Crítica by Raphael Ritchie: ¨O Morro dos Ventos Uivantes já começa preso a uma engrenagem conhecida: a mulher que ama o homem pobre, instável e feroz, mas escolhe o casamento com o homem rico, correto e socialmente aceitável, garantindo conforto em troca de uma infelicidade bem arrumada.
A narrativa não tenta fingir que essa estrutura é nova, nem quer subvertê-la. Ela aceita o clichê como destino e constrói sua tragédia emocional exatamente a partir dessa inevitabilidade.
Por ser uma adaptação de um romance canônico, antigo e amplamente revisitado, o roteiro entende que não há muito espaço para surpresa. O interesse não está no que vai acontecer, mas em como esse amor se prolonga mesmo quando já deveria ter acabado.
Existe, sim, um romantismo ali, feito de promessas absolutas, de amor eterno, de ideias grandiosas sobre sentir até o fim da vida, mas ele surge sempre contaminado por ressentimento, orgulho e pela incapacidade crônica de soltar o outro.
A tensão sexual se instala desde a infância dos personagens, antes de qualquer ato, quando ainda é apenas desejo acumulado, intensificado pelo crescimento conjunto sob o mesmo teto, pelos corredores estreitos, pelos quartos divididos por paredes finas demais. Essa tensão nunca se dissolve.
Ela reaparece nos olhares longos, nos silêncios carregados, na proximidade física que parece sempre um erro prestes a acontecer, como se o filme inteiro fosse construído à beira de um toque que desorganiza tudo.
A sexualidade deixa de ser subtexto e se torna eixo central. A adaptação escolhe tornar visível e concreto aquilo que no romance era mais psicológico, usando enquadramentos simbólicos, contato físico e erotização explícita do desejo.
Em alguns momentos, essa escolha ultrapassa o limite da sugestão e se aproxima de um soft porn deliberado, fazendo a obra flertar com algo como um 50 tons de cinza vitoriano, menos interessado em fantasia e mais em expor como desejo, culpa e poder se misturam até virar desgaste emocional.
Essa lógica atravessa também outras relações da narrativa, marcadas por erotismo violento, dominação e sadismo, onde prazer e submissão se confundem. Aos poucos, o que se desenha é um ambiente onde ninguém ama sem ferir, ninguém deseja sem controlar, e onde permanecer parece mais importante do que estar bem. A câmera observa tudo isso sem pressa, quase sem julgamento, deixando que o cansaço emocional se acumule como um peso difícil de ignorar.
O resultado é uma obra tecnicamente sólida, com atuações convincentes, figurinos bem trabalhados e uma reconstituição de época que reforça a sensação de aprisionamento e aspereza.
O Morro dos Ventos Uivantes permanece preso a um tipo de amor que insiste em se dizer eterno mesmo quando já virou ruína, sustentado mais pela ideia de intensidade do que por qualquer possibilidade real de cuidado¨
Da Warner Bros. Pictures e da cineasta vencedora do Oscar e do BAFTA, Emerald Fennell, chega “O Morro dos Ventos Uivantes”, estrelado pela indicada ao Oscar e ao BAFTA Margot Robbie, ao lado do indicado ao BAFTA Jacob Elordi.
O filme também conta com a indicada ao Oscar Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, o vencedor do BAFTA Martin Clunes e Ewan Mitchell.
Fennell dirige a partir de seu próprio roteiro. Os produtores são o indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA Josey McNamara, Fennell e Robbie. Sara Desmond e o indicado ao Oscar Tom Ackerley assinam a produção executiva.
Warner Bros. Pictures e MRC apresentam uma produção da Lie Still & LuckyChap Entertainment, um filme de Emerald Fennell, “O Morro dos Ventos Uivantes”. Distribuído pela Warner Bros. Pictures, o filme chega aos cinemas em todo o país em 12 de fevereiro de 2026.



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