CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE: ¨Terror em Silent Hill acompanha James Sunderland, um homem quebrado pela perda de Mary que, ao receber uma carta impossível, retorna à cidade onde a dor parece ganhar forma física. Silent Hill não é apenas cenário. É estado mental. Um lugar onde amor, culpa e medo se misturam na neblina, tentando se organizar como horror psicológico.
A direção demonstra respeito claro pelo universo dos jogos. Há cuidado na atmosfera, no silêncio pesado, nos espaços vazios que parecem observar quem os atravessa. Tudo remete à experiência de caminhar por Silent Hill sem saber se o próximo passo leva a uma resposta ou a mais uma camada de culpa. O problema é que essa fidelidade visual nem sempre encontra apoio em uma narrativa emocional coesa. O filme parece mais seguro em perturbar do que em conduzir.
James é um papel ingrato e exigente. Ele carrega o luto, o autojulgamento e a dúvida constante sobre o que é real, elementos centrais de Silent Hill 2. Em alguns momentos, essa dor emerge de forma quase palpável, conectando o filme ao espírito do jogo, onde o verdadeiro horror não está nos monstros, mas no espelho. Em outros, porém, a montagem embaralha sonho e realidade de forma tão solta que o drama perde densidade, confundindo mais do que aprofundando.
A estética é inegavelmente eficaz. Névoa espessa, criaturas grotescas, símbolos do medo espalhados como cicatrizes no cenário. Funciona como assinatura da franquia e acena diretamente aos fãs. Mas esse impacto raramente ultrapassa o reconhecimento. O filme se apoia tanto na familiaridade que, por vezes, esquece de construir novas camadas de sentido.
O ritmo acompanha essa irregularidade. Há sequências hipnóticas, quase contemplativas, seguidas por trechos que parecem existir apenas para sustentar a atmosfera, sem clareza narrativa suficiente. Como adaptação, o filme captura fragmentos importantes do horror psicológico dos jogos. Como cinema isolado, soa incompleto.
Para fãs de Silent Hill, há nostalgia, tensão e imagens marcantes. Para quem observa de fora, sobra uma experiência visualmente intrigante, mas emocionalmente fragmentada¨.
Dirigido por Christophe Gans (Terror em Silent Hill), o filme é apresentado por Davis Films, em parceria com Samuel Hadida And Victor Hadida, em associação com The Veterans. A produção fica por conta de Electric Shadow/ Supernix / Wip Production em associação com Ashland Hill Media. A distribuição nacional é da Paris Filmes.



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