Post Page Ads

Post Page Top Ads

CRÍTICA: REFÉM POR UM FIO

Crítica by Jhow Foster: ¨Refém por um Fio (Dead Man's Wire) se apoia em uma daquelas premissas reais tão inacreditáveis que parecem ter saído diretamente da cabeça de um roteirista de Hollywood: um sequestro angustiante, de altíssima tensão, com um desfecho positivamente surpreendente e improvável para os padrões do gênero.




No entanto, a execução patina no ritmo e deixa uma sensação incômoda de oportunidade desperdiçada.

​O Elenco Carrega o Filme nas Costas:
​Se há algo que segura a produção até o fim, é o trabalho impecável de seu elenco:
​Bill Skarsgård: Entrega uma atuação visceral e tecnicamente perfeita. Ele captura a instabilidade emocional e a intensidade de seu personagem com precisão cirúrgica.

O grande problema não é a interpretação, mas a própria escrita do protagonista — o personagem é ranzinza, denso demais e repetitivo, tornando difícil para o espectador criar qualquer empatia ou conexão.




​Dacre Montgomery: Surpreende com uma entrega madura, equilibrando a tensão dos momentos mais acalorados e servindo como um ótimo contraponto em cena.

​Al Pacino: Como de costume, sua presença de cena eleva o nível do filme. Ele traz peso dramático e autoridade instantânea para a trama, garantindo os momentos mais eletrizantes do longa.




​Por que a narrativa falha?

​O grande obstáculo de Dead Man's Wire está no seu ritmo. Apesar da premissa eletrizante, o roteiro se perde em diálogos arrastados e escolhas de direção que deixam a projeção enfadonha e cansativa.

O filme tenta se posicionar como um suspense cerebral feito para cinéfilos, adotando uma estética sóbria e contida, mas acaba caindo na "vibe errada" do cinema cult: aquela em que a lentidão é confundida com profundidade.

​Em vez de construir uma tensão crescente que faça o espectador roer as unhas — algo essencial para uma história baseada em um sequestro —, a narrativa se acomoda em um tom monocórdico.




Saber que a história real terminou bem ajuda a amenizar o amargor do encerramento, mas não apaga a sensação de desinteresse que se acumula ao longo do segundo ato.

​É um filme de altos desempenhos e baixos estímulos. Vale a pena para quem busca apreciar grandes atuações (com destaque para a entrega dedicada de Bill Skarsgård e o charme veterano de Pacino), mas exige paciência para encarar uma condução travada e um protagonista difícil de engolir¨.




Após um hiato de sete anos, o cultuado diretor de “Gênio Indomável” (1997), “Elephant” (2003),“Paranoid Park” (2007) e “Milk: A Voz da Igualdade” (2009) brinda os fãs com um retorno triunfal:saudado pela crítica como “a obra mais vital de Gus Van Sant para as telonas em muito tempo”,“Refém Por Um Fio” (Dead Man's Wire) chega aos cinemas brasileiros em 20 de agosto, com distribuição exclusiva da Pandora Filmes.

O suspense reúne um elenco estelar, capitaneado por Bill Skarsgard (“It”, “Nosferatu”, “O corvo”,“John Wick”), Al Pacino (“O poderoso chefão”, “O irlandês”), Colman Domingo (“Euphoria”,“Michael”, “Dia D”) e Dacre Montgomery (“Stranger Things”, “Power Rangers”), e recria o episódio ocorrido em 8 de fevereiro de 1977, na cidade de Indianápolis, quando o incorporador imobiliário Tony Kiritsis realizou um dos crimes mais surreais da história americana.




Sentindo-se enganado e prejudicado financeiramente pela empresa Meridian Mortgage Company,ele foi ao escritório da companhia para confrontar o presidente, Richard Hall.

Como o executivoestava de férias, Kiritsis fez o filho de Hall, Richard, de refém. Ele amarrou o jovem com uma espingarda apontada para a nuca, fazendo uso do “dead man's wire”, dispositivo que torna praticamente impossível uma intervenção policial sem risco imediato ao refém.

O cerco bizarro etenso foi amplamente televisionado.O roteirista Austin Kolodney desenvolveu a história com o apoio dos documentaristas Alan Berry e
Mark Enochs, autores de “Dead Man's Line” (2018), que pesquisaram extensivamente o caso e atuaram como consultores históricos do longa.

O diretor conduz a narrativa privilegiando a tensão e o espetáculo midiático que cercou o caso, em vez de reduzi-la a um thriller policial convencional.

A trilha sonora, assinada por Danny Elfman, desfila estandartes do soul, funk e rock dos anos 70, como “Love To Love You Baby” na voz de Donna Summer; “Compared to What”, com Roberta Flack; e “The Revolution Will Not Be Televised”, de Gil Scott-Heron.




Refém Por Um Fio” estreou no Festival de Veneza e mistura momentos de tensão claustrofóbica com humor ácido e ironia. A atuação de Bill Skarsgård foi amplamente aplaudida pelos críticos, também a capacidade de Gus Van Sant em oferecer um drama de época que ainda conversa tanto com frustrações sociais contemporâneas.

Refém Por Um Fio
(Dead Man's Wire)

EUA, 2025, cor, 104 min., suspense, idioma: inglês (legendado)

Direção: Gus Van Sant

Elenco: Bill Skarsgård, Dacre Montgomery, Al Pacino e Colman Domingo

Sinopse: Em 1977, um empresário arruinado invade o escritório de uma companhia hipotecária e faz um executivo refém usando uma espingarda ligada ao próprio pescoço por um mecanismo que dispara caso ele seja morto. Inspirado em um caso real que paralisou os Estados Unidos, o filme acompanha horas de tensão, negociações e a crescente atenção da imprensa sobre um dos sequestros mais incomuns da história.

Postar um comentário

0 Comentários