Crítica by Raphael Ritchie: ¨Em meio a ruas estreitas, prédios opacos e decisões tomadas no impulso, Caminhos do Crime constrói um retrato urbano onde ninguém parece estar exatamente onde queria estar.
O filme se move como a própria cidade que retrata, cheio de cruzamentos, atalhos e colisões inevitáveis, sempre sugerindo que cada passo tem um preço.
A estrutura entrelaçada conduz múltiplos personagens por trajetórias que parecem independentes, mas caminham para o mesmo ponto de choque. O roteiro costura essas histórias com cuidado, revelando que o crime aqui não nasce de maldade isolada, e sim de ambição, desigualdade e fragilidade.
Há ecos claros de GTA na atmosfera, nas perseguições, na circulação constante pela cidade, na sensação de que o ambiente dita as regras, mas o longa prefere observar o impacto dessas escolhas do que transformá las em espetáculo.
A direção privilegia a construção de suspense pela atmosfera. A tensão cresce nos silêncios, nos olhares contidos, na espera que antecede cada decisão equivocada.
Em alguns momentos, o ritmo desacelera além do necessário e certas viradas perdem parte da força, sobretudo quando o roteiro recorre a convenções já conhecidas do gênero policial.
Ainda assim, o visual sóbrio e a encenação contida reforçam a proposta de um drama criminal que busca coerência antes de impacto fácil.
As atuações sustentam a ambiguidade moral com segurança. Não há heróis absolutos nem vilões caricatos, há pessoas pressionadas por circunstâncias que apertam e seduzem ao mesmo tempo.
Essa recusa em simplificar os personagens dá densidade ao conjunto e impede que a narrativa se torne previsível, mesmo quando flerta com fórmulas familiares.
O filme direciona o olhar para o percurso que antecede o crime, para o acúmulo de escolhas pequenas que ganham peso irreversível.
Ao tratar essas histórias com sobriedade e atenção às nuances, constrói um drama consistente, de atmosfera densa e amarga, que permanece na memória não pelas explosões ou perseguições, mas pela sensação incômoda de que, naquele cenário, errar é quase parte do caminho¨.
Com direção de Bart Layton (“American Animals"), o longa acompanha um ladrão enigmático, interpretado por Chris, que realiza assaltos de alto risco pela famosa rodovia 101, mas prepara seu o último golpe antes de se aposentar do crime.
Ao cruzar caminho com uma corretora de seguros desiludida, interpretada por Halle Berry, os dois se unem em uma aliança forçada. A tensão cresce com a chegada do
detetive vivido por Mark Ruffalo, que busca desvendar o esquema criminoso que se desenrola.
Baseado no conto "Crime 101", do livro "A Queda", de Don Winslow, o filme ainda conta com um elenco de peso que inclui Barry Keoghan (“Saltburn”), Monica Barbaro (“Top Gun: Maverick”), Corey Hawkins (“Infiltrado na Klan”), Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”)
e Nick Nolte (“Cabo do Medo”).
FICHA TÉCNICA
Direção: Bart Layton
Elenco: Chris Hemsworth, Halle Berry Mark Ruffalo, Barry Keoghan, Monica Barbaro, Corey Hawkins, Jennifer Jason Leigh e Nick Nolte







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