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CRÍTICA: INVENCÍVEL

CRÍTICA BY RAPHAEL RITCHIE ¨Baseado em uma história real, Invencível acompanha Austin, um menino com autismo e uma condição rara que fragiliza seus ossos. A proposta inicial é comovente — o filme começa bem, com uma atmosfera sensível, tocando na ideia de superação e afeto familiar.




Mas, ao longo da narrativa, o tom vai se perdendo, e o que poderia ser uma obra potente sobre inclusão e empatia acaba se tornando algo bem mais raso e problemático.

Austin, apesar de estar no centro dos eventos, não é tratado como protagonista. Sua presença funciona mais como um gatilho emocional para a transformação dos adultos ao redor do que como um personagem com agência própria. A atuação da criança reforça estereótipos já cansados sobre o autismo, com trejeitos exagerados e pouco naturalismo — uma tentativa de representar que soa mais performática do que verdadeira.

A escolha de não aprofundar o olhar sobre o garoto fica ainda mais evidente quando o roteiro decide dividir sua atenção entre os conflitos do pai, da mãe, da família como um todo. O problema não é mostrar múltiplas perspectivas, mas fazer isso sem se aprofundar em nenhuma. O resultado é uma narrativa genérica, que tenta abraçar todos os dilemas familiares possíveis e não desenvolve nenhum com real profundidade.

Outro ponto que chama atenção é o subtexto ideológico. Invencível se estrutura como um drama familiar, mas carrega nas entrelinhas uma forte carga religiosa. A fé, o “propósito divino” e os discursos edificantes aparecem de forma tão frequente e ensaiada que o filme se aproxima mais de uma propaganda cristã emocional do que de uma reflexão sensível sobre deficiência e família.

Ao final, Invencível tenta ser inspirador — mas o faz à custa de uma representação frágil, de personagens que não evoluem de verdade, e de uma narrativa que prefere a emoção fácil ao invés do mergulho sincero. É um filme que começa com sensibilidade, mas derrapa ao não saber como lidar com a complexidade que propôs mostrar¨


O longa é dirigido e escrito por Jon Gunn (“Você Acredita?”).

O elenco conta ainda com Meghann Fahy ("White Lotus") e Peter Facinelli (franquia "Crepúsculo"). A distribuição nacional é da Paris Filmes e a produção é da Lionsgate e Kingdom Story Company.

 

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