Crítica by Rapahel Ritchie: Vinte anos depois de deixar a escola para trás, um homem decide voltar ao reencontro da antiga turma carregando a mesma acusação que destruiu sua juventude, tentando revisitar um desaparecimento nunca resolvido enquanto encara pessoas que parecem congeladas naquela época.
Essa ideia inicial até cria uma tensão interessante entre nostalgia e ressentimento, principalmente porque o reencontro transforma o passado num espaço desconfortável, cheio de versões idealizadas de quem aqueles personagens acreditavam ser quando ainda estavam presos à lógica adolescente de pertencimento, exclusão e reconhecimento.
Só que o filme rapidamente abandona essa camada mais humana para mergulhar num excesso interminável de referências nerds, teorias de ficção científica, citações de cultura pop e explicações que surgem sem qualquer organicidade dentro da narrativa.
Tudo parece existir apenas para gerar identificação imediata, utilizando símbolos conhecidos desse universo geek sem construir peso dramático ou significado real para quase nenhuma dessas ideias.
O roteiro acumula conceitos e conexões numa velocidade tão ansiosa que raramente encontra tempo para desenvolver os próprios personagens, transformando praticamente todo mundo em caricaturas presas a trejeitos, exageros e comportamentos fabricados para parecer excêntricos.
O humor acompanha exatamente essa mesma energia caótica, apostando em diálogos acelerados e situações absurdas que dificilmente encontram ritmo suficiente para funcionar.
A direção mantém um fluxo frenético o tempo inteiro, mas essa insistência em nunca desacelerar faz com que a experiência se torne cansativa muito rápido, principalmente porque a história nunca encontra um eixo emocional forte o bastante para sustentar toda a confusão narrativa que vai surgindo pelo caminho.
Quando tenta transformar esse amontoado de referências e conceitos em algo emocionalmente relevante, a sensação já é de desgaste completo.
O resultado acaba parecendo menos uma narrativa sobre trauma, amadurecimento e reconciliação com o passado e mais um esforço desesperado para soar inteligente, referencial e excêntrico sem jamais encontrar clareza ou personalidade própria¨.
Fernando Caruso chega aos cinemas no dia 28 de maio com seu primeiro protagonista em “Cansei de Ser Nerd”, comédia romântica sci-fi com toques de suspense, referências ao universo geek e distribuição da H2O Films.
O filme também marca a estreia do premiado diretor de arte Gualter Pupo na direção de longas-metragens e teve première internacional na 51ª edição do Boston Science Fiction Film Festival, considerado o mais longevo festival de cinema do gênero das Américas.
Com argumento original de Renato Fagundes, o roteiro é assinado por ele ao lado de Thaisa Damous, Luiz Noronha e Gualter Pupo. A produção é da Hungryman, Na Paralela Filmes e A Fábrica, em coprodução com a Paramount Pictures e o Telecine.
Na trama, Caruso interpreta Aírton, um nerd que, nos tempos da faculdade, foi acusado injustamente pelo sumiço e suposto assassinato de uma colega, chegando a ficar preso por 10 dias.
Vinte anos depois, ainda tentando lidar com os traumas do passado, ele mora com a mãe, Dona Têca (Cissa Guimarães), e convence o melhor amigo, Ulisses (Pedro Benevides), a acompanhá-lo à festa de reencontro da turma da graduação.
No evento, Aírton reencontra Juliana (Bia Guedes), seu grande amor da juventude, e Charles (João Velho), principal responsável pelo bullying que sofreu no passado. Para provar sua inocência e desmascarar os verdadeiros criminosos, ele precisará encarar um grupo esquisito e perigoso, usando todo o seu conhecimento geek para tentar limpar seu nome, recuperar sua alma gêmea e sair vivo.
Sinopse:
Aírton, um nerd convicto, vai à festa de reencontro da faculdade determinado a desmascarar o ritual assassino de um culto alienígena, limpar seu nome e recuperar o coração de sua alma gêmea. Ah, sim, e também sair vivo. Uma comédia romântica sci-fi, que bota pra fora todas as verdades que os nerds nunca tiveram a chance de dizer.
Elenco:
Fernando Caruso (Aírton)
Bia Guedes (Juliana)
Pedro Benevides (Ulisses)
João Velho (Charles)
Thais Belchior (Beth)
Junior Vieira (Vitor)
Ana Carolina Sauwen (Amanda)
Paulo Verlings (Plínio)
Thainá Gallo (Fernanda)
Marcelo Olinto (DJ Elton)
Thaisa Damous (Cristal)
Renata Canossa (Solange)
Participações especiais:
Cissa Guimarães (Dona Têca)
Bel Kutner (Mãe do Charles)
Ficha técnica:
Direção - Gualter Pupo
Argumento original - Renato Fagundes
Roteiro - Renato Fagundes, Luiz Noronha, Thaisa Damous, Gualter Pupo
Conceito - Marcus Wagner
Produtores - Alex Mehedff, Gualter Pupo, Luiz Noronha, JC Feyer
Produção Executiva - Mário Diamante, Alex Mehedff e Gualter Pupo
Produtor Associado - Fernando Caruso
Direção de Fotografia - Gustavo Hadba
Direção de Arte - Fernanda Teixeira
Montagem - Alexandre Boechat, Vicente Kubrusly
Trilha Sonora - Berna Ceppas
Produtor de Finalização - Rodrigo Oliveira
Line Producer (Produtora Delegada) - Fernanda Kalume
1ª Assistente de Direção - Renata Schiavini
Diretor Assistente - Marcello Bosschar
Direção de Elenco - Cibele Santa Cruz, Junior Prado
Figurino - Roberta Pupo
Direção de Produção - Mateus Galvão
Caracterização - Manu Monteiro
Produção - Hungryman e Na Paralela Filmes
Coprodução - Paramount Pictures e Telecine
Distribuição - H2O Films



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