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CRÍTICA: ECLIPSE

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Eclipse reúne ciência, ancestralidade e tecnologia dentro de um mesmo campo dramático, apostando na tensão que surge quando essas forças passam a coexistir sem se acomodar.




A trajetória de Cleo é atravessada por essa fricção constante, já que sua formação racional se vê progressivamente desestabilizada pela chegada de Nalu, cuja presença carrega não apenas um passado compartilhado, mas também uma dimensão simbólica que o filme prefere sugerir em vez de aprofundar.

É nessa relação entre as duas que o longa encontra sua pulsação mais consistente, sobretudo na maneira como memórias fragmentadas invadem o presente e corroem qualquer sensação de controle.




Existe uma instabilidade que se instala de forma silenciosa, alimentada tanto pelo que é revelado quanto pelo que permanece opaco, e isso sustenta uma atmosfera que se apoia mais na acumulação de tensões do que em resoluções claras.

As atuações acompanham esse movimento com precisão, especialmente na construção de uma protagonista que oscila entre contenção e ruptura, sem nunca se fixar completamente em um estado.

Ao mesmo tempo, a inserção da camada investigativa envolvendo o marido e o mergulho na deep web amplia o escopo da narrativa, mas não encontra o mesmo peso dramático, diluindo-se diante das questões mais íntimas que o filme já vinha articulando. Essa dispersão reforça a sensação de um projeto que reúne ideias potentes, embora nem sempre consiga integrá-las de maneira orgânica.



A direção aposta em imagens que transitam entre o concreto e o simbólico, buscando traduzir visualmente esse estado de suspensão que domina a protagonista, ainda que essa proposta permaneça em um nível mais sugerido do que plenamente explorado.

O resultado é um filme que se sustenta por suas camadas e intenções, mas que revela certa dificuldade em fazer com que todas elas respirem dentro de um mesmo ritmo¨.

ECLIPSE, novo longa-metragem de Djin Sganzerla, acaba de revelar seu trailer oficial. O thriller, que teve passagem pela 49ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo, foi selecionado para a 33ª edição do San Diego Latino Film Festival e agora em maio será exibido no 4o İstanbul International Spring Film Festival, na Turquia. A estreia comercial em cinemas será no dia 07 de maio.




Produzido pela Mercúrio Produções, com co-distribuição da Pandora e patrocínio do BNDES e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, o longa é um thriller que reflete sobre a violência contra a mulher, ancestralidade, intuição e resistência.

Na trama, acompanhamos Cleo, uma astrônoma de 43 anos, grávida e emocionalmente fragilizada, surpreendida pela visita de Nalu, sua meia-irmã de origem indígena.

O encontro revela segredos sombrios e desperta memórias fragmentadas em Cleo, levando as duas mulheres a investigações obscuras. Entre ciência e ancestralidade, razão e intuição, surge um elo inesperado que transforma as duas irmãs que embarcam em uma jornada impactante e reveladora sobre a feminilidade e a diversidade.

“Ao tratar da relação entre mulheres e do convívio entre pessoas de diferentes origens, o filme Eclipse reflete questões essenciais para o Brasil de hoje.



O BNDES tem um compromisso permanente com diversidade e se alegra de apoiar produções com narrativas que refletem a pluralidade do Brasil”, comenta Marina Moreira Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.

O filme é estrelado por Djin e tem no elenco Sérgio Guizé, Selma Egrei, Helena Ignez, Luís Melo, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce, Pedro Goifman e Julia Katharine.

O olhar da cineasta Djin articula delicadeza e contundência para expor a cultura patriarcal sem recorrer à espetacularização da dor.

Como define a filósofa Marcia Tiburi, este é “um filme que trabalha com desmistificações do sistema patriarcal de um modo muito sutil: a enganação do amor romântico, a farsa do marido e da família perfeita, a casa apresentada como um território perigoso no qual a maternidade pode ser uma armadilha, um ensaio visual sobre a sororidade, entrelaçando estética e política”, no qual a união entre mulheres surge como força vital para enfrentar estruturas opressoras.

SINOPSE
Grávida, a astrônoma Cleo é surpreendida pela chegada de Nalu, sua meia-irmã de origem indígena. A convivência entre as duas reacende memórias perturbadoras e as conduz a uma jornada humana surpreendente, que as leva a camadas sombrias da deep web.

FICHA TÉCNICA
Direção: Djin Sganzerla
Roteiro: Djin Sganzerla e Vana Medeiros
Produção: Djin Sganzerla
Consultoria de Roteiro: Aleksei Abib
Contribuição no Roteiro: Marcos Arzua
Elenco: Djin Sganzerla, Sergio Guizé, Lian Gaia, Selma Egrei, Helena Ignez, Luís Melo, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce, Pedro Goifman e Julia Katharine
Direção de Fotografia: André Guerreiro Lopes
Direção de Arte e Figurino: João Marcos de Almeida
Montagem: Karen Akerman, edt e Karen Black, edt
Som: George Saldanha, ABC
Trilha Sonora Original: Gregory Slivar
Desenho de Som e Mixagem: Edson Secco
Produção Executiva: Vitor Cunha
Direção de Produção: Roberta Cunha
Direção de Elenco (Casting): Patricia Faria
Pós-Produção: Clandestino
Produção: Mercúrio Produções
Criação de Trailer: Movietrailer
Assessoria de Imprensa: Sinny Assessoria e Comunicação.

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