Crítica by Raphael Ritchie: ¨Antonio passa os dias sozinho em uma pequena fazenda, preso a uma rotina silenciosa que parece ter reduzido sua vida ao trabalho e ao isolamento.
A chegada inesperada de Marcelo, um motoqueiro ferido após um acidente na estrada, rompe essa estabilidade e dá início a uma relação que transforma a dinâmica dos dois personagens.
É justamente nesse encontro, construído de maneira gradual e inserido em um espaço afastado do mundo, que a narrativa encontra seus momentos mais interessantes.
A primeira metade se beneficia da simplicidade de sua proposta ao concentrar a atenção na convivência entre os protagonistas.
O ambiente rural reforça a sensação de distanciamento e intimidade, permitindo que a aproximação aconteça por meio de pequenos gestos, conversas e experiências compartilhadas.
Há uma naturalidade nessa construção que sustenta o interesse mesmo sem recorrer a grandes conflitos ou reviravoltas, já que o vínculo entre os personagens se torna o principal motor dramático da história.
Quando Apenas Coisas Boas decide abandonar esse universo mais restrito para ampliar o alcance de sua narrativa, parte da identidade construída até então acaba se perdendo.
O roteiro passa a incorporar elementos ligados a desaparecimentos e suspense, mas a mudança de direção não encontra o mesmo equilíbrio observado anteriormente.
A impressão é de que a trama tenta abraçar uma complexidade maior sem desenvolver com a mesma atenção os elementos necessários para sustentá-la.
Ao mesmo tempo, determinados conflitos emocionais que pareciam ganhar consistência na etapa inicial acabam cedendo espaço para uma exploração mais frequente da dimensão física da relação entre os protagonistas.
Essa escolha reduz parte da força dramática que vinha sendo construída e limita as possibilidades de aprofundamento dos personagens.
As atuações também apresentam oscilações que dificultam a imersão em alguns momentos. Certos diálogos soam excessivamente ensaiados e algumas interações carecem da espontaneidade necessária para que a experiência emocional alcance o impacto pretendido. Isso contribui para uma sensação de artificialidade que enfraquece cenas importantes ao longo do percurso.
Ainda que apresente ideias interessantes e um ponto de partida promissor, o longa demonstra dificuldade em manter a consistência de suas escolhas narrativas.
Seu melhor material está justamente na intimidade silenciosa dos primeiros encontros e na forma contida com que observa a solidão de seus personagens, enquanto as tentativas de expandir o drama acabam diluindo parte daquilo que inicialmente despertava maior interesse¨.
Com produção da Rensga Filmes e coprodução da Caprisciana Produções, o longa-metragem utiliza do realismo fantástico e dos gêneros do melodrama e do suspense, em uma narrativa protagonizada por personagens LGBTQIAP+.
“O filme explora a vulnerabilidade, a fantasia, o erotismo e a intensidade em personagens que escapam dos estereótipos do homem sertanejo”, comenta Daniel Nolasco, que também assina o roteiro da produção.
“Apenas Coisas Boas” oferece um olhar íntimo sobre vivências marginalizadas, contando a história de dois homens que se apaixonam e ficam juntos por mais de 40 anos, tendo como cenário Goiás, um dos estados mais conservadores do Brasil.
“O filme explora a vulnerabilidade, a fantasia, o erotismo e a intensidade em personagens que escapam dos estereótipos do homem sertanejo”, comenta Daniel Nolasco, que também assina o roteiro da produção.
“Apenas Coisas Boas” oferece um olhar íntimo sobre vivências marginalizadas, contando a história de dois homens que se apaixonam e ficam juntos por mais de 40 anos, tendo como cenário Goiás, um dos estados mais conservadores do Brasil.
Uma reflexão intimista é proposta sobre como conquistas sociais e mudanças no comportamento e na percepção da sociedade contemporânea influenciam na vida cotidiana de um casal homoafetivo.
No município de Catalão, em uma paisagem rural, Antonio, interpretado por Lucas Drummond, é um fazendeiro que vive sozinho e isolado, cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda. Seu destino cruza com o de Marcelo, vivido por Liev Carlos, um motociclista solitário que sofre um acidente ao passar pela região.
No município de Catalão, em uma paisagem rural, Antonio, interpretado por Lucas Drummond, é um fazendeiro que vive sozinho e isolado, cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda. Seu destino cruza com o de Marcelo, vivido por Liev Carlos, um motociclista solitário que sofre um acidente ao passar pela região.
Desacordado, ele é resgatado por Antonio, que cuida de seus ferimentos e o abriga durante sua recuperação, dando início a uma história de amor que transforma, desestabiliza e provoca rupturas em cada um deles.
O filme utiliza do realismo fantástico e dos gêneros do melodrama e do suspense, em uma narrativa protagonizada por personagens LGBTQIAP+, oferecendo um olhar íntimo sobre vivências marginalizadas e contando a história de dois homens que se apaixonam e ficam juntos por mais de 40 anos, tendo como cenário Goiás, um dos estados mais conservadores do Brasil.
Ficha Técnica:
“Apenas Coisas Boas” (Brasil | 2025 | 104’)
Produtora: Rensga Filmes
Direção e Roteiro: Daniel Nolasco
Elenco: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos, Renata Carvalho, Igor Leoni, Guilherme Théo, Norval Berbari, Lizz Miranda, Brenda Oliveira.
Produção executiva: Cecília Brito
Produção: Cecília Brito, Daniel Nolasco, Hans Spelzon
Fotografia: Larry Machado
Edição: Will Domingos, Edt.
Direção de arte: Marcus Takatsuka
Figurino: Rafaelly Godoy
Desenho de som: Guile Martins
Mixagem: Jesse Marmo
Som direto: Naja Sodré, Daniel Nolasco
Distribuição: Olhar Filmes
Classificação: 18 anos
“Apenas Coisas Boas” (Brasil | 2025 | 104’)
Produtora: Rensga Filmes
Direção e Roteiro: Daniel Nolasco
Elenco: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos, Renata Carvalho, Igor Leoni, Guilherme Théo, Norval Berbari, Lizz Miranda, Brenda Oliveira.
Produção executiva: Cecília Brito
Produção: Cecília Brito, Daniel Nolasco, Hans Spelzon
Fotografia: Larry Machado
Edição: Will Domingos, Edt.
Direção de arte: Marcus Takatsuka
Figurino: Rafaelly Godoy
Desenho de som: Guile Martins
Mixagem: Jesse Marmo
Som direto: Naja Sodré, Daniel Nolasco
Distribuição: Olhar Filmes
Classificação: 18 anos



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