By Raphael Ritchie: ¨Nova produção original acompanha especialistas em viagens por diferentes regiões do país para analisar relatos, imagens e testemunhos sobre fenômenos aéreos não identificados
O History estreia no dia 25 de abril, às 19h45, a série documental Esquadrão UFO, produção nacional que acompanha um grupo de pesquisadores e especialistas em investigações sobre fenômenos aéreos não identificados em diferentes regiões do Brasil.
A atração chega à programação do canal com a proposta de unir trabalho de campo, análise técnica e escuta de testemunhas para separar o que pode ser explicado do que permanece em aberto.
Apresentada à imprensa em coletiva realizada antes da estreia, a série foi definida pelo canal como uma extensão natural de um tema que já ocupa lugar central em sua programação. Segundo a equipe, o objetivo é tratar a ufologia com um recorte mais investigativo, apoiado em contexto histórico e científico.
Durante o evento, o influenciador e convidado da apresentação, Bruno, destacou o que considera uma mudança de abordagem em relação ao tema. “O History está sendo pioneiro em falar de maneira investigativa e com um olhar científico para algo que muita gente ainda trata como maluquice”, afirmou. “A ufologia brasileira, que é uma das mais ricas do mundo, está sendo levada a sério com o vigor investigativo que o History tem.”
Ele também ressaltou que a série pode ajudar a tirar o assunto do campo da ridicularização. “Quem pesquisa isso seriamente muitas vezes tem receio de levar a público e ser ridicularizado. A gente precisa do apoio da mídia e dos grandes veículos de comunicação para dar a esse tema a seriedade que ele merece.”
Formado por Rafael Amorim, Marco Petit, Thiago Ticchetti, Fernanda Pires, Toni Inajar Kurowski, Aleksander Lima e o professor Carlos Jung, o grupo percorre cidades dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina em uma temporada de dez episódios. A proposta é investigar desde relatos recentes até casos já conhecidos da ufologia brasileira.
Na coletiva, Rafael Amorim, um dos nomes centrais da série, resumiu o espírito do projeto ao falar sobre sua trajetória pessoal e profissional. “Sou pesquisador de ufologia há mais de 35 anos. Trabalho com publicidade, tenho uma vida normal, mas minha grande paixão é a ufologia. E o escotismo me ajudou muito no trabalho de campo, na investigação e em estar na natureza sempre com o pé no chão”, disse.
Já Toni Inajar Kurowski, perito criminal aposentado, explicou como a experiência técnica entrou no método de investigação mostrado pela série. “Eu utilizo essa expertise das análises periciais nas pesquisas de campo e também nas análises de imagens, fotografias e vídeos que chegam até nós”, afirmou.
A mesma linha foi defendida por Fernanda Pires, que integra o esquadrão. “É um prazer muito grande fazer parte do Esquadrão UFO com grandes pesquisadores qualificados e também do History Channel”, declarou. Ao longo da coletiva, ela reforçou que o fenômeno é complexo e que diferentes hipóteses são consideradas nas apurações. “A hipótese extraterrestre é a mais forte, mas nós trabalhamos com várias possibilidades.”
Para Marco Petit, presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos, a produção chega em um momento sensível do debate internacional sobre o tema. “Vocês vão ver que estamos participando de um momento especial e histórico dentro da ufologia brasileira e também mundial”, afirmou. “Faz parte de um grande contexto de desacobertamento que estamos vivendo, em que até presidentes norte-americanos começaram a falar abertamente dessa questão.”
Petit também afirmou que a série deve apresentar material inédito e novas leituras sobre casos antigos. “Vai ter bastante coisa nova, inclusive sobre casos mais antigos. Há situações que surpreenderam todo mundo durante as filmagens e nas investigações”, disse.
Um dos episódios exibidos para os jornalistas trata de uma onda de relatos de luzes misteriosas observadas no Sul do Brasil por pilotos e tripulações. Segundo os investigadores da série, os depoimentos, vídeos e análises técnicas indicam que parte dos registros não pode ser descartada como simples confusão com satélites ou fenômenos astronômicos.
Ao comentar esse caso, os especialistas insistiram que o diferencial da série é justamente o confronto entre hipóteses. Nem sempre o grupo chega às mesmas conclusões, e essa divergência faz parte do processo narrativo. “Nem sempre o grupo vai ficar de acordo com o que está sendo apresentado”, disse Petit. “Mas isso é empolgante, porque quando alguém levanta uma alternativa, faz o outro refletir sobre algo que talvez não tivesse pensado.”
O diretor, criador e produtor Leo Sassen contou que o projeto começou a ser desenvolvido antes da pandemia e enfrentou dificuldades importantes até chegar à tela. “A gente começou a trabalhar nesse formato antes da pandemia. Selecionamos dezenas de casos e fomos filtrando, porque o grande objetivo era ter alguma evidência para eles avaliarem no final — foto, vídeo, material de análise”, explicou.
Segundo Sassen, as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 alteraram completamente o cronograma de gravações. “A maior parte da equipe é do Rio Grande do Sul e a enchente derrubou completamente a nossa logística. Tivemos de inverter o cronograma e começar por outras regiões”, disse. “Além disso, outra grande dificuldade foi o medo de algumas testemunhas de falar. No episódio dos pilotos, eu consegui contato com vários, mas só alguns aceitaram participar — e ainda assim com receio.”
A questão da credibilidade das imagens também entrou na conversa, especialmente em tempos de inteligência artificial. Para a equipe, o uso de arquivos originais e a leitura de metadados são fundamentais para evitar fraudes. “Hoje existem imagens muito realistas, mas quando recebemos um material para análise, pedimos sempre o arquivo original”, explicou Toni Inajar Kurowski. “Os metadados ajudam a indicar se houve edição ou manipulação.”
Ao longo da apresentação, os participantes reforçaram que a proposta da série não é oferecer respostas fáceis, mas mostrar como a investigação é construída. Em alguns casos, surgem explicações plausíveis; em outros, o mistério permanece. É justamente nessa tensão entre ciência, testemunho e dúvida que Esquadrão UFO aposta para conquistar o público.
Com classificação indicativa de 14 anos, a série estreia com dois episódios no sábado, dia 25, a partir das 19h45. Entre os primeiros casos estão o relato de pilotos que avistaram luzes misteriosas nos céus do Rio Grande do Sul e a investigação sobre agroglifos em plantações de trigo em Ipuaçu, Santa Catarina.
No discurso da equipe e do canal, fica claro que a ambição vai além do entretenimento: a intenção é inserir a ufologia brasileira em um espaço de debate mais amplo, menos caricato e mais atento aos relatos, aos dados e às perguntas que continuam sem resposta¨.



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