Crítica by Raphael Ritchie : ¨Carey é aquele tipo de sujeito
comum, sem grandes teorias sobre o amor, que vê a vida desmoronar quando a
esposa confessa uma traição e pede o divórcio.
Sem saber muito bem como lidar com isso, ele se aproxima de um casal de amigos
que parece feliz, estável… e que vive um relacionamento aberto.
Movido por uma curiosidade atravessada pelo luto, Carey decide experimentar
esse modelo, achando que pode encontrar algum tipo de reencontro emocional.
Mas o que parecia liberdade logo se revela confusão, e a abertura só deixa mais
visíveis os vazios que ele tenta ignorar.
A dinâmica entre os quatro personagens centrais funciona porque não força
grandes reviravoltas.
O filme aposta em momentos cotidianos, pequenos gestos,
conversas desconfortáveis.
Tudo isso vai desenhando laços que oscilam entre desejo, afeto, insegurança e
uma certa falta de direção emocional — e, por isso, acaba soando bastante
honesto.
Visualmente, o filme aposta numa estética leve, limpa, com cortes suaves e
diálogos que soam espontâneos. Essa escolha aproxima a narrativa dos romances
contemporâneos, com vínculos mais fluidos e arranjos afetivos fora do
convencional.
Ainda assim, o roteiro retorna com frequência à ideia de que o amor tradicional talvez continue sendo o porto seguro, mesmo quando já não serve pra todos.
O problema aparece nos exageros pontuais. Alguns personagens secundários destoam do tom mais contido da trama e criam uma sensação de ruído desnecessário. Em certos momentos, parece que o filme tenta gerar caos onde o silêncio já dizia o suficiente.
Amores à Parte não oferece respostas, mas acompanha com carinho um personagem tentando reorganizar seus afetos enquanto tropeça em possibilidades que parecem libertadoras, mas talvez estejam ainda mais distantes do que ele consegue alcançar.
Mesmo quando tudo desanda, há algo de genuíno no esforço de fazer dar certo¨.
endo estreado no Festival de Cannes deste ano, AMORES
À PARTE conta com direção de Michael Angelo Covino, que também assina
o roteiro ao lado de Kyle Marvin. A dupla, inclusive, já trabalhou junto em ‘A
Subida’, de 2019. E, além do quarteto principal, o elenco do longa conta com
Nicholas Braun, de ‘Succession’ (2018–2023), e O-T Fagbenle, de ‘O Conto da
Aia’ (2017–2025), em seu elenco.
21 de agosto nos cinemas
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