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CRÍTICA: CHOPIN, UMA SONATA EM PARIS

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Poucos filmes entendem tão bem a relação entre arte e desgaste físico quanto essa reconstrução dos anos mais delicados da juventude de Frédéric Chopin em Paris.




Cercado pela aristocracia francesa, admirado nos salões mais sofisticados da cidade e consumido pela necessidade constante de continuar criando, ele atravessa o longa como alguém que percebe o próprio corpo se tornando um obstáculo para aquilo que mais define sua existência. E talvez seja justamente dessa fragilidade permanente que o filme tira sua força mais bonita.

A direção evita transformar a trajetória do compositor numa cinebiografia acelerada ou excessivamente dramatizada, preferindo observar pequenos gestos, silêncios demorados e ambientes carregados por uma elegância melancólica que acompanha praticamente toda a experiência.



A Paris do século XIX surge com um cuidado visual impressionante, desde os figurinos até a fotografia mais sóbria dos salões aristocráticos, criando uma atmosfera que parece sempre levemente abafada, como se o filme inteiro respirasse no mesmo ritmo cansado do próprio Chopin.

O aspecto mais interessante é perceber como a música deixa de funcionar apenas como trilha sonora e passa a ocupar um espaço emocional dentro da narrativa.

Cada composição parece nascer diretamente do desgaste físico e emocional do personagem, transformando apresentações e ensaios em momentos quase contemplativos.



Existe uma sensibilidade muito grande na maneira como o longa entende o sofrimento não como espetáculo, mas como algo silencioso, íntimo e profundamente humano.

As atuações ajudam bastante nessa construção mais delicada porque ninguém aqui cai na caricatura típica das cinebiografias tradicionais.

Mesmo quando a narrativa desacelera além do necessário em alguns trechos, a atmosfera construída ao redor daquele universo artístico continua sustentando o interesse com facilidade, muito pela presença constante da música clássica atravessando cada cena.




“Chopin, Uma Sonata em Paris” funciona justamente porque humaniza uma figura histórica frequentemente tratada como mito, revelando inseguranças, desgaste e a pressão sufocante de continuar sendo admirado enquanto a própria saúde lentamente desmorona. Uma cinebiografia elegante, sensível e emocionalmente consistente¨.

“Chopin, uma Sonata em Paris” (“Chopin, Chopin”), de Michal Kwieciński, acompanha a trajetória do renomado compositor polonês Frédéric Chopin (Eryk Kulm).

A produção franco-polonesa estreia nesta quinta-feira, nas seguintes cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Maceió, Vitória, São Luiz, Niterói e Juiz de Fora.

A distribuição é da Synapse.




O filme recria a cidade de Paris em 1835 e retrata a genialidade, a vida boêmia, as amizades e amores do músico, enquanto lida com o diagnóstico de tuberculose, sem cura na época.

A cinebiografia foca no período em que Chopin (1810-1849), com seu talento e personalidade cativante, estabelece-se como favorito da aristocracia francesa e transita pelos salões da alta sociedade, agradando inclusive o rei Louis-Philippe (Lambert Wilson, de “Matrix Resurrections”).

Durante o dia, dá aulas particulares para seu sustento. Seu relacionamento com a escritora George Sand (Josephine de La Baume) também ganha destaque, assim como a amizade com o músico Franz Liszt (Victor Meutelet).

O ator Eryk Kulm dá vida ao artista, um dos maiores compositores para piano da história, e por sua atuação foi premiado no Festival de Cinema Polaco de Toronto (EKRAN).

O ator já havia protagonizado o longa “Servindo Nazistas” (2022), do mesmo diretor.

Sinopse:

Paris,1835. O renomado compositor Frédéric Chopin transita pela alta sociedade, realizando concertos, dando aulas para ganhar dinheiro enquanto luta contra uma doença.

Ele compõe obras-primas, frequenta festas e busca romances nos círculos da aristocracia e realeza.

Ficha técnica:

Ano de produção: 2025

Direção: Michał Kwieciński

Roteiro: Bartosz Janiszewski

Cinematography: Michał Sobociński

Elenco: Eryk Kulm, Lambert Wilson, Victor Meutelet, Josephine De La Baume

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