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CRÍTICA: CASO 137

¨Caso 137 se apresenta como um filme de investigação, mas o que ele realmente investiga não cabe em relatórios nem em conclusões fechadas.

A narrativa parte de um episódio específico, quase burocrático à primeira vista, e aos poucos desloca o olhar para algo mais incômodo, mais difícil de organizar dentro de uma lógica clara.

O que está em jogo não é apenas o que aconteceu, mas como se olha para o que aconteceu.




A condução é deliberadamente contida, quase seca em certos momentos, como se o filme evitasse qualquer gesto que pudesse soar definitivo. Esse cuidado constrói uma atmosfera densa, baseada em silêncios, olhares e pequenos deslocamentos de percepção.

Ao invés de conduzir o espectador pela mão, o filme prefere deixá lo caminhar em terreno instável, onde cada nova informação parece menos uma resposta e mais uma dúvida que se acumula.

Stéphanie surge como esse ponto de tensão constante, uma figura que tenta sustentar a lógica institucional enquanto o chão pessoal começa a ceder. Existe um conflito que nunca explode de fato, mas que se infiltra em cada decisão, em cada hesitação, criando uma fricção silenciosa que sustenta o filme.


É nesse espaço que Caso 137 encontra sua força, ao mostrar como a verdade pode ser moldada, diluída ou até mesmo sufocada dentro de estruturas que deveriam garanti la.

O pano de fundo das manifestações adiciona uma camada política que não busca didatismo, mas presença. Está ali, pulsando, lembrando que o caso não é isolado, que faz parte de algo maior, mais complexo e menos confortável de encarar.

Ainda assim, o filme evita qualquer impulso mais direto, o que pode gerar uma sensação de distanciamento emocional, como se a narrativa se recusasse a permitir uma identificação mais imediata.




Esse ritmo mais lento e observacional pode afastar quem espera tensão mais explícita, mas há uma consistência na escolha. O desconforto aqui não vem de grandes reviravoltas, vem da percepção gradual de que talvez não exista um lugar seguro onde apoiar certezas¨.

Stéphanie, uma policial da Corregedoria, é designada para um caso envolvendo um jovem gravemente ferido durante uma manifestação tensa e caótica em Paris. Embora não encontre evidências de violência policial irregular, o caso toma um rumo pessoal quando ela descobre que a vítima é de sua cidade natal.

Com esta premissa, "Caso 137" ("Dossier 137"), de Dominik Moll, chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de abril de 2026. O thriller policial teve sua première mundial na competição principal do último Festival de Cannes, onde foi indicado à Palma de Ouro. No recente Prêmio César, considerado o Oscar francês, recebeu oito indicações, vencendo na categoria de melhor atriz para Léa Drucker ("Custódia").




Em sua semana de estreia, o filme entra em cartaz em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Búzios (RJ), Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Londrina (PR), Niterói (RJ), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santos (SP), São Paulo (SP) e Vitória (ES).

"Primeiramente, trata-se de uma investigação cativante, muito precisa e técnica, que se transforma em uma obsessão para a policial", destaca Léa, sobre sua impressão inicial ao ler o roteiro. "Mas o que realmente me impressionou foi a jornada de Stéphanie, sua personagem.

No final, fiquei tomada pela emoção. Acho que foi o contraste entre seu rigor extremo e sua humanidade que me impactou", acrescenta. Na França, "Dossier 137" foi um sucesso de público, onde registrou mais de 750 mil ingressos vendidos.



"Caso 137" deu à atriz seu segundo César. O primeiro foi por seu trabalho em "Custódia", de Xavier Legrand. "Achei a personagem muito comovente. Em uma situação de crise onde a violência dos relacionamentos parece destruir tudo, ela exala muita humanidade. E também inquietação", explica. "É o tipo de papel que não se encontra todos os dias. O filme levanta questões importantes sobre a sociedade sem ser moralista. E, ao ler o roteiro, já era possível sentir seu enorme poder cinematográfico", resume a artista.

O trabalho da IGPN, divisão de Assuntos Internos da polícia francesa, sempre intrigou o diretor Dominik Moll. "Por serem policiais investigando outros policiais, esses homens e mulheres se encontram em uma posição desconfortável", avalia. "São vistos de forma negativa, frequentemente desprezados e às vezes odiados por seus colegas, enquanto são criticados simultaneamente por certos veículos de comunicação que os acusam de serem juízes e júri", complementa.

"Essas tensões me interessaram e, intuitivamente, senti que havia caminhos interessantes para explorar em uma obra de ficção", aponta o realizador do premiado "Harry Chegou para Ajudar". "Como alguém lida com o fato de estar no meio de um fogo cruzado? E com a necessidade de investigar colegas que não fazem segredo de sua animosidade?", questiona Moll, que divide o roteiro com seu parceiro habitual, Gilles Marchand.

Além das premiações e da recepção do público, "Caso 137" também foi bem recebido pela crítica. "Feito com a mesma precisão de corte a laser de seus trabalhos anteriores, mas com uma ênfase maior no processo, o novo thriller de Moll levanta questões para as quais não há respostas fáceis", avalia o The Hollywood Reporter. A Variety ressalta a atuação de Léa como "soberba", enquanto define o filme como "impactante e eficaz". Para o site Collider, o longa é "uma versão francesa emocionante e realista" da série "The Wire".


"Caso 137" ("Dossier 137"), de Dominik Moll

Thriller Policial | 2025 | 115 minutos | Verifique a classificação indicativa

Estreia no circuito comercial brasileiro: dia 16 de abril de 2026

Instagram: @autoral_filmes

Trailer nacional

Cartaz nacional


Ficha técnica

Direção: Dominik Moll

Roteiro: Dominik Moll e Gilles Marchand

Fotografia: Patrick Ghiringhelli

Trilha sonora original: Olivier Marguerit

Direção de arte: Emmanuelle Duplay

Direção de elenco: Agathe Hassenforder e Fanny de Donceel

1º assistente de direção: Thierry Verrier

Engenheiro de som: François Maurel

Montagem: Laurent Rouan

Edição de som: Rym Debbarh-Mounir

Mixagem: Nathalie Vidal

Continuísta: Cathy Mlakar

Figurino: Dorothée Guiraud

Maquiagem e cabelo: Kaatje Van Damme

Produzido por: Caroline Benjo, Barbara Letellier e Carole Scotta

Produtor associado: Simon Arnal

Elenco principal: Léa Drucker (Stéphanie), Jonathan Turnbull (Benoît), Mathilde Roehrich (Carole), Pascal Sangla (Marc), Claire Bodson (Valérie), Florence Viala (Mme Jarry) e Hélène Alexandridis (Mme Nicollet)

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