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CRÍTICA: ANÔNIMO 2

 Anônimo 2 sabe exatamente o tipo de filme que quer ser, e é justamente por isso que funciona tão bem.

A continuação acompanha Hutch, interpretado novamente por Bob Odenkirk, agora tentando se reconectar com a esposa e os filhos depois da destruição emocional e física do primeiro filme.



Ele organiza uma viagem em família para um parque aquático nostálgico, como se pudesse restaurar, entre toboáguas e lembranças de infância, aquilo que o tempo e a violência romperam. Mas o que parecia um passeio inofensivo acaba virando uma nova espiral de caos quando uma briga aparentemente trivial desperta o interesse da chefe do crime Lendina, vivida com gosto e exagero por Sharon Stone.


A presença dela adiciona uma camada de humor ácido e uma energia flambada que combina perfeitamente com a proposta do filme. Ela entende o absurdo da história e se diverte com isso, ampliando o tom satírico da trama sem transformar tudo em piada. A mistura entre glamour e brutalidade dá à vilã um carisma próprio e ajuda a expandir o universo de Anônimo, que agora mergulha de vez em seu lado mais inventivo, violento e absurdo.

O que surpreende é como o filme consegue equilibrar as cenas de ação estilizadas com momentos de comédia sincera, sem nunca parecer descompromissado ou caricato demais. As lutas continuam criativas, filmadas com precisão quase coreográfica, em que tudo ao redor se torna uma extensão da violência, mas sempre há uma piscadinha de ironia no meio do caos, como se o filme soubesse que o espectador está ali tanto pelo espetáculo quanto pela esperteza por trás dele.

O parque aquático não é só cenário: ele carrega um peso simbólico. Hutch escolhe um lugar ligado à infância como palco para tentar consertar sua própria história, como se buscasse um território seguro para voltar a ser pai, marido, homem comum. Mas aquele refúgio colorido logo se torna um campo de batalha, e essa tensão entre o desejo de paz e a inevitabilidade da violência sustenta boa parte da força dramática do filme.

A trilha sonora acerta em cheio no tom, misturando clássicos e surpresas com uma liberdade que revela personalidade. Em meio ao caos, surge Karol Conka com MC Carol, e a música brasileira entra rasgando numa sequência de ação que poderia estar em qualquer blockbuster americano. É um momento inesperado e ousado, que dá identidade ao filme e mostra que ele não está preso a fórmulas previsíveis.

O roteiro também contribui muito. Ele consegue amarrar pontas do primeiro filme de forma orgânica, sem precisar explicar demais. Quem viu o original vai se deliciar com as referências e evoluções, mas o longa não perde tempo revisitando tudo o que já aconteceu. Ele parte do princípio que o público está pronto para seguir adiante, e isso dá agilidade à narrativa.

Anônimo 2 entende que repetir o sucesso não é só repetir a fórmula. A graça está em avançar com consequência, em manter a essência, mas colocar novas camadas por cima. O filme entrega mais do que porrada e explosão — ele tem estilo, ritmo, propósito, e consegue ser inventivo mesmo dentro de um gênero saturado. O resultado é uma sequência que diverte, provoca sorrisos cúmplices e ainda encontra espaço para surpresas no meio do caos.

Com estreia marcada para 21 de agosto nos cinemas brasileiros, o longa é da 87North, Eighty Two Films, Odenkirk Provissiero Entertainment, com produção de Kelly McCormick, David Leitch, Marc Provissiero, Braden Aftergood e Bob Odenkirk e produção executiva de David Hyman.

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