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CRÍTICA: SE NÃO FOSSE VOCÊ

Crítica by Raphael Ritchie: ¨“Se Não Fosse Você” parte de um livro que fez sucesso por saber lidar com a dor de forma íntima, quase confessional, explorando o tipo de relação familiar em que o amor e o ressentimento se confundem.




A adaptação tenta seguir esse caminho, mas o que no papel era sutileza, na tela às vezes vira ruído. O filme quer ser um drama sobre culpa, perdão e reconciliação, mas se perde entre o melodrama e o romance juvenil, sem saber muito bem qual história quer contar.

A narrativa acompanha Morgan e sua filha Clara, duas mulheres que vivem presas a um luto mal resolvido. Desde a morte de Chris, marido de uma e pai da outra, tudo virou um território de silêncio e mágoas acumuladas.

O passado volta à superfície quando segredos começam a se revelar, e o retorno de Jonah reabre feridas que nunca cicatrizaram por completo. Há algo de quase sufocante nesse universo doméstico, como se cada conversa fosse uma tentativa de sobrevivência.



E, em meio a tantas confissões, mentiras e lembranças distorcidas, o filme se esforça para manter alguma coerência emocional, mas nem sempre consegue.

Allison Williams e McKenna Grace dão conta do eixo central com competência. As duas sustentam o drama quando o roteiro vacila, e vacila bastante. Há buracos de lógica, decisões de personagem que não se sustentam nem pela emoção nem pela razão, e cenas que parecem existir apenas para lembrar o público de que existe um mistério a ser desvendado.

Ainda assim, há algo de genuíno nas atuações, especialmente nas discussões entre mãe e filha, quando o filme abandona a pose e abraça o caos das relações imperfeitas. São nesses momentos que a história respira e parece finalmente acreditar no que está contando.

Visualmente, o filme é bonito, com fotografia fria e uma ambientação que reforça o isolamento emocional das personagens. E a localização brasileira chama atenção, com traduções cuidadosas dos textos na tela que mantêm a fluidez da narrativa, algo raro em produções do tipo.




Pena que o mesmo cuidado não se estenda ao roteiro, que tenta equilibrar drama familiar e romance adolescente sem encontrar o tom certo. As revelações se acumulam, mas o impacto emocional diminui a cada nova tentativa de surpresa.

Entre as falhas e os acertos, o que resta é a sensação de acompanhar pessoas que não sabem lidar com o que sentem. Cada personagem parece carregar um trauma, uma negação, uma raiva guardada demais, e todos, sem exceção, se beneficiariam de um pouco de terapia.

Mesmo assim, há momentos em que o silêncio pesa, o olhar entrega mais do que o texto permite e a dor parece real. E talvez seja aí, nesse espaço entre a verdade e o exagero, que o filme encontra alguma beleza — não pela perfeição da história, mas pela tentativa de entender o que ainda resta depois que o amor deixa de bastar¨.

Se Não Fosse Você - 23 de outubro nos cinemas
@paramountbrasil
#SeNãoFosseVocê



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