Neste épico de Iñárritu,
acompanhamos Digger Rockwell (Tom Cruise), um magnata do petróleo cujo nome
parece evocar John D. Rockefeller, um dia se depara com um acidente em uma das
suas refinarias em que produz milhares de barris de petróleo por dia em algo
que pode vir a se tornar uma tragédia de proporção global. Iñárritu capta,
através de lentes grande angulares, os cômodos da mansão de Digger, explorando
em detalhes os espaços que materializam sua riqueza.
O diretor também o filma
constantemente em contra-plongée, colocando a câmera abaixo de seu corpo para
transformá-lo visualmente em uma figura de domínio e autoridade. Utilizando
destes recursos cinematográficos, ele deixa em evidência que estamos submetidos
à lógica de poder do personagem.
O magnata petroleiro além de possuir riqueza
de valor inestimável, consegue exercer também o controle da narrativa por meios
de censura digital, onde consegue por meio de um firewall, filtrar certas
palavras nas redes sociais, moldando a realidade a seu gosto. Em determinado
momento, o filme se torna deliberadamente metalinguístico e passa a brincar com
a própria audiência, rompendo a distância entre aquilo que acontece na tela e a
forma como estamos consumindo aquela história.
A provocação pode funcionar como
comentário sobre nossa própria relação com espetáculos de poder e desastre,
embora em alguns momentos o excesso dessa estratégia pareça chamar mais atenção
para o próprio mecanismo do que para aquilo que ele pretende discutir.
A
construção de Digger parece partir de referências que vão de Charles Foster
Kane, de Cidadão Kane, a Peter Sellers em Dr. Strangelove, personagens marcados
pelo poder, pelo excesso e por uma caracterização deliberadamente caricatural.
Com seu sotaque carregado e uma atuação que transita entre a grandiosidade e o
absurdo, Tom Cruise incorpora Digger com maestria.
O presidente, Compson
interpretado por John Goodman encontra uma presença que sobressai em cena,
embora às vezes caricato, constrói uma autoridade sarcástica com peso. Sua
atuação cria um contraponto interessante ao exagero de Digger e ajuda a
estabelecer uma dinâmica de poder entre aqueles que ocupam os diferentes níveis
dessa estrutura. Iñárritu constrói um espetáculo grandioso e satisfatório,
sustentado por grandes atuações e por uma crítica ao poder que se manifesta
tanto na riqueza quanto no controle da informação.
Entretanto, quando
transforma essa discussão em um jogo metalinguístico com o próprio espectador,
o filme parece confiar menos na capacidade de quem assiste de compreender suas
ideias. A ironia é que, ao criticar Digger por tentar controlar a narrativa,
Iñárritu também acaba tentando controlar demais a nossa percepção sobre aquilo
que está dizendo¨.
Com estreia marcada para a próxima quinta-feira, 1º de
outubro, Digger já tem agitado o universo cinéfilo. O filme
estrelado por Tom Cruise e dirigido pelo vencedor do Oscar Alejandro
G. Iñárritu mobilizou estudantes e criadores de conteúdo na tarde de 28 de
setembro, com uma parceria especial entre a Warner Bros. Pictures e a Fundação
Armando Alvares Penteado (FAAP) para o oferecimento de uma Masterclass
inspirada em elementos do filme.
Digger estreia em 1º de outubro de 2026 nos
cinemas de todo o Brasil, com sessões antecipadas a partir de 30 se setembro –
ingressos já estão à venda. O longa estará disponível também em versões IMAX e
com acessibilidade.
Sobre o filme
O cineasta vencedor do Oscar, Alejandro G. Iñárritu está
de volta com um novo filme original, Digger, estrelado por Tom
Cruise no papel-título.
O homem mais poderoso do mundo embarca em uma missão
frenética para provar que é o salvador da humanidade antes que o desastre que
ele mesmo provocou destrua o planeta.
Tom Cruise estrela o filme ao lado do vencedor do
Oscar, Riz Ahmed; de John Goodman; Sandra Hüller, indicada
ao Oscar; Michael Stuhlbarg; e Jesse Plemons, indicado ao
Oscar.
Alejandro G. Iñárritu dirige Digger,
cujo roteiro coescreveu ao lado dos vencedores do Oscar, Alexander Dinelaris
& Nicolás Giacobone, e de Sabina Berman, a partir do
argumento de Iñárritu & Sabina Berman. O cineasta também
assina a produção, em parceria com Mary Parent, indicada ao Oscar, Tom
Cruise, com produção executiva de Joshua Grode.
A equipe de produção criativa do cineasta Alejandro G.
Iñárritu atrás das câmeras de Digger inclui seus
colaboradores de longa data como o diretor de fotografia vencedor do Oscar, Emmanuel
Lubezki; os designers de produção Dennis Gassner, vencedor do Oscar,
e Richard Johnson; os editores Conor O'Neill e Stephen
Mirrione, vencedor do Oscar; a figurinista Jacqueline West, indicada
ao Oscar; o designer de maquiagem e cabelo vencedor do Oscar, Alessandro
Bertolazzi; o designer de maquiagem protética vencedor do Oscar, Kazu
Hiro; a diretora de elenco Francine Maisler, indicada ao Oscar; e o
compositor Cosmo Sheldrake.
A Warner Bros. Pictures apresenta uma produção
Legendary Pictures, um filme de Alejandro G. Iñárritu, Digger
foi filmado inteiramente em VistaVision e será lançado nos cinemas brasileiros
a partir de 1º de outubro, com sessões antecipadas em 30 de setembro.
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