Crítica by Raphael Ritchie: ¨Riccardo Schicchi percebe cedo que o erotismo podia ultrapassar o mercado adulto e ocupar os mesmos espaços reservados à televisão, à política e ao entretenimento de massa.
A partir dessa transformação, um grupo de mulheres passa a viver sob uma exposição permanente, admirada por milhões e condenada com a mesma intensidade por uma sociedade que consumia aquelas imagens enquanto insistia em preservar um discurso moralista.
É nesse cenário que Diva Futura utiliza o escândalo para discutir as contradições que cercavam aquelas figuras públicas.
A narrativa acompanha a ascensão da agência sem tratar suas protagonistas apenas como ícones sexuais. Cicciolina e Moana Pozzi surgem como mulheres que tentam negociar a própria autonomia dentro de um ambiente em que liberdade e exploração caminham lado a lado, enquanto Debora Attanasio conduz o olhar para os bastidores de um cotidiano marcado por relações afetivas, profissionais e econômicas difíceis de separar. A ideia de uma família improvisada nasce naturalmente desse convívio, embora nunca esconda os interesses que sustentavam aquele espaço.
Também chama atenção a maneira como a direção recria a Itália dos anos 1980 e 1990, período em que televisão, celebridade, pornografia e política deixavam de ocupar territórios distintos para alimentar o mesmo espetáculo.
O excesso visual, a atmosfera de glamour e a constante presença da mídia ajudam a compreender por que aquelas mulheres se tornaram símbolos de uma época, ao mesmo tempo em que revelam o preço pago por ocuparem uma posição tão visível.
Essa abordagem, entretanto, nem sempre alcança a profundidade sugerida pelos conflitos. O roteiro prefere circular por muitos temas sem dedicar tempo suficiente para explorar as ambiguidades de cada personagem, reduzindo parte do impacto emocional de trajetórias que carregam questões muito mais complexas do que a fama permite enxergar.
O resultado é um retrato interessante de um movimento que prometia emancipação enquanto seguia condicionado pelo olhar masculino e pela lógica comercial que transformava intimidade em produto¨.
“Diva Futura”, novo longa da diretora e roteirista italiana Giulia Louise Steigerwalt. O filme integrou a Seleção Oficial em Competição do Festival de Veneza 2024, onde chamou atenção pela abordagem sensível e provocadora sobre a ascensão da indústria adulta italiana e o impacto cultural da agência Diva Futura.
Steigerwalt — conhecida por seu trabalho como roteirista em Croce e Delizia e Settembre, além de sua trajetória como atriz — estreia na direção de longas com uma obra que combina rigor estético, pesquisa histórica e um olhar profundamente humano sobre personagens que marcaram a cultura pop europeia dos anos 80 e 90.
Sobre o filme
“Diva Futura” é uma cinebiografia de Riccardo Schicchi, fotógrafo, produtor e fundador da agência que revolucionou o entretenimento adulto na Itália. A partir de sua relação com figuras icônicas como Cicciolina, Moana Pozzi e Eva Henger, o filme reconstrói uma era de transformações sociais, midiáticas e políticas — quando o erotismo se tornou espetáculo de massa e moldou debates sobre liberdade, moralidade e poder.
Sinopse
Itália, anos 80 e 90. A indústria adulta italiana nasce e se transforma sob o comando de Riccardo Schicchi e da agência Diva Futura, que revolucionam a cultura com as maiores estrelas da época.
Por trás do glamour e da fama, Cicciolina e Moana, conhecidas mundialmente, carregavam histórias de vida profundamente comoventes. Nenhuma delas estava ali por acaso; juntas, formavam uma grande e peculiar família.
Pré-estreias com debates
As sessões exclusivas contarão com convidados especiais e debates após a exibição:
A estreia oficial do filme acontece no dia 16 de julho, com exclusividade na rede Reserva Cultural.
O que diz a crítica
“A cinebiografia de Riccardo Schicchi, dirigida por Giulia Louise Steigerwalt, traz de volta a diversão do entretenimento adulto.” — Deadline
“Uma celebração bem interpretada de uma era de ouro.” —
The Hollywood Reporter
“Cicciolina e a Revolução do Desejo. Quando a Itália descobriu o desejo oculto de toda a gente... O retrato de uma ‘família’ que lutou pela liberdade, mas que, paradoxalmente, acabou por normalizar algo que vai contra a liberdade da própria mulher: a mercantilização do corpo feminino.”



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