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CRÍTICA: CINCO DA TARDE

Crítica by Raphael Ritchie: ¨A morte da avó coloca Anabel diante de um vazio difícil de preencher, e é justamente nesse espaço de ausência que surge sua aproximação com Meiko, uma vizinha tímida cuja presença passa a ocupar um papel cada vez mais importante em sua rotina.




A convivência entre as duas adolescentes se desenvolve de maneira gradual, sustentada por silêncios, olhares e pequenas interações.

Ambientado durante a pandemia, o longa incorpora aquele período sem transformá-lo no centro da narrativa.

O isolamento, a distância e a necessidade de contato humano aparecem de forma discreta, ampliando sentimentos que já habitam as personagens desde o início.

A relação construída entre Anabel e Meiko funciona menos pela intensidade dos acontecimentos e mais pela tentativa de compartilhar dores que nenhuma das duas consegue expressar plenamente.




A fotografia em preto e branco reforça a atmosfera melancólica que atravessa toda a história.

Há um cuidado evidente na composição dos enquadramentos e na valorização dos rostos, permitindo que emoções contidas ganhem espaço dentro da cena.

A direção adota um olhar observacional e paciente, interessado em acompanhar o amadurecimento das protagonistas sem recorrer a conflitos artificiais ou explosões dramáticas.

O problema é que essa delicadeza nem sempre se converte em envolvimento.




A narrativa dedica tanto tempo à contemplação que frequentemente parece girar em torno das mesmas emoções, sem acrescentar novas camadas capazes de sustentar seu ritmo mais lento.

Embora exista sensibilidade na forma como o luto, a solidão e a descoberta pessoal são abordados, a condução excessivamente discreta acaba enfraquecendo parte do impacto que a trajetória das personagens poderia alcançar.

Há sinceridade na maneira como a história retrata duas jovens tentando compreender a si mesmas em um momento de fragilidade emocional, mas a impressão é de que o filme permanece distante demais de seus próprios conflitos.

Resultado possui momentos de genuína ternura e algumas imagens marcantes, porém encontra dificuldades para transformar sua sutileza em uma experiência envolvente¨.




Sinopse
Com a morte da avó, Anabel, uma jovem de 17 anos, aproxima-se de Meiko, uma tímida vizinha. Aos poucos, esta singela aproximação mostra-se reveladora de sentimentos escondidos e semelhanças improváveis.

Voltando ao apartamento da avó, Anabel encontra uma estranha presença, que a faz compreender melhor o momento em que está vivendo.




Ficha Técnica

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Eduardo Nunes
Produção Executiva: Izabella Faya, Fernanda Reznik & Rodrigo Areias
Direção de Fotografia: Mauro Pinheiro Jr, ABC
Figurino: Luciana Buarque
Montagem: Flávio Zettel, EDT
Assistente de Direção: Ana Izabel Aguiar
Música: Paulo Furtado
Desenho de Som: Pedro Marinho
Mixagem: Maurício D’Orey
Produção: 3 Tabela Filmes
Coprodução: Bando à Parte
Distribuição: 3 Tabela Filmes

@primeiroplanocom @3tabelafilmes #cincodatarde

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