Post Page Ads

Post Page Top Ads

CRÍTICA: LURKER

 Crítica by Raphael Ritchie : ¨Lurker acompanha a ascensão silenciosa de Matthew, um atendente comum que aos poucos se infiltra no universo íntimo de Oliver, uma estrela musical em ascensão.





O que começa como um contato tímido vai se tornando um elo de dependência e manipulação. O roteiro constrói bem essa progressão.

Matthew nunca é explícito demais em suas intenções, mas o jeito como ele se insinua, se adapta, se molda às necessidades emocionais de Oliver revela uma estratégia quase invisível.

Archie Madekwe traz a complexidade necessária para fazer de Oliver um personagem magnético. Ele oscila entre o brilho do palco e uma vulnerabilidade real, sem nunca soar incoerente.

É fácil entender por que alguém como Matthew se sentiria tão atraído por essa figura. Mas também fica claro que essa admiração vem misturada com desejo de controle.

A relação que os dois constroem é ambígua, tensa, quase como um espelho quebrado refletindo os dois lados da fama e do afeto.

A estética em 16mm dá uma textura nostálgica que contrasta com o conteúdo digital da história.

É um filme sobre a fama contemporânea, sobre viralidade, sobre imagens que circulam rápido demais. E ao mesmo tempo ele opta por uma linguagem visual quase artesanal.

Essa escolha fortalece o tom íntimo, imperfeito e frágil da narrativa. Parece que estamos vendo algo que não deveríamos ver.

Outro acerto está no uso da música. As canções que Oliver canta dentro do filme são boas de verdade e não funcionam apenas como trilha sonora, mas como peças narrativas que ajudam a entender o que ele está sentindo.

Quando ele canta, revela mais do que quando fala. E isso ajuda a manter o filme nesse lugar entre o que é dito e o que é apenas insinuado.

A trama também sabe dosar o quanto revela. Nada é didático, mas tudo é compreensível.

A gente entende as jogadas de poder, os afetos ambíguos e o quanto essa relação vai ficando insustentável.

É um jogo de atração, controle, dependência e descarte que a indústria musical repete à exaustão.

O filme sugere que não importa o lado em que você está. Se você tem algo que o outro deseja, isso será usado até não restar mais nada¨.


Postar um comentário

0 Comentários