Crítica by Raphael Ritchie: ¨Ver uma música atravessar fronteiras, conquistar milhões de ouvintes e se transformar em um fenômeno mundial já seria motivo de orgulho para qualquer compositor.
A situação muda completamente quando o responsável por aquela criação assiste tudo isso acontecer à distância, enquanto outra pessoa recebe os aplausos, os contratos e o reconhecimento que deveriam ser seus.
É justamente dessa frustração bastante compreensível que nasce a força dramática da história. A trajetória de Rick, um cantor de casamentos que vê sua composição ser apropriada por um ex ídolo pop adolescente, constrói um conflito acessível e fácil de acompanhar, sustentado por uma sensação de injustiça que dificilmente passa despercebida pelo espectador.
O roteiro segue caminhos familiares e evita grandes rupturas, preferindo investir em uma narrativa leve, ágil e voltada para o entretenimento, sem a preocupação de reinventar fórmulas já conhecidas.
A relação entre Rick e Danny mantém a história em movimento e dá consistência à discussão mais interessante da narrativa: a busca por reconhecimento artístico. O desejo legítimo de receber os créditos por uma criação gradualmente se transforma em algo mais complexo, revelando a facilidade com que uma causa justa pode ocupar espaço demais e começar a afetar outras áreas da vida. A necessidade de validação aparece aqui não apenas como objetivo, mas também como armadilha.
A presença de Nick Jonas acrescenta uma camada particularmente curiosa a esse debate. Seu personagem enfrenta dificuldades para ser levado a sério além da imagem construída durante a juventude, e a própria trajetória do ator inevitavelmente ecoa esse conflito.
Sem transformar essa coincidência em tema explícito, o filme se beneficia da experiência que Jonas carrega, conferindo maior autenticidade a momentos ligados à fama, identidade artística e à tentativa constante de redefinir a própria imagem diante do público.
A música ocupa posição central durante toda a narrativa, especialmente através da canção que motiva a disputa entre os personagens. Sua repetição ajuda a consolidar a identidade da produção e reforça a importância emocional daquela composição, embora em alguns momentos se aproxime de um uso excessivo. Ainda assim, a combinação entre trilha sonora, humor e drama funciona bem dentro da proposta, criando uma experiência acolhedora e despretensiosa.
A narrativa sabe exatamente o que deseja entregar e demonstra segurança ao permanecer dentro desses limites. Não há ambição de se tornar algo maior do que sua própria história comporta, mas há competência suficiente para transformar um conflito simples em um entretenimento agradável, apoiado por um elenco carismático e por uma reflexão pertinente sobre autoria, reconhecimento e ego¨.
Além da dupla de astros, o elenco de HIT PARA DOIS conta com Peter McDonald ("Batman"), Marcella Plunkett ("Sing Street: Música e Sonho"), Jack Reynor ("Midsommar: O Mal Não Espera a Noite") e Havana Rose Liu ("Bottoms").
Com distribuição da Diamond Films, a maior distribuidora independente da América Latina, HIT PARA DOIS estreia nacionalmente em 11 de junho.










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