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CRÍTICA: MINHA FILHA É UM ZUMBI

Crítica by Raphael Ritchie¨Transformar uma filha adolescente em zumbi poderia ser apenas a desculpa para uma coleção de piadas fáceis, mas a escolha mais interessante aqui está em reduzir uma epidemia inteira ao tamanho de uma casa, onde o maior problema não é sobreviver aos mortos-vivos, e sim continuar reconhecendo alguém que parece ter mudado por completo.




Depois que a garota é infectada, o pai decide escondê-la na cidade onde vive a avó e tenta controlar seus impulsos usando a experiência que acumulou treinando tigres. É desse contraste que Minha Filha é um Zumbi tira boa parte do humor: impedir mordidas, recuperar hábitos e testar reações passam a integrar uma rotina familiar tratada com uma seriedade tão grande quanto seu absurdo.

A dinâmica entre os dois sustenta a brincadeira porque ele encara cada pequeno avanço como uma possibilidade real de recuperar a filha, enquanto ela oscila entre o comportamento animalesco e sinais discretos da adolescente que ainda permanece ali.

A associação com a própria adolescência surge quase naturalmente, sem precisar transformar cada gesto em símbolo. O pai convive com alguém que já não responde como antes, precisa reaprender a se comunicar e se agarra a manifestações mínimas de reconhecimento. A diferença é que, além dos conflitos familiares habituais, existe agora o risco bastante concreto de alguém terminar mordido.

O humor físico, as reações exageradas, a maneira pouco delicada da avó lidar com a situação e até a presença do gato ajudam a manter tudo dentro de uma comédia familiar assumidamente popular.




A ameaça externa continua existindo, especialmente porque as autoridades tratam qualquer infectado como alguém que já deixou de ser pessoa, mas ela serve principalmente para tornar mais significativa a resistência daquele pai. Enquanto o mundo já decidiu o que a garota se tornou, ele continua procurando aquilo que ainda existe da filha.

Essa insistência também sustenta a carga emocional quando o longa abandona parte da irreverência e se entrega ao melodrama. A transição nem sempre é discreta e existe uma vontade bastante visível de conduzir o espectador às lágrimas, mas o sentimentalismo raramente parece deslocado porque o afeto foi alimentado pela convivência, pelas pequenas respostas da garota e pela maneira como aquela família adapta o cotidiano ao impossível.

Mais do que humanizar um zumbi, a graça e a emoção estão em observar uma família se recusando a aceitar que uma transformação, por mais radical que seja, apague automaticamente todos os vínculos que vieram antes. É uma comédia ampla, exagerada e muito afetuosa, mas também uma história sobre continuar reconhecendo alguém quando quase tudo ao redor oferece motivos para desistir¨.




Minha Filha é um Zumbi chega aos cinemas brasileiros em 3 de setembro com versão legendada e dublada em português, que traz participações especiais da equipe do Omelete, uma das maiores referências em cinema, séries e cultura pop do Brasil.

Distribuído pela O2 Play, em codistribuição com o Omelete Company, o longa reforça a parceria entre as empresas para ampliar o acesso do público brasileiro a grandes produções internacionais e aproximar os espectadores de alguns dos maiores sucessos do cinema asiático contemporâneo.

Depois de conquistar mais de 5 milhões de espectadores e se tornar a maior bilheteria do cinema sul-coreano em 2025, a versão brasileira terá as vozes de Marcelo Forlani, sócio-fundador do Omelete Group, Marcelo Hessel, Bruna Nobrega e João Marcelo Cunha (João Jedi).

Baseado no webtoon homônimo de Lee Yoon-chang, que ultrapassa 500 milhões de visualizações em todo o mundo, Minha Filha é um Zumbi conquistou o público ao equilibrar comédia, drama familiar e elementos de horror, combinação que se tornou uma das marcas mais reconhecidas do audiovisual sul-coreano.

A história acompanha Lee Jeong-hwan, um pai disposto a fazer qualquer coisa para proteger a filha Soo-ah, que foi infectada por um vírus zumbi.

Diferentemente do esperado, a jovem preserva parte de sua consciência, dando origem a uma convivência tão caótica quanto emocionante.

O elenco reúne alguns dos principais nomes do cinema sul-coreano, com Cho Jung-suk no papel de Lee Jeong-hwan e Choi Yu-ri como Soo-ah, sob direção de Pil Gam-seong.

O filme também conta com Lee Jung-eun e Cho Yeo-jeong, atrizes que integraram o elenco de Parasita, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2020 e marco histórico do cinema sul-coreano.

Além do sucesso de público, Minha Filha é um Zumbi também foi elogiado pela crítica internacional por transformar uma premissa inusitada em uma história sobre família, afeto e aceitação.

Ao combinar humor, emoção e um universo de zumbis sob uma perspectiva original, o longa consolidou-se como um dos principais destaques do cinema sul-coreano contemporâneo.

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