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CRÍTICA: “A MARAVILHOSA ÁRVORE ENCANTADA”

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Assumir a ingenuidade de uma fantasia infantil sem recorrer à ironia constante é uma escolha mais rara do que parece, e talvez seja também o aspecto mais simpático de A Maravilhosa Árvore Encantada.




Quando uma família deixa Londres para tentar recomeçar no interior da Inglaterra, as crianças encontram na floresta uma árvore que leva a diferentes mundos fantásticos, e essa descoberta é tratada com uma sinceridade quase antiquada, permitindo que personagens exagerados, cenários coloridos e regras absurdas existam simplesmente porque aquele universo comporta esse tipo de imaginação.

Essa simplicidade, porém, oscila entre charme e fragilidade. A passagem de um mundo para outro cria uma estrutura próxima de capítulos de um livro infantil, sempre apresentando uma nova ideia, uma nova figura excêntrica ou algum pequeno desafio, mas raramente acumulando tensão ou consequência suficiente para produzir uma sensação real de progressão.

Nem toda aventura para crianças precisa envolver ameaças gigantescas, e existe até certo alívio em acompanhar uma história de baixo risco, mas a sucessão de descobertas agradáveis começa a parecer episódica demais quando quase tudo se resolve antes de deixar marcas.



A atualização para uma família cercada por telas ajuda a aproximar o material de Enid Blyton do presente sem transformar celulares e computadores em grandes vilões. O ponto mais interessante está no espaço aberto pelo tédio e pela falta de respostas imediatas.

As crianças precisam sair, explorar e encontrar alguma coisa que não foi escolhida previamente por um aparelho. É uma ideia simples, tratada de maneira igualmente simples, o que evita uma moralização excessiva, embora também limite o quanto essa transformação realmente repercute nos personagens.

A relação entre os pais dá alguma sustentação emocional a esse percurso porque os adultos participam de uma dinâmica familiar que vai além de apenas levar os filhos até a próxima aventura.

O afeto entre eles permanece perceptível mesmo nas dificuldades, acrescentando humanidade a uma história em que conflitos e resoluções frequentemente passam rápido demais.




Também existe criatividade visual nos figurinos, criaturas e diferentes mundos, embora o artificial nem sempre tenha o mesmo efeito.

Em certos momentos, a aparência deliberadamente teatral combina com a lógica de um livro infantil transformado em imagem; em outros, a exuberância se aproxima demais de uma produção televisiva, diminuindo justamente a dimensão de descoberta que deveria acompanhar cada novo lugar.

A doçura nunca chega a ser o problema. O limite aparece quando delicadeza começa a significar ausência de atrito, e personagens, conflitos e aventuras parecem destinados a desaparecer assim que o próximo mundo entra em cena.

A fantasia preserva uma inocência genuína e até admirável, mas depende demais dessa boa vontade para compensar uma história que precisava de mais consequência, ritmo e personalidade¨.




Na trama, Polly (Claire Foy, “The Crown”) e Tim Thompson (Andrew Garfield, “Todo Tempo Que Temos”) são os pais amorosos e inventivos de Beth (Delilah Bennett-Cardy), Joe (Phoenix Laroche, “O Coelho de Veludo”) e Fran (Billie Gadsdon, “Cruella”), que vivem uma infância tomada pelas telas em um apartamento. Quando a mãe deixa o emprego de engenheira em uma grande empresa de tecnologia, a família decide realizar um sonho antigo: morar em uma cidadezinha e viver da produção de molho de tomates especiais, uma receita familiar.

Porém, a adaptação das crianças é cheia de obstáculos, principalmente da mais velha, Beth, que sente falta das amigas – e do sinal de internet. Mas a irmã mais nova inicia uma jornada inesperada que pode trazer magia para toda a família: Fran faz amizade com a fada Silky (Nicola Coughlan, “Bridgerton”) e é convidada para conhecer a Maravilhosa Árvore Encantada, onde há um portal para outros mundos, habitado por seres mágicos.




Com direção de Ben Gregor (“Fatherhood”) e reunindo Andrew Garfield e Claire Foy após protagonizarem juntos “Uma Razão Para Viver”, o filme ainda conta com nomes como Rebecca Ferguson (“Duna”), Nonso Anozie (“Sweet Tooth”) e Jennifer Saunders (“Absolutely Fabulous”).

A MARAVILHOSA ÁRVORE ENCANTADA é distribuído pela Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, e chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de setembro.

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