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CRÍTICA: ¨HAMNET - A VIDA ANTES DE HAMLET¨.

 Crítica by Raphael Ritchie: ¨Tem filmes que apertam. Não com força, mas com insistência. Começam devagar, observando os cantos da casa, o jeito que alguém corta o pão, a ausência de um som que antes estava sempre ali.



Hamnet faz isso. Te prende pelo pulso com carinho, mas não solta nem quando você já entendeu que vai doer. E dói. Não com espetáculo, mas com acúmulo. Porque Chloé Zhao não aponta o dedo pra nada. Ela só deixa a câmera ligada tempo suficiente pra tudo apodrecer em silêncio.


A história vai escurecendo por dentro. O amor esfarela aos poucos, o corpo fica pesado, a casa fica pequena, e o que era rotina vira campo minado. Jessie Buckley e Paul Mescal não precisam de grandes cenas pra mostrar isso. Eles seguram nos olhos tudo o que os personagens não têm coragem de dizer.




Quando Shakespeare finalmente aparece como Shakespeare, com aquelas frases que parecem ter sido escritas pra não caber em ninguém, o filme não quebra. Ao contrário. Ele mergulha. Porque às vezes só o exagero dá conta do que rasga.

E aí vem a virada. Um gesto, uma decisão, uma escolha que muda tudo. Não é reviravolta de roteiro. É catarse emocional. Daquelas que limpam o peito com vinagre. Porque de repente alguma coisa se move, e mesmo sem consertar nada, um outro tipo de ordem se instala. Não como antes, mas como dá.

O barro, o frio, a roupa suada, a sujeira. Tudo é tão palpável que parece que você sente o peso daquela vida no próprio ombro. E é nesse cenário desconfortável, sem filtro e sem beleza óbvia, que o filme encontra o que realmente importa.




O que sobrevive quando o amor se parte. O que fica depois que a ausência vira moradora. O que a gente faz quando continuar é a única coisa possível¨.

Inspirado no premiado livro de Maggie O’Farrell, o filme foi o grande vencedor do Festival Internacional de Cinema de Toronto, pela escolha do público, e é um dos favoritos na corrida de premiações após suas exibições internacionais.

Além disso, foi o filme de encerramento do Festival do Rio de 2025, no Rio de Janeiro.




Com produção dos vencedores do Oscar Steven Spielberg e Sam Mendes, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (Hamnet) tem roteiro de Maggie O’Farrell e Chloé Zhao, também responsável pela direção.

O longa traz no elenco Paul Mescal, de “Gladiador II”, e Jessie Buckley, de “Entre Mulheres”, em atuações aclamadas pela crítica internacional.

A trama acompanha Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), enquanto enfrenta a dor da perda de seu filho, Hamnet. Emocionante e profundamente humano, o filme explora a força do luto e a capacidade de ressignificação, ao mesmo tempo em que revela o pano de fundo para a criação de “Hamlet”, a obra mais famosa do dramaturgo inglês.

Com distribuição da Universal Pictures, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” chega aos cinemas em 15 de janeiro de 2026, também em versões acessíveis.



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