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CRÍTICA: AQUELE QUE VIU O ABISMO

Crítica by Rapahel Ritchie¨Um homem vive sob o domínio de uma corporação que vende a promessa da vida eterna enquanto transforma cada aspecto da existência em um mecanismo de vigilância e controle.




Cercado por visões perturbadoras e envolvido em uma sequência de assassinatos, ele tenta compreender se ainda é capaz de confiar na própria percepção ou se já foi completamente absorvido pela lógica de um sistema que parece decidir seu destino antes mesmo de qualquer escolha.

Essa combinação entre ficção científica, suspense psicológico e conspiração revela uma ambição rara dentro do cinema brasileiro. Aquele que Viu o Abismo prefere investir na criação de uma mitologia própria, discutindo transumanismo, manipulação da informação e a obsessão humana por derrotar a morte, enquanto a direção procura compensar as limitações orçamentárias por meio de uma direção de arte estilizada, iluminação expressiva e cenários minimalistas que ajudam a sustentar a atmosfera opressiva daquele universo.

O problema aparece justamente quando tantas ideias passam a disputar espaço sem que o roteiro estabeleça regras suficientemente claras para orientar o espectador. A narrativa acumula símbolos, conceitos e acontecimentos que parecem apontar para algo maior, mas raramente desenvolve essas peças de forma consistente, tornando difícil compreender o funcionamento daquele mundo e, principalmente, criar envolvimento com os personagens. A constante dúvida entre realidade e delírio deixa de alimentar a tensão e passa a gerar distanciamento, fazendo com que o mistério pareça mais confuso do que instigante.




A curta duração mantém a história em movimento, mas também reduz as oportunidades de aprofundar seus conflitos, deixando discussões interessantes sobre poder corporativo, vigilância e imortalidade limitadas ao campo das ideias.

A ousadia de apostar em uma ficção científica autoral merece reconhecimento, mas a execução não acompanha o peso das questões que pretende abordar. Entre conceitos provocativos e uma narrativa excessivamente hermética, sobra a impressão de que o filme se interessa mais pelo enigma do que pelas respostas¨.

Premiado como Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o longa propõe uma experiência sensorial que rompe com as convenções narrativas ao combinar ficção científica, música, performance e imagens de forte impacto visual. O encontro após a sessão promete ampliar as discussões propostas pelo filme, reunindo diferentes perspectivas sobre criação artística, linguagem e experimentação no cinema brasileiro.

Dirigido por Gregorio Gananian e Negro Leo, AQUELE QUE VIU O ABISMO estreia nacionalmente em 30 de julho. Ambientado em um futuro distópico, o filme acompanha X (Negro Leo), que embarca em uma jornada perigosa, imerso em uma complexa trama de assassinatos, visões e experiências alucinógenas. Enquanto tenta sobreviver e compreender a realidade ao seu redor, ele se vê encurralado pela ProLife, uma empresa multinacional que recruta civis oferecendo a promessa de uma vida eterna.



Realizado pela Zaum Produtora em parceria com a Katásia Filmes, o longa aposta em uma construção visual e sonora que convida o espectador a se entregar à experiência proposta. Para Gregorio Gananian, o protagonista funciona como "um xamã contemporâneo, que entende as frequências da vida". Negro Leo, por sua vez, recomenda que o filme seja visto e ouvido para que o público possa sentir a essência da obra.

O elenco reúne ainda Danielly O.M.M. Kaufmann e Ava Rocha, com participação especial de Clara Choveaux.

SERVIÇO
Pré-estreia de AQUELE QUE VIU O ABISMO
Data: 23 de julho (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Espaço Petrobras de Cinema
Debate: Gregorio Gananian e Negro Leo, com mediação de Marcelo Ariel
Ingressos: R$ 10 (valor promocional)

SINOPSE
Imerso em uma complexa trama de assassinatos, X (Negro Leo) usa suas visões para tentar sobreviver e navegar por um sistema opressor. Ele se vê encurralado pela ProLife, uma empresa multinacional que recruta civis oferecendo a possibilidade de uma vida eterna.



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