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CRÍTICA: C.I.C. - CENTRAL DE INTELIGÊNCIA CEARENSE

 C.I.C. – Central de Inteligência Cearense leva o humor característico de Halder Gomes para dentro de uma trama de espionagem, misturando sotaque cearense, expressões locais e referências culturais com a estrutura clássica de uma comédia de ação. 



Esse choque de universos traz frescor à narrativa, ainda que, em alguns momentos, o exagero pese mais do que deveria.

Edmilson Filho entrega um Agente Karkará que carrega a energia de outros papéis que já interpretou, mas aqui com a camada adicional de um personagem tentando ser um agente secreto sério. A proposta é boa, mas a execução oscila entre o carismático e o forçado.




O trio formado por Brasil, Paraguai e Argentina funciona bem, com química convincente e um bom entrosamento, especialmente nas cenas em que os brasileiros se arriscam no espanhol — e se saem surpreendentemente bem. A produção também chama atenção pelo valor visual, ainda mais considerando que foi filmada em apenas 30 diárias.

O filme aposta num humor que flerta com o infantil, com piadas que vão do ingênuo ao escrachado, o que certamente diverte um público específico, mas pode afastar quem busca algo mais sofisticado. 



Dentro desse tom, até os vilões abraçam o exagero: soam caricatos, mas cumprem bem o papel de manter a ameaça viva na trama. Essa escolha reforça o clima de brincadeira constante, em que a ação e a comédia coexistem sem nunca se levar tão a sério.

No fundo, é uma tentativa de criar um herói brasileiro que possa virar franquia, bebendo de referências de grandes filmes de ação e espionagem, mas sem abrir mão do DNA cearense. 

Um projeto que diverte, mas que também enfrenta o desafio de fazer esse humor funcionar para além das fronteiras do Ceará¨.



O longa-metragem é uma produção da Paris Entretenimento, em coprodução com a Globo FilmesGloboplay e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), com distribuição da Paris Filmes.

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