Crítica by Raphael Ritchie : ¨June e John é um filme que, logo de cara, mostra que não quer se parecer com nada muito grande — e tudo bem.
A filmagem simples e direta, feita com equipamentos que parecem de baixo custo, cria uma estética própria: meio crua, meio caseira, mas que combina com o tom da história.
De início, o filme faz um bom trabalho em construir a tensão que cerca John.
A gente entende o que tá rolando na cabeça dele, as angústias que o arrastam pelos trilhos do metrô até encontrar June.
É um começo que promete: discute identidade, realidade versus ilusão, transformação pessoal e até cutuca os valores burgueses pós-industriais de um jeito curioso.
Mas, conforme a história avança é como se as engrenagens começassem a emperrar.
Enquanto o filme vai pintando um quadro mais intenso de John, June surge como um ponto de interrogação.
A gente nunca entende muito bem o que levou ela até ali. E o mais curioso: June é tão good vibes que chega a incomodar.
A inconsequência dela beira o fora da realidade, e o roteiro começa a ficar expositivo demais, meio conveniente.
John, por outro lado, vai sumindo. O cara que tinha todo um mundo psicológico construído vira alguém deslumbrado, como se a simples presença de June fosse suficiente pra engolir toda a personalidade dele.
Fica parecendo que são duas pessoas com problemas psicológicos em extremos opostos — e, se fossem pra terapia, não tinha filme.
Tem uns diálogos bregas sobre o amor que soam meio deslocados, mas até fazem sentido: afinal, o filme foi lançado no Dia dos Namorados.
E, apesar dos tropeços no roteiro, a trilha sonora é um ponto alto: cria tensão quando precisa e suaviza as coisas na hora certa, ajudando a segurar a atenção.
Só mais para o final o filme resolve contar a motivação de June — e até melhora um pouco.
Dá pra ter um pingo de empatia e entender o que ela carrega, mas não o bastante pra você se reconectar de verdade com a personagem.
A sensação é que o filme tenta equilibrar tudo no final, mas o laço que poderia existir já se quebrou no meio do caminho
June e John tem suas qualidades e até toca em temas interessantes. Mas fica a sensação de que, com um pouquinho mais de cuidado, poderia ter sido mais do que só um filme de Dia dos Namorados com falas bonitas e trilha boa.
JUNE E JOHN conta com distribuição da @diamondfilmsbr
12 de junho nos cinemas
@sinny.comunicacao #juneejohn






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