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CRÍTICA: DREAMS

 Crítica by Raphael Ritchie: ¨Dreams (Sex Love) encerra a trilogia de Dag Johan Haugerud com uma sensibilidade rara. Aqui, tudo gira em torno de Johanne, uma adolescente que escreve sobre sua paixão por sua professora de francês. 



Ao documentar esse sentimento em um caderno — em forma de narrativa quase literária — ela acidentalmente transforma um processo íntimo em algo público, quando sua mãe e sua avó têm acesso aos escritos.

O filme trata a paixão adolescente com delicadeza e ironia: aquilo que parece o fim do mundo para Johanne é lido com horror, depois admiração, por duas mulheres mais velhas que se veem refletidas nos desejos da jovem. A mãe e a avó, em meio ao choque, revisitam suas próprias frustrações amorosas e se questionam sobre as escolhas que fizeram — ou deixaram de fazer.



Boa parte da trama se desenvolve por meio da narração ou da leitura dos textos de Johanne. Isso poderia tornar o filme expositivo demais, mas não é o que acontece aqui. Há uma tensão constante entre o que é lido e o que é vivido, o que só reforça a proposta do longa: explorar os limites entre fantasia e realidade, desejo e memória, verdade e ficção.

Ella Øverbye entrega uma performance que carrega toda a intensidade da juventude sem soar forçada. Sua Johanne é confusa, vulnerável, determinada e poética — às vezes tudo isso ao mesmo tempo. A relação entre as três gerações de mulheres é construída com sutileza, revelando uma herança silenciosa de silenciamentos e renúncias.

Visualmente, o filme aposta em composições suaves e ambientes íntimos. Há uma cena onírica de dança numa escada no meio da floresta que encapsula perfeitamente o tom do filme: entre o concreto e o imaginado, entre o possível e o impossível. O ritmo é lento, mas nunca cansativo — porque os personagens importam, e o que está em jogo não é o que vai acontecer, mas o que se sente.



Dreams (Sex Love) é sobre escrever para sobreviver ao que não se pode viver. Sobre olhar para trás e perceber o que se perdeu. Sobre como a paixão — mesmo a mais improvável — pode ser uma faísca para algo maior: autoconhecimento, reconciliação, ou simplesmente beleza¨.

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