CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE ¨Vida Entrelaçadas se constrói a partir de uma promessa silenciosa de observar mulheres atravessadas por um mesmo espaço, mas o que se desenrola na tela é mais disperso do que envolvente, mais sugerido do que realmente vivido.
Ambientado na efervescência da Semana de Moda em Paris, o filme aposta em uma estrutura fragmentada, costurando as trajetórias de três mulheres que, embora compartilhem o mesmo universo, parecem existir em camadas que raramente se aprofundam o suficiente para criar impacto duradouro.
Maxine carrega o peso de um diagnóstico que deveria reorganizar sua percepção de mundo, Ada se movimenta dentro de um sistema que a consome silenciosamente, e Angèle observa esse mesmo sistema de um lugar invisível, sonhando com outra vida, mas o roteiro nunca mergulha de fato nessas fissuras, preferindo permanecer na superfície das conexões temáticas.
A narrativa oscila entre esses núcleos com uma cadência contemplativa que, em vez de criar respiro, acaba diluindo a força de cada história, já que o filme parece sempre prestes a aprofundar seus conflitos, mas recua antes de fazê-lo.
O que mantém o conjunto de pé são as atuações, que carregam nuances e emoções que o texto não consegue estruturar sozinho, dando às personagens uma humanidade que o roteiro insiste em não desenvolver plenamente.
Ainda assim, mesmo com esse esforço visível, o resultado final soa irregular, um mosaico que perde definição quando observado de perto.
Fica a sensação de que histórias atravessadas por tantas camadas de experiência pedem mais do que presença e intenção, pedem escuta, permanência e tempo, porque dar espaço a essas vozes não é apenas colocá-las lado a lado, mas permitir que cada uma exista com profundidade suficiente para ser sentida¨.
“Vidas Entrelaçadas” (“Couture”), protagonizado por Angelina Jolie, entra em cartaz nesta quinta-feira, 16 de abril, em oito cidades brasileiras: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Curitiba, Salvador, Rio de Janeiro e Niterói.
Com direção e roteiro de Alice Winocour, o filme retrata as vidas de três mulheres — uma cineasta, uma modelo e uma maquiadora — que têm seus destinos cruzados durante a efervescente Paris Fashion Week, epicentro do mundo da moda.
A distribuição é da Synapse.
Lançado mundialmente no Festival Internacional de Toronto de 2025, “Vidas Entrelaçadas” conta a história de Maxine (Jolie), uma cineasta americana que descobre que tem câncer de mama;
Ada (Anyier Anei), um novo rosto no mundo da moda que foge de um futuro predeterminado na sua terra natal, o Sudão do Sul; e Angèle (Ella Rumpf), uma maquiadora que trabalha nos bastidores das passarelas.
Quando seus caminhos chegam a um ponto de interseção, o filme revela suas histórias silenciosas de resiliência por trás da superfície da performance pública do evento. E a solidariedade entre elas ─ mulheres de diferentes profissões, culturas e continentes ─ aflora.
Alice Winocour se interessou mais pelo que se passa nos bastidores do que pelo que é visto publicamente no mundo da moda.
Para escrever o roteiro, a cineasta acompanhou desfiles de moda durante um ano e conversou com profissionais envolvidos, como maquiadoras, costureiras, e modelos, buscando conhecer sua intimidade para além das passarelas.
Angelina Jolie empresta sua vivência pessoal para a personagem Maxine, que é diagnosticada com câncer de mama.
A mãe e avó da atriz morreram da doença e ela passou por uma mastectomia preventiva para se livrar do histórico familiar.
Anyier Anei, que interpreta a modelo sudanesa Ada, também tem pontos de conexão com sua personagem: a fuga de seu país por conta da guerra, a mentira para seu pai com o objetivo de ir para a França, entre outros detalhes.
A atriz revelação chamou a atenção da diretora em um desfile, um ano antes da filmagem de “Vidas Entrelaçadas”. O trio principal se completa com Ella Rumpf , que dá vida à maquiadora Angèle.
A atriz franco-suíça é conhecida por sua atuação em “O Desafio de Marguerite”, papel pelo qual ganhou o prêmio César de Atriz mais promissora, em 2024. Também se destacam no elenco Louis Garrel (“Saint-Ex”) e Vincent Lindon (“Com Amor e Fúria”).
SINOPSE:
A cineasta americana Maxine (Angelina Jolie), chega a Paris para a Semana de Moda em uma jornada de vida ou morte, enfrentando desafios e autodescoberta.
FICHA TÉCNICA:
Direção e roteiro: Alice Winocour
Elenco: Angelina Jolie, Ella Rumpf, Anyier Anei, Louis Garrel, Vincent Lindon
Produzido por: Charles Gillibert, William Horberg, Angelina Jolie, Zhang Xin
Produção executiva: Bob Xu, Jonathan King, Benjamin Hess, Luc Bricault








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