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Quando olha para seu passado,
sua infância na China, o diretor e roteirista C.B. Yi gosta de lembrar dos
filmes do taiwanês Hou Hsiao Hsien. “Eu tive a infância mais livre que eu
poderia querer, e gosto de olhar para trás com nostalgia. Nos primeiros
filmes desse diretor, eu encontro lugares e traços do passado”. E são essas experiências que ele evoca em seu primeiro longa, MONEYBOYS, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 8 de fevereiro, com distribuição da Pandora filmes. Com classificação
indicativa de 16 anos, o filme poderá ser assistido
em São Paulo, Rio de Janeiro, Aracaju, Brasília, Manaus, Porto
Alegre e Salvador. Nascido na China, Yi passou a
adolescência na Áustria, onde, posteriormente, estudou na Academia Vienense
de Cinema. Ele se lembra de que na infância não havia crimes na pequena
cidade onde vivia, que as pessoas podiam deixar a porta da casa aberta. Porém,
para seu longa de estreia, ele pensou numa situação diferente, mais
contemporânea. “O filme lida com um
problema muito específico, a migração de um jovem da China rural, mas para
mim é uma história universal sobre relacionamentos interpessoais que poderiam
acontecer em muitos lugares ao redor do mundo”. MONEYBOYS fez
sua estreia mundial na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes. Trazer a história de Fei (Kai
Ko) para a China rural era uma necessidade, pois o diretor, que também assina
o roteiro do filme, não conseguia imaginar situar na Europa as situações
retratadas ali. “Lidar com o cenário da terra natal me deu confiança e
segurança no meu trabalho, pois sinto uma conexão especial com as pessoas,
suas peculiaridades e conflitos. Acredito também que seja importante lidar
pelo menos uma vez com as origens de uma carreira artística.” Fei sustenta sua família como
garoto de programa, porém tudo muda quando percebe que eles aceitam o seu
dinheiro, mas não a sua homossexualidade. Vivendo um relacionamento com Long
(Yufan Bai), ele acredita que as coisas podem ser melhores, mas o reencontro
com um antigo amor Xiaolai (J.C. Lin) abala as certezas do
protagonista. “Abandonar o passado ou
viver com ele é um dos assuntos principais de MONEYBOYS.
Mas eu sempre elaboro as histórias com vários assuntos em mente. É, por
exemplo, também sobre encontrar coragem para ser feliz. Ou você nem sempre
está fazendo um favor ao outro e a si mesmo quando você se sacrifica por
eles. Estes são temas que quero abordar em meus filmes e roteiros: até que
ponto posso estar lá para os outros sem me machucar? Até que ponto preciso me
preocupar comigo primeiro para poder fazer o bem aos outros?” Aluno de Michael Haneke, Yi
conta que no set tenta criar um ambiente de segurança e liberdade, para que o
elenco possa se entregar ao filme. “Enquanto diretor, as várias
personagens exigem que você lide de forma diferente com cada um: alguns
atores querem açúcar, outros querem o chicote, outros ainda preferem ser
ignorados por um tempo para que eles possam desenvolver seu papel sem ser
incomodados.” “A característica mais
marcante de MONEYBOYS é sua estética: direção
elegante, belas molduras, um esplêndido uso de espaço e escopo que lembra
Nicholas Ray, que captura e examina o protagonista até a medula”,
escreveu o jornalista espanhol Jordi Batlle Caminal sobre o filme, no site
Fotogramas. |
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Sinopse Ficha Técnica |



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