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COLETIVA DE IMPRENSA: O QUARTO DO PÂNICO

A coletiva de imprensa de “O Quarto do Pânico”, adaptação brasileira do suspense “Panic Room” (2002), marcou a apresentação oficial do projeto que leva para o cinema nacional uma releitura do clássico dirigido por David Fincher.





O longa tem direção de Gabriela Amaral Almeida (“O Animal Cordial”, “A Sombra do Pai”) e estreia no dia 13 de fevereiro, no catálogo do Telecine.

Na trama, uma mãe e sua filha se veem obrigadas a se refugiar em um quarto secreto da casa após a invasão de criminosos em busca de algo que está justamente escondido ali. Embora parta da mesma premissa do original, o filme propõe uma abordagem própria, atravessada por questões de gênero, maternidade, violência urbana e desigualdade social no Brasil.

Durante a coletiva, Gabriela Amaral Almeida destacou que o projeto nasce mais como adaptação do que como remake. “Eu gosto do desafio de me aproximar de um filme canônico e tentar extrair dele a seiva, o osso da história.

O que faz essa narrativa funcionar para além do orçamento inflado e dos efeitos do cinema norte americano?”, afirmou a diretora.




Para ela, o longa de Fincher é “talvez o filme mais feminino” do cineasta, justamente por tematizar o embate entre forças masculinas e femininas e a maternidade em situações extremas.

Protagonista do filme, Isis Valverde falou sobre o impacto emocional da personagem, uma mãe comum colocada diante do limite da proteção. “A maternidade ali vem no lugar da sobrevivência. A casa é esse feminino invadido, e o quarto funciona quase como um útero, onde essa mulher renasce”, disse a atriz.

Segundo Isis, o processo foi intenso. “Foi um filme que foi me descamando. Eu dormia com um vaso na frente da porta. Entrei nessa maternidade extrema, nesse lugar em que você percebe que o limite do cuidar existe”.




O elenco dos invasores, Caco Ciocler, Marco Pigossi e André Ramiro, também ressaltou o trabalho coletivo como eixo central do filme. Ciocler destacou a importância da sala de ensaio. “Foi ali que a gente pôde errar, sofrer no bom sentido, e entender quem eram esses personagens. A indefinição virou uma ferramenta dramática”.

Pigossi definiu o trio como “um cachorro de três cabeças”, em constante tensão interna, enquanto Ramiro ressaltou a construção do seu personagem como “o coração da história”, um homem movido pela necessidade de salvar a filha, e não pela violência em si.

Responsável pela adaptação do roteiro, Fábio Mendes explicou que a ideia era criar um thriller mais emocional e próximo da realidade brasileira. “A violência urbana só cresceu e isolou ainda mais as pessoas. Queríamos um filme tenso, mas também quente, com afeto. Um thriller tropical”, afirmou.




Ele também destacou a importância do olhar feminino na condução da narrativa. “Ter a visão da Gabriela foi essencial para dar outra camada à história”.

Entre as principais mudanças em relação ao original, está a presença de elementos mais simbólicos e até fantasmagóricos, ligados ao luto da protagonista. Para Mendes, isso dialoga diretamente com a cultura brasileira. “Mesmo quem não acredita, acha que existe. O sobrenatural aqui aparece como afeto, como presença”.

Gabriela Amaral Almeida reforçou que a violência no filme não é espetacularizada. “O que nos interessava era entender a natureza da violência no nosso contexto, a violência urbana, de classe, de gênero. A casa invadida é também um corpo feminino violado”, afirmou.

Para a diretora, a luta de classes é um dos elementos mais contemporâneos do longa, presente tanto no confronto entre os criminosos quanto na relação deles com a protagonista.



Produzido pela Floresta, empresa da Sony Pictures Television no Brasil, e licenciado pelo Telecine, “O Quarto do Pânico” chega como uma rara inversão de fluxo. Um suspense hollywoodiano reinterpretado a partir da perspectiva e das urgências do cinema brasileiro.

Como resumiu a própria diretora, “a partir do momento que eu topo fazer esse filme, ele vira um filme meu, da minha sensibilidade, do meu universo. E isso só é possível no cinema feito a muitas mãos”.




SINOPSE

Com uma narrativa claustrofóbica e tensa, que vai deixar o espectador em suspense até o fim, o filme conta a história de uma mulher (Isis) e sua filha pré-adolescente (Marianna), que se mudam para uma casa com um quarto do pânico, um espaço secreto onde os moradores podem se esconder em caso de perigo. Quando supostos ladrões invadem a casa, mãe e filha se refugiam no quarto, até descobrirem que é justamente lá que está escondido o que o trio de invasores deseja.



FICHA TÉCNICA

Direção: Gabriela Amaral Almeida

Roteiro: David Koepp, Fábio Mendes

Empresa Produtora: Floresta

Produção: Adriana "Dida" Silva

Fotografia: Fabrício Tadeu

Montagem: Joana Collier, EDT

Direção de Arte: Valdy Lopes, Carolina Montoia

Figurino: Diogo Costa

Edição de Som: Daniel Turini, João Victor Coura

Música: Rafael Cavalcanti

Elenco: André Ramiro, Caco Ciocler, Clarissa Kiste, Dudu de Oliveira, Isis Valverde, Leopoldo Pacheco, Marco Pigossi, Marianna Santos





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