El-Hai, NUREMBERG é um intenso jogo de dominância, inteligência e confiança protagonizado por dois vencedores do Oscar® e dirigido por James Vanderbilt (‘Conspiração e Poder’). Além de Malek e Crowe, o elenco deste filme também conta com Michael Shannon (“The Flash”), Leo Woodall (“Bridget Jones: Louca pelo Garoto”), Richard E. Grant ("Saltburn"), Colin Hanks ("Anônimo 2") e John Slattery ("Vingadores: Ultimato").

NUREMBERG estreia nacionalmente em 26 de março, com distribuição da Diamond Films.


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