Coração Partido parte de elementos tão reconhecíveis do romance adolescente que dificilmente existe surpresa em imaginar a direção tomada pela relação entre os protagonistas.
A garota nova e deslocada, o garoto cercado por uma reputação intimidadora, o namoro falso e a descoberta gradual de uma personalidade diferente daquela vista pelos colegas formam uma estrutura bastante familiar. Ainda assim, a previsibilidade não pesa tanto quanto poderia, justamente porque a experiência nunca parece depender da expectativa por alguma grande virada.
Há uma leveza constante na maneira como esses conflitos são apresentados, inclusive quando a história passa por bullying, vulnerabilidade e pela evidente diferença de poder existente no acordo inicial entre Polina e Bars.
Nada disso ganha um peso dramático particularmente intenso, e transformar essa dinâmica em uma discussão maior sobre toxicidade seria atribuir ao filme uma gravidade que ele próprio pouco sugere.
O bullying, por exemplo, importa
principalmente pelo modo como aproxima os dois e coloca Polina sob a proteção
do garoto que parecia mais distante de alguém como ela.
Com isso, boa parte do interesse passa para as pequenas mudanças dessa convivência. Bars começa como aquela figura adolescente construída para parecer inacessível diante de todos, mas sua presença ao lado de Polina vai perdendo essa rigidez, enquanto ela deixa de enxergá-lo apenas pela fama que o acompanha.
São as provocações, a proximidade crescente e a mudança gradual no jeito como os dois ocupam o mesmo espaço que sustentam um romance cuja trajetória já conhecemos.
Essa simplicidade também limita um pouco Coração Partido. Há personalidade suficiente na dinâmica entre Polina e Bars para impedir que tudo pareça apenas uma repetição automática da fórmula, mas não a ponto de tornar essa história especialmente marcante dentro do gênero.
Ainda assim, existe prazer em acompanhar um romance juvenil que aceita ser convencional sem tornar isso um problema, desde que o espectador esteja disposto a encontrar graça justamente no caminho conhecido¨.
O longa acompanha Polina, uma adolescente que tenta recomeçar a vida em uma nova cidade, mas logo se torna alvo de bullying na escola. Tudo muda quando Bars, o aluno mais temido e misterioso do colégio, oferece proteção em troca de que ela siga suas próprias regras.
O que começa com um “fake dating” logo evolui para uma relação intensa e emocionalmente complexa, marcada por dependência, vulnerabilidade e uma crescente necessidade de pertencimento.
O elenco do longa conta com Veronika Zhuravleva, Daniel
Vegas, Alya Mayer, Maksim Saprykin, Evgeniya Loza e Pavel Kuzmin. A direção é
de Mikhail Vaynberg.







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