Crítica by Raphael Ritchie: ¨Dormir no mesmo teto que o próprio crush já seria suficiente para transformar qualquer rotina adolescente em um território de tensão constante, mas aqui isso ganha outra dimensão porque tudo passa pelo olhar de alguém profundamente inseguro sobre si mesmo, preso entre o desejo de ser visto e o medo permanente da rejeição.
Quinze Dias entende muito bem essa sensação de desconforto emocional que acompanha a adolescência e encontra justamente nessa convivência forçada o espaço ideal para desenvolver seus conflitos mais íntimos.
A narrativa segue um caminho bastante simples, confortável e diretamente conectado ao público que pretende alcançar, sem tentar sofisticar demais suas emoções ou transformar pequenos dilemas afetivos em grandes discursos sobre amadurecimento.
Existe uma sinceridade muito agradável nessa leveza mais bobinha e romântica, especialmente porque o filme reconhece o valor emocional dessas experiências aparentemente pequenas, tratando cada troca entre os personagens com carinho suficiente para sustentar o envolvimento até nos momentos mais previsíveis.
Grande parte disso funciona graças à dinâmica entre os protagonistas, que mantém vivo esse jogo constante entre vergonha, expectativa e aproximação afetiva.
As atuações carregam um carisma importante para que os personagens permaneçam interessantes mesmo sem grande profundidade dramática, enquanto a trilha sonora reforça esse clima juvenil acolhedor que atravessa praticamente toda a experiência.
Ao mesmo tempo, algumas escolhas de humor acabam destoando bastante do próprio coração da história. A repetição de piadas construídas a partir da autodepreciação ligada ao corpo e à obesidade enfraquece parte do discurso sobre autoestima que o filme tenta construir, criando um contraste desconfortável entre sensibilidade emocional e humor fácil.
É uma insistência que incomoda justamente porque surge dentro de uma narrativa que funciona melhor quando permite que suas vulnerabilidades existam sem transformar tudo em piada.
Ainda assim, permanece a sensação de um romance adolescente honesto dentro daquilo que deseja ser, sustentado muito mais pela dimensão afetiva dos personagens do que por qualquer ambição maior de profundidade.
Quando aceita sua simplicidade e concentra sua atenção nesses pequenos constrangimentos emocionais que fazem parte do amadurecimento, encontra seus momentos mais genuínos¨.
A tão aguardada adaptação cinematográfica da obra de Vitor Martins, que acompanha a jornada de autodescoberta do jovem Felipe (Miguel Lallo).
Dirigido por Daniel Lieff e com roteiro de Ray Tavares e Vitor Brandt, o filme estreia em 18 de junho nos cinemas.
Na trama, Felipe está pronto para aproveitar suas férias em paz, sem sair de seu quarto e ter interações indesejadas. Mas, ele não contava que sua mãe Rita (Débora Falabella) aceitaria hospedar o vizinho Caio (Diego Lira) por 15 dias enquanto os pais dele viajam.
Com esse novo visitante dentro de casa, os planos de Felipe vão por água abaixo, mas é aí que se inicia uma nova etapa em sua vida. Completam o elenco Mika Soeiro, Bel Moreira, Mariana Santos, Olivia Araujo, Márcio Vito, João Pedro Chaseliov e participação especial de Fernando Caruso, Silvio Guindane e Augusto Madeira.
Com uma narrativa que navega entre o drama dos conflitos internos de Felipe e o frescor de uma descoberta amorosa, “Quinze Dias” tem como fio condutor temas como aceitação, insegurança, gordofobia, homofobia e bullying.
Produzido por Renata Brandão e Juliana Capelini, com patrocínio master do Nubank e colaboração do BNDES, o filme tem produção da Conspiração e distribuição da Manequim Filmes.
#QuinzeDias e #QuinzeDiasOFilme
Sinopse
Felipe é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries.
Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho.
Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo Felipe mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua.
Ficha Técnica
Produção: Conspiração
Distribuição: Manequim Filmes
Patrocínio Master: Nubank
Dirigido por Daniel Lieff
Roteiro de Ray Tavares e Vitor Brandt
Produzido por Renata Brandão, Juliana Capelini
Produtora Executiva: Tania Pacheco
Coprodutores Executivos: Clarisse Goulart, Adriana Basbaum, Marcos Penido,
Gerência Executiva: Ana Leticia Leite, Patrícia Tudesco, Monica Zennaro, Raquel Leiko, Maria Paula Carvalho, Paula Lima
Direção de Fotografia: Daniel Primo
Direção de Arte: Nathalia Siqueira
Supervisor de Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto
Figurino: Ana Avelar
Caracterização: Mariah de Freitas
Supervisão de Efeitos Visuais: Claudio Peralta
Produtora Delegada: Lili Nogueira
Produtores de Elenco: Diogo Ferreira
Montagem: Eduardo Hartung
Colorista: Sergio Pasqualino
Som Direto: Pedro Sá Earp
Desenho de Som e Mixagem: Armando Torres Jr. e Caio Guerin
Trilha Sonora Original: Érico Theobaldo e Remi Chatain
Elenco:
Miguel Lallo, Diego Lira, Débora Falabella, Mika Soeiro, Bel Moreira, Mariana Santos, Olivia Araujo, Márcio Vito, João Pedro Chaseliov participação especial Fernando Caruso, Silvio Guindane e Augusto Madeira.



.jpg)
0 Comentários