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CRÍTICA: O AFINADOR

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Um afinador de pianos descobre que sua audição excepcional vale muito mais do que a capacidade de identificar notas fora do lugar. Treinado para perceber detalhes que passam despercebidos pela maioria das pessoas, Niki acaba atraindo a atenção de criminosos que enxergam naquele talento uma ferramenta perfeita para abrir cofres, colocando-o em uma trajetória cada vez mais distante do universo que ajudou a moldá-lo.




É justamente nessa ideia que está o maior acerto de O Afinador. Transformar uma profissão aparentemente comum no centro de um filme de assalto já cria um interesse imediato, mas o longa vai além da curiosidade inicial ao encontrar uma conexão bastante criativa entre música, técnica e criminalidade.

Em vez de simplesmente reproduzir estruturas conhecidas do gênero, a narrativa constrói uma identidade própria ao explorar um protagonista que não nasce daquele mundo, sendo atraído por ele justamente por aquilo que o torna especial.



A dualidade entre os ambientes da música clássica e das atividades criminosas também contribui para dar personalidade à trama. Enquanto Niki se aprofunda em uma vida que depende de segredos e riscos cada vez maiores, seu relacionamento com Ruthie deixa de ser apenas um elemento romântico para se tornar uma ameaça constante ao equilíbrio que ele tenta manter.

Essa tensão funciona bem durante boa parte da história porque existe uma fragilidade permanente na posição ocupada pelo personagem, sempre dividido entre duas versões de si mesmo.




Ao mesmo tempo, o roteiro frequentemente escolhe caminhos previsíveis. Diversas reviravoltas podem ser antecipadas com relativa facilidade, reduzindo parte do impacto dramático que determinadas situações parecem buscar.

Soma-se a isso uma dependência considerável de coincidências e conveniências narrativas que surgem para manter a trama em movimento.

Alguns encontros, decisões e soluções acontecem de maneira excessivamente oportuna, exigindo uma suspensão de descrença maior do que o conceito inicial sugeria.



Ainda assim, essas fragilidades não chegam a comprometer a experiência. Existe um entendimento claro sobre aquilo que diferencia o filme de tantas outras histórias de assalto, e a direção explora esse elemento com eficiência suficiente para sustentar o interesse até o encerramento.

Talvez o desenvolvimento não alcance toda a sofisticação prometida pela ideia central, mas a originalidade do conceito continua sendo forte o bastante para compensar parte dos atalhos narrativos escolhidos pelo roteiro¨.

Longa com Leo Woodall passou pelos festivais Sundance, TIFF, BFI e Telluride

A Paris Filmes lança hoje, 11 de junho, nos cinemas, o filme “O Afinador” (Tuner), thriller de ação com Leo Woodall, Havana Rose Liu e Dustin Hoffman. Baixe aqui o cartaz e assista ao trailer neste link. Imagens aqui.




No primeiro longa de ficção do diretor vencedor do Oscar Daniel Roher ("Navalny"), Leo Woodall interpreta Niki, um afinador de pianos talentoso treinado por Harry (vivido por Hoffman). Sua audição excepcional chama a atenção de criminosos. Essa habilidade rara não só o ajuda a trabalhar com instrumentos de alto padrão, como pianos Steinway, mas também a abrir cofres com precisão.

Ao longo do caminho, Niki conhece Ruthie (Rose Liu), uma estudante de composição, e os dois criam uma conexão inesperada. Porém, sua vida dupla como arrombador começa a ameaçar o relacionamento, enquanto ele se envolve em situações cada vez mais perigosas.




O filme passou pelos festivais Sundance, TIFF, BFI e Telluride. Daniel Roher assina o roteiro com Robert Ramsey.



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