Crítica by Raphael Ritchie: ¨Um homem atravessa uma passagem subterrânea que parece não levar a lugar algum, onde cada detalhe precisa ser observado com atenção e qualquer desvio, por menor que seja, o empurra de volta ao início.
A ideia se sustenta em uma lógica simples, quase mecânica, mas aos poucos revela um interesse maior em deslocar essa estrutura para um território mais interno, em que o espaço deixa de ser apenas um corredor e passa a carregar um estado emocional difícil de nomear.
Em Exit 8, a repetição não funciona apenas como engrenagem narrativa, ela se infiltra no ritmo e constrói uma sensação contínua de tensão, em que cada passo carrega o peso de uma possível falha, e cada erro reforça a impossibilidade de avanço.
Existe algo particularmente incômodo na forma como essa dinâmica de observação e retorno se organiza, criando um ciclo que remete menos a um jogo e mais a um pensamento que não encontra saída, sempre voltando ao mesmo ponto, sempre revisitando a mesma dúvida.
A vigilância constante se transforma em um gesto exaustivo, e o próprio ato de seguir em frente passa a exigir um nível de controle que parece insustentável, como se qualquer desvio fosse suficiente para desfazer tudo.
Dentro dessa repetição, surge uma camada mais silenciosa que reorganiza o percurso, sugerindo uma transição que o personagem ainda não consegue absorver completamente.
A possibilidade de paternidade atravessa o filme de forma sutil, alterando o significado desse estado de alerta permanente e trazendo uma dimensão mais íntima para esse medo de errar.
O corredor passa a existir também como um espaço de suspensão, onde o passado ainda não foi abandonado e o futuro ainda não se consolidou.
Ainda assim, o filme encontra limites na forma como sustenta essa proposta ao longo do tempo, já que a insistência na repetição nem sempre se traduz em aprofundamento, e a ausência de respostas, embora coerente com a ideia central, por vezes esvazia o impacto emocional que a narrativa parece buscar.
O conceito permanece interessante, mas nem sempre encontra variações suficientes para manter a experiência envolvente.
O resultado é um filme que oscila entre momentos de forte sugestão e trechos em que sua própria estrutura o prende, mantendo o espectador nesse mesmo estado de suspensão que define o personagem, mas sem sempre transformar essa sensação em algo mais contundente¨.
Um homem preso em uma passagem infinita de metrô parte em busca da Saída 8. As regras de sua jornada são simples: não ignore nada fora do comum; se descobrir alguma anomalia, volte imediatamente; caso contrário, continue; em seguida, saia pela Saída 8.
Mas, mesmo um único descuido o enviará de volta ao início. Será que ele alcançará seu objetivo e escapará deste corredor infinito?
Dirigido por Genki Kawamura, que assina o roteiro com Kentaro Hirase, “Exit 8” é produzido por Toho Co., Ltd. Story Inc. Office Nino Co., Ltd. Metro Ad Agency Co., Ltd. Aoi Pro. Inc Lawson, Inc. Suirinsha Ltd. Tohan Corporation. O longa foi exibido no Festival de Cannes, em 2025, no seleção Midnight Screening. A distribuição nacional é da Paris Filmes.




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