Crítica by Raphael Ritchie: ¨O desaparecimento de um submarino nuclear russo nas águas do Ártico leva uma segunda tripulação a uma missão de resgate que rapidamente abandona qualquer aparência de operação convencional.
Sob o comando de Viktor, irmão do capitão desaparecido, a busca passa a envolver não apenas antigas tensões familiares, mas também uma criatura gigantesca circulando nas profundezas, justamente onde qualquer falha mecânica já seria suficiente para transformar a missão em desastre.
Essa combinação é também o principal conflito de Kraken. O longa quer sustentar a seriedade de um drama militar, explorar rivalidade, culpa e dever entre os irmãos e, ao mesmo tempo, entregar o espetáculo prometido por um monstro marinho colossal.
O problema não está exatamente na demora para colocar a criatura em cena, mas no peso excessivo dado ao que ocupa esse espaço. Procedimentos, diálogos solenes e uma música constantemente empenhada em ampliar a carga emocional tornam a espera mais pesada do que tensa, especialmente quando as relações humanas nem sempre ganham profundidade suficiente para justificar tanta gravidade.
Curiosamente, a ameaça cresce justamente porque permanece incompleta durante boa parte das aparições. Tentáculos, movimentos sob a água e ataques vistos de maneira parcial preservam melhor a escala da criatura do que uma exposição constante provavelmente conseguiria.
O submarino ajuda muito nesse sentido: corredores apertados, compartimentos fechados e a impossibilidade de simplesmente fugir criam uma vulnerabilidade concreta, e a diferença de tamanho entre embarcação e monstro dá peso às melhores sequências.
Visualmente, a ambição aparece tanto nas imagens convincentes quanto nas limitações mais perceptíveis. A escolha de esconder partes da criatura favorece os efeitos, enquanto algumas cenas mais abertas revelam certa irregularidade. Ainda assim, a ação ganha personalidade quando depende das restrições daquele ambiente submerso, evitando transformar tudo numa batalha genérica.
A idealização dos militares também atravessa o longa, com dever, hierarquia, coragem e sacrifício tratados com solenidade quase permanente. Isso combina com o tom adotado, mas contribui para personagens rígidos demais e para um melodrama que raramente encontra leveza suficiente para contrastar com o absurdo irresistível de um submarino enfrentando uma criatura colossal.
Com mais equilíbrio entre espera, drama e espetáculo, essa combinação poderia resultar numa aventura muito mais envolvente. Do jeito que está, entrega boas ideias visuais, uma ambientação naturalmente claustrofóbica e alguns ataques eficientes, mas carrega com seriedade excessiva uma história que talvez pedisse um pouco mais de pulso, ritmo e prazer em assumir sua própria extravagância.
Ação - 2026
Direção: Nikolay Lebedev
Elenco: Aleksandr Petrov, Diana Pozharskaya, Viktor Dobronravov
Sinopse: Durante a Guerra Fria, um submarino russo desaparece no mar. O Comandante Viktor Voronin lidera uma missão arriscada para encontrar seu irmão, enquanto um monstro marinho aterrorizante surge das profundezas após a destruição de uma estação polar.








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