Crítica by Raphael Ritchie: ¨Para Orwell, o "2 + 2 = 5" representa o dogma imposto pelo Partido (o Ingsoc). Se o Estado pode controlar não apenas o que você faz, mas como você percebe a realidade física, a rebelião torna-se impossível.
O protagonista, Winston Smith, escreve em seu diário que "liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro". Quando o Partido força o indivíduo a aceitar o cinco, ele quebra a espinha dorsal da lógica humana.
Se 2 + 2 pode ser 5 hoje, o passado pode ser reescrito amanhã.
A verdade deixa de ser um fato externo e passa a ser uma decisão política.
Orwell não inventou essa conta do nada.
A crítica é direcionada a regimes totalitários reais que ele observou:
O Plano Quinquenal Soviético: Na URSS de Stalin, o slogan "2 + 2 = 5" foi usado na propaganda para celebrar a conclusão das metas de cinco anos em apenas quatro. Orwell viu nisso a prova de que a ideologia poderia distorcer a matemática simples.
O Nazismo e o Fascismo: Orwell temia que, se o mundo se dividisse em blocos totalitários, a própria ideia de "verdade absoluta" desapareceria, substituída pelo que o líder diz ser verdade.
O momento mais devastador do livro ocorre no Quarto 101. O torturador O'Brien não quer apenas que Winston diga que 2 + 2 = 5 para parar a dor; ele quer que Winston realmente veja cinco dedos onde há apenas quatro.
"Não basta obedecer: é preciso amar o Grande Irmão."
Isso representa o triunfo do Duplo Pensamento (Doublethink): a capacidade de manter duas crenças contraditórias simultaneamente e aceitar ambas. Quando Winston finalmente aceita o "5", ele deixa de ser um indivíduo e torna-se uma extensão do Estado.
A crítica de Orwell é um alerta sobre a fragilidade da mente humana diante do poder absoluto. Ele demonstra que o autoritarismo não busca apenas o controle do corpo, mas o aniquilamento do discernimento. Se perdemos a capacidade de defender verdades autoevidentes (como a aritmética básica), perdemos a nossa humanidade¨.
Com 7 indicações à 10ª edição do Critics Choice Documentary Awards, incluindo melhor Documentário, melhor Diretor e melhor Edição, saindo vitorioso nas categorias de melhor Narração (Best Narration),– com texto adaptado de George Orwell e voz de Damian Lewis e melhor Trilha Sonora (Best Score) para Alexei Aigui.
Além disso, o documentário foi indicado a documentário do ano pelo 46th London Critics' Circle Film Awards, foi listado por outras organizações e festivais como destaque National Board of Review (NBR), que o reconheceu como um dos Top 5 documentários do ano de 2025.
Distribuído pela NEON nos EUA e indicado a mais 30 prêmios internacionais, o filme elogiado pela crítica recebeu 83% de aprovação do Rotten Tomatoes e vem ganhando destaque nos principais veículos de cinema como a The New York Times: "Abalou-me mais do que qualquer um dos trabalhos anteriores de Raoul Peck porque ele bate tão perto de casa neste momento. Fala diretamente sobre os eventos que dominam as manchetes de hoje".
Com sua estreia mundial acontecendo na seção Cannes Premiere do Festival de Cannes de 2025, onde foi indicado ao prêmio L'Œil d'or, o documentário ORWELL 2+2=5 (Orwell: 2+2=5) chega nesta quinta, dia 12 de fevereiro, exclusivamente nos cinemas brasileiros.





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