Crítica by Rapahel Ritchie: ¨Helena e seus dois filhos chegam a uma Brasília que ainda parece procurar a própria identidade.
A mudança para uma cidade em constante transformação faz com que o sentimento de pertencimento deixe de depender apenas das relações familiares e passe a ser influenciado pelo próprio espaço que eles ocupam, tornando o recomeço uma experiência marcada pela instabilidade e pela necessidade constante de adaptação.
A direção entende que essa experiência não poderia existir em qualquer outro lugar.
Brasília deixa de funcionar apenas como cenário porque sua condição de cidade ainda em consolidação espelha a instabilidade vivida pelos personagens.
O concreto, os vazios e a sensação permanente de expansão ajudam a revelar a dificuldade de criar vínculos em um lugar onde tudo ainda parece provisório, fazendo da cidade uma presença tão importante quanto a própria família.
Essa sensibilidade atravessa Pequenas Criaturas do início ao fim. O ritmo contemplativo valoriza gestos cotidianos e silêncios, permitindo que a maternidade, a solidão e a ausência constante do marido ocupem naturalmente o centro da narrativa.
A adaptação nunca acontece da mesma forma para todos, e a maneira particular com que cada personagem reage às mudanças amplia a reflexão sobre pertencimento sem perder de vista a intimidade daquela família.
O desfecho segue coerente com o caminho percorrido pela narrativa e faz uma escolha que certamente dividirá opiniões. Ainda que essa decisão não agrade a todos, ela preserva a identidade do filme e reforça seu interesse pelas transformações discretas de seus personagens.
O resultado é um drama sensível e consistente dentro daquilo que se propõe, embora sua delicadeza nem sempre seja suficiente para provocar um envolvimento emocional mais intenso¨.
“Pequenas Criaturas”, segundo longa-metragem da diretora e roteirista Anne Pinheiro Guimarães, chega aos cinemas de todo o Brasil em 23 de julho.
Com distribuição da Filmes do Estação em parceria com a Bananeira Filmes e RioFilme, o longa foi vencedor do Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio 2025, e do troféu Redentor de Melhor Direção de Arte, concedido a Claudia Andrade.
Estrelado por Carolina Dieckmmann, que também assina como produtora associada, o elenco reúne ainda Caco Ciocler, Leticia Sabatella, Théo Medon, Lorenzo Mello, Fernando Eiras e Michel Melamed.
O longa apresenta um retrato sensível de uma família vivendo um momento de transição ao se mudar para Brasília, em 1986, quando o Brasil ainda dava seus primeiros passos na redemocratização.
Recém-chegados à capital, Helena (Carolina Dieckmann) e os filhos, André (Théo Medon) e Dudu (Lorenzo Mello), precisam se adaptar a uma nova realidade quando o marido de Helena (Michel Melamed) viaja a trabalho, deixando-os sozinhos na cidade.
Enquanto ela passa a questionar suas escolhas e a reconstruir sua identidade, André vive as descobertas da adolescência, enquanto Dudu transforma o desconhecido em um universo lúdico por meio de novas amizades.
Dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, o longa revela como mudanças e encontros inesperados podem transformar profundamente a forma como cada personagem enxerga o mundo, a família e a si mesmo. A cineasta conta que o filme é profundamente pessoal, inspirado em suas próprias experiências e dedicado à mãe.
“Como filha de diplomata, passei a infância viajando, sempre partindo e chegando. Nasci em Brasília e morei lá entre os 8 e os 15 anos, exatamente as idades do Dudu e do André.
Quem já foi sabe que Brasília é uma cidade única, diferente de todas as outras: planejada, futurista e modernista, com seus encantos e seus desafios, especialmente para quem chega. Não é fácil, mas tem seus momentos mágicos e deixa marcas profundas”, afirma.
Uma produção da Bananeira Filmes, o longa tem coprodução da Globo Filmes, Telecine e Canal Brasil.
A distribuição é da Filmes do Estação em parceria com a Bananeira Filmes.
SINOPSE
Brasília, 1986. Recém-chegada à capital com o marido e os dois filhos, Helena vê sua rotina ser abalada quando ele parte em uma viagem de trabalho, deixando-a sozinha em uma cidade desconhecida. Enquanto enfrenta a solidão e as frustrações de uma vida que não escolheu, ela busca redescobrir sua própria identidade.
Ao mesmo tempo, seus filhos vivem os desafios e as descobertas da juventude. André, adolescente, experimenta as primeiras paixões e percebe as tensões crescentes entre os pais; já o pequeno Dudu transforma o cotidiano em uma sequência de aventuras, amizades e aprendizados.
Entre encontros inesperados, conflitos e afetos, a família atravessa um período de transformação que revelará novas possibilidades de conexão e felicidade.
FICHA TÉCNICA:
Drama | 106 min | 2025
Argumento, roteiro e direção Anne Pinheiro Guimarães
Produtores associados Cacá Diegues e Carolina Dieckmmann
Produzido por Vania Catani
Produção executiva Renato Pimentel
Direção de produção Larissa Rolim
Direção de fotografia Pablo Baião
Montagem: Marilia Moraes, edt.
Direção de arte e cenografia Claudia Andrade
Figurino Cristina Kangussu
Caracterização Maria Inez Moura
Cabeleireiro Roberto Moreira
Som direto Marcos Manna
Microfonista Dani Barcelos
Gaffer Hilton BB
Maquinista Léo França
Música original Gabriel Amorim
Edição de som e mixagem Bernardo Uzeda
Colorista Pedro Saboya, ABC
Produção de finalização Elaine Azevedo e Silva
Produção Bananeira Filmes
Produtores associados Cacá Diegues e Carolina Dieckmmann
Coprodução Globo Filmes, Telecine, Canal Brasil
Coproduzido e distribuído com a parceria da RIOFILME
Apoio Mistika, Aura, TAO - Luz e Movimento, Frame
Incentivo BRDE, FSA, ANCINE
Patrocínio BNDES
Realização Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura
Distribuição Filmes do Estação e Bananeira Filmes






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