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CRÍTICA: VOCÊ SÓ PRECISA MATAR

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Morrer vira rotina. E rotina, aqui, é estratégia. Você Só Precisa Matar entende isso desde o primeiro impacto e não perde tempo explicando demais, simplesmente coloca o personagem no campo de batalha, deixa o erro acontecer e reinicia o dia como quem aperta tentar novamente.



A repetição não cansa porque sempre há deslocamento. Sempre há um detalhe novo, uma decisão ajustada, um reflexo mais rápido. O loop é mecânico, mas a progressão é humana.

A guerra é tratada quase como um tabuleiro brutal, onde cada morte adiciona experiência ao jogador. Visualmente, o filme sustenta esse jogo com combates intensos e uma tecnologia militar que tem peso, textura, presença. O espetáculo funciona. A câmera se move com energia, os confrontos têm impacto e o ritmo é afiado, mantendo tudo em constante avanço.

Mas o que realmente segura o filme é o desgaste acumulado. A cada reinício, o protagonista não carrega só habilidade, carrega memória, frustração, a consciência exata de onde vai falhar se repetir o mesmo movimento. E isso dá dimensão ao conflito. A evolução não é apenas física, é psicológica. Há um cansaço silencioso que se instala, e o filme acerta ao permitir que essa transformação apareça no olhar, na postura, na forma como ele entra em combate já sabendo demais.

O roteiro, em alguns momentos, organiza essa jornada de superação de maneira previsível. É possível enxergar as etapas se formando antes de acontecerem. O conceito de morrer para evoluir sugere uma camada filosófica mais profunda sobre identidade e repetição, mas o longa prefere manter o foco na eficiência narrativa. Escolhe avançar em vez de parar para contemplar. E dentro da proposta de ação sci fi, essa escolha funciona porque mantém o envolvimento constante, mesmo quando poderia ousar mais.

É inevitável comparar com No Limite do Amanhã, estrelado por Tom Cruise. O filme com Cruise é mais inventivo na construção do mundo e mais carismático na condução do arco dramático, é, no conjunto, melhor resolvido. Você Só Precisa Matar é mais direto, menos irônico, mais concentrado na engrenagem do treinamento e da repetição. Pode não alcançar o mesmo frescor, mas encontra força na consistência emocional do protagonista.

E é justamente aí que o filme se sustenta. Não reinventa o gênero, não aprofunda todas as ideias que propõe, mas entende o próprio ritmo e sabe conduzir sua jornada com segurança. Entre mortes sucessivas e tentativas calculadas, constrói um arco claro de transformação e entrega um espetáculo eficiente, que diverte, envolve e ainda deixa ecoar a sensação de que evoluir, às vezes, exige enfrentar o mesmo dia até aprender a atravessá lo de outro jeito¨.

O filme é dirigido por Kenichiro Akimoto. O roteiro é de Yuichiro Kido, baseado no mangá “All You Need Is Kill”, de Hiroshi Sakurazaka, com produção de Studio 4°C. A distribuição nacional é da Paris Filmes.

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