Crítica by Raphael Ritchie: ¨Cinco anos após o impacto do cometa, a família Garrity deixa o bunker que garantiu sua sobrevivência para atravessar um planeta em ruínas em busca de um lugar onde ainda seja possível viver.
Destruição Final 2 retoma esse mundo devastado com uma imagem precisa: a sensação de que a salvação sempre foi provisória e que ficar parado já não é uma opção.
O reencontro com esse universo acontece dentro de uma base militar na Groenlândia, espaço que reforça a lógica de proteção seletiva que já estruturava o primeiro filme.
A sobrevivência continua mediada por protocolos, fronteiras e decisões institucionais, e é nesse ponto que o roteiro ensaia um comentário interessante sobre deslocamento forçado e exclusão.
Há uma tensão latente entre quem pertence e quem precisa seguir adiante, um eco evidente dos debates migratórios recentes nos Estados Unidos. Mas essa camada política permanece superficial, mais sugerida do que explorada.
Com a destruição do bunker, o filme assume de vez a engrenagem clássica do pós-apocalipse itinerante. A narrativa se organiza como um percurso: sair de um ponto conhecido, atravessar territórios hostis e alcançar um destino idealizado.
Esse lugar final funciona como promessa, quase como mito, um espaço onde a vida poderia se reorganizar com alguma dignidade.
O problema é que essa promessa nunca se transforma em experiência emocional concreta; ela existe como objetivo, não como desejo plenamente construído.
Ric Roman Waugh tenta preservar o senso de sobrevivência que deu força ao original, mas aqui a tensão se dilui.
As paisagens devastadas impressionam, cidades submersas, gelo, ruínas silenciosas, porém raramente geram urgência dramática. Falta a sensação constante de perda iminente.
Gerard Butler e Morena Baccarin sustentam o filme com presença e química, mas o roteiro pouco se aprofunda em seus conflitos internos.
As decisões parecem corretas, necessárias, quase automáticas, mais ligadas à função narrativa do que à dor ou ao medo dos personagens.
A migração, que poderia ser o eixo emocional do filme, se organiza como uma sucessão de obstáculos sem progressão afetiva clara. Destruição Final 2 observa o deslocamento, mas não mergulha nele.
Entre imagens fortes e ideias relevantes, o filme permanece ancorado em uma estrutura conhecida demais, segura demais, para provocar o impacto que promete¨.
Novamente, o diretor Ric Roman Waugh coloca os protagonistas em um cenário grandioso e devastado, cuja escala é condizente com o esforço e a gana da família de sobreviver ao fim do mundo.
Diante de riscos ainda maiores, combinados aos conhecimentos e habilidades que John e companhia desenvolveram com o passar dos anos, DESTRUIÇÃO FINAL 2 é um verdadeiro espetáculo, que impressiona não só com os efeitos visuais, mas também com as performances genuínas do seu elenco.
Com distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, DESTRUIÇÃO FINAL 2 estreia nacionalmente em 5 de fevereiro.








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