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CRÍTICA: O SOM DA MORTE

 O Som da Morte é um filme direto, barulhento e pouco interessado em sutilezas. Corin Hardy aposta no terror físico, na imagem agressiva e numa atmosfera constantemente pesada para conduzir a experiência.



Não há esforço em reinventar o gênero, apenas em executar suas engrenagens com segurança e impacto.

O apito amaldiçoado que estrutura a narrativa é um dispositivo simples e cruel, típico do horror clássico. Seu uso ativa uma lógica imediata de punição, instaurando uma sensação contínua de fatalidade anunciada.

A morte não se apresenta como possibilidade, mas como regra, aproximando o filme da dinâmica de Premonição, em que o suspense nasce menos da dúvida e mais da antecipação do próximo evento.




Essa mecânica encontra respaldo na direção de Hardy, que filma o medo com precisão técnica e pouca contenção. Os sustos são bem calculados, o grotesco surge sem pudor e o horror se manifesta no corpo, na imagem e no impacto sensorial.

Para sustentar esse ritmo, os personagens acabam reduzidos a funções narrativas. É um terror de High School assumido, com arquétipos reconhecíveis e conflitos rasos, onde o efeito importa mais do que a complexidade.

Há uma tentativa de comentário sobre curiosidade, irresponsabilidade e consequências, mas esse subtexto permanece superficial, quase protocolar.

Ele existe como ideia sugerida, não como reflexão desenvolvida, rapidamente engolido pela necessidade de manter a tensão e o choque.




Dentro dessas escolhas, O Som da Morte se mantém coerente. É um filme que entende suas próprias limitações e opera confortavelmente dentro de fórmulas conhecidas, entregando um horror direto, agressivo e eficaz para quem busca impacto imediato, ainda que deixe pouco espaço para leituras mais profundas.

A produção, que foi exibida na seleção oficial do Fantastic Fest, em 2025, é de Wild Atlantic Pictures (A Morte do Demônio: A Ascenção) com a Black Bear (O Macaco; Longlegs).

O filme também conta com nomes como Sky Yang (Rebel Moon), Percy Hynes White (Wandinha) e Nick Frost (Como Treinar Seu Dragão) no elenco.

O roteiro é de Owen Egerton (Festival Sangrento).



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