Crítica by Raphael Ritchie: ¨Cole Reed presencia o assassinato do bilionário que deveria proteger, acaba incriminado pelo crime e entra clandestinamente em um cargueiro para descobrir quem está por trás da execução.
É uma justificativa rápida para colocar Jason Statham diante de muitos homens armados, pouco espaço para fugir e uma certeza quase absoluta de que todos escolheram a pessoa errada para enfrentar.
Código: Vingança trabalha justamente dentro dessa familiaridade. Statham fala pouco, mantém a expressão praticamente inalterada diante do perigo e atravessa a história com a eficiência física que virou parte de sua persona no cinema de ação.
Isso ainda oferece algum prazer, especialmente porque o ator consegue estabelecer Cole sem precisar de grandes explicações, mas a repetição cobra um preço quando quase tudo ao redor dele parece igualmente conhecido.
O cargueiro deveria oferecer a principal diferença, e em alguns confrontos realmente oferece. Corredores estreitos, compartimentos e estruturas metálicas reduzem os movimentos, aproximam os corpos e dão aos golpes uma brutalidade mais seca.
As lutas têm peso e evitam depender exclusivamente de tiros ou efeitos digitais, além de ocasionalmente aproveitarem objetos e limitações do próprio espaço. Ainda assim, essas ideias aparecem de forma irregular, como se o cenário tivesse mais possibilidades do que a direção consegue explorar ao longo de toda a duração.
O problema cresce quando a história tenta compensar sua simplicidade acumulando conspirações, interesses e revelações que pouco acrescentam ao percurso de Cole. A trama fica mais complicada sem ficar mais envolvente, enquanto os vilões permanecem genéricos demais para que cada novo confronto represente alguma mudança real.
A inclusão do tráfico humano aumenta artificialmente a gravidade da ameaça, mas serve sobretudo para transformar adversários já desprezíveis em alvos ainda mais fáceis de condenar.
Até a falta de humor pesa. Uma história sobre Statham atravessando um cargueiro cheio de criminosos poderia assumir melhor o absurdo da própria situação, mas a seriedade constante transforma uma fórmula naturalmente divertida em algo mecânico.
A duração curta impede que o desgaste seja maior e algumas pancadarias ainda oferecem o impacto esperado, porém eficiência isolada não basta quando história, personagens e cenário parecem existir apenas para conduzir o protagonista até o próximo corpo.
Entregar exatamente aquilo que o público espera pode ser parte do jogo. Repetir aquilo que ele já viu inúmeras vezes, quase sem personalidade própria, é outra coisa¨.



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