“Sirāt” é um filme que parece pulsar junto com o som que o move. No início, quase sem palavras, ele nos joga em uma travessia árida pelo deserto marroquino, onde um pai e um filho buscam por Mar, filha e irmã desaparecida após uma rave.
A jornada tem algo de ritual, como se cada passo fosse uma batida que ressoa no corpo, no tempo e na memória.
O filme aproveita essa ausência de fala para criar uma atmosfera hipnótica que mistura o calor da areia com a frieza de uma perda que nunca se explica completamente.
Visualmente, é deslumbrante. O deserto funciona como palco e personagem, uma imensidão que engole e revela, onde cada traço humano parece pequeno demais. As cenas de rave surgem como explosões de cor, som e movimento, quase como se o filme alternasse entre transe e contemplação.
A batida grave reverbera não apenas nos corpos que dançam, mas também na narrativa, marcando o ritmo interno dos personagens, os impulsos, as pausas e os colapsos. Há momentos em que dá vontade de estar ali, no meio daquilo tudo, perdido e livre ao mesmo tempo, embalado por uma música que não termina nunca.
A dinâmica entre o garoto e o cachorro traz um respiro de ternura. Em meio à desorientação dos adultos, eles representam algo puro, um vínculo que resiste mesmo quando tudo o resto parece se dissolver. São fragmentos de humanidade dentro de um cenário que insiste em testar seus limites físicos e emocionais.
Mas o filme também se perde em sua própria deriva. A estética e o ritmo, que inicialmente parecem aliados, começam a se chocar. Há trechos que se arrastam, que parecem presos em uma repetição de imagens belas, mas vazias.
O desfecho é aberto, talvez demais, como se o sentido da jornada se dissolvesse junto com a areia. O espectador precisa preencher sozinho os vazios da narrativa, o que para alguns é força, para outros, frustração.
Ainda assim, “Sirāt” desperta emoções intensas, mesmo quando não sabemos ao certo por quê. É um filme que mais se sente do que se entende, que prefere o impacto sensorial à explicação. Há algo de inquietante em sua mistura de espiritualidade, psicodelia e perda.
E, quando a música cessa e o deserto volta ao silêncio, o que fica é uma espécie de eco, o som grave de uma busca que talvez nunca se resolva, mas que continua reverberando dentro de quem assiste¨.
Seguindo uma trajetória de sucesso, depois de ser escolhido para abrir a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, vencer o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e ser anunciado como o representante da Espanha na disputa por uma vaga no Oscar em 2026, “Sirât” tem sua data de estreia confirmada nos cinemas brasileiros: 15 de janeiro de 2026.
Distribuído no país pela Retrato Filmes, dirigido por Oliver Laxe e produzido pela El Deseo, dos irmãos Pedro e Agustín Almodóvar, o filme também acaba de ganhar seu cartaz oficial para o Brasil.
“Sirât” tem emocionado o público e a crítica com sua abordagem intensa e visualmente hipnótica. Segundo a Variety, o diretor espanhol “evoca uma visão brilhantemente bizarra e cult da psicologia humana.” “Sirât” também teve destaque no The Hollywood Reporter, que descreveu a produção como “energizante — um projeto determinado a nos despertar".
No Brasil, o Omelete caracteriza o filme como “surreal, agoniante e inesquecível”, e com uma “uma trilha sonora digna de épicos de ficção-científica”.
A produção acompanha um pai e um filho que chegam a uma rave nas montanhas do Marrocos. Ambos estão em busca de Mar — filha e irmã —, que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis.
Cercados por música eletrônica e por uma sensação crua e desconhecida de liberdade, eles saem distribuindo a foto da jovem. A esperança vai se apagando, mas os dois persistem e seguem um grupo de frequentadores rumo a uma última festa no deserto.
À medida que avançam por um cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar os próprios limites.




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