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CRÍTICA: MIL LUAS

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Uma mulher de 80 anos decide vender o restaurante que ocupou décadas da sua vida para oferecer mais segurança à filha e, ao abrir mão do espaço onde trabalho, memória e identidade sempre caminharam juntos, percebe que também precisa descobrir quem ainda pode ser.



A partir dessa mudança, a diretora Carina Bini acompanha uma personagem que passou boa parte da existência cuidando dos outros antes de si mesma, encontrando no envelhecimento não um ponto de chegada, mas a possibilidade de experimentar escolhas que sempre ficaram adiadas.

Esse olhar dedicado a uma protagonista idosa já diferencia Mil Luas, especialmente por tratar autonomia, liberdade e desejo sem reduzir a velhice a uma condição de espera ou resignação.

Há sensibilidade na maneira como a câmera observa pequenos gestos, encontros cotidianos e o ritmo desacelerado dessa nova fase, enquanto a fotografia valoriza a paisagem do interior e cria um ambiente acolhedor que dialoga com a serenidade buscada por Chiara.

Essa delicadeza, porém, acaba ocupando o espaço que deveria pertencer ao conflito. A decisão de abandonar tudo o que definiu uma vida inteira carrega consequências profundas, mas a narrativa prefere resolver impasses rapidamente, tornando as dificuldades surpreendentemente leves e previsíveis.



Questões ligadas à independência, às relações familiares e à reconstrução da própria identidade aparecem, mas raramente recebem o desenvolvimento necessário para produzir um impacto mais consistente.

Os personagens secundários reforçam essa impressão ao existirem quase sempre para impulsionar a trajetória da protagonista, sem conflitos próprios capazes de enriquecer a dinâmica das relações.

Mesmo a montagem, marcada por um ritmo contemplativo, prolonga cenas que pouco acrescentam à evolução dramática, fazendo com que a experiência se torne excessivamente morosa em vários momentos.

O resultado preserva uma atmosfera afetuosa e demonstra respeito pela personagem central, mas transforma conflitos complexos em obstáculos facilmente superados, reduzindo o peso emocional das escolhas que apresenta.

Entre boas intenções, imagens cuidadosas e uma protagonista naturalmente cativante, a história permanece agradável na superfície, embora raramente alcance a profundidade que seus temas sugerem¨.

A trama acompanha Chiara, imigrante italiana, mãe solo e independente, que vê seu mundo ruir com a venda do restaurante que construiu ao seguir o sonho de uma vida melhor para si e sua filha.




Entre memórias e perdas, ela embarca numa fábula sobre o tempo, o afeto e a liberdade, redescobrindo sua força, sua autonomia e a coragem de recomeçar. Uma história sobre envelhecer com dignidade e provar que nunca é tarde para escolher a si mesma.

‘Mil Luas’ é um filme sobre o tempo, a solidão e a liberdade que não envelhece. Se passa dentro de um universo particular e muito feminino de uma imigrante de 80 anos no Brasil. A história de Chiara mostra que a solidão se transforma quando nos permitimos habitar cada momento como se ele fosse o único.

É um filme sobre a coragem de uma mulher em busca de sua liberdade, a qualquer tempo e lugar”, destaca Carina Bini.

O longa foi selecionado em mais de 15 festivais no Brasil e no mundo, como o 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 23º Festival de Cinema de Cuiabá, XIX Islantilla Cinefórum, 13º Cinefem, 9° Mònde - Festa del Cinema sui Cammini, 8° Joburg Film Festival, entre outros e tem equipe composta majoritariamente por profissionais da “melhor idade”.

A produção é mais um projeto em que a ELO STUDIOS reforça seu compromisso com histórias que provocam reflexões e refletem a sociedade brasileira.

"Na ELO, acreditamos no poder do cinema para ampliar perspectivas e promover conversas necessárias. 'Mil Luas' aborda o envelhecimento de forma sensível, humana e longe dos estereótipos, trazendo para o centro da narrativa uma personagem que reafirma sua autonomia e seu direito de recomeçar.

É uma história que dialoga diretamente com as transformações da sociedade brasileira e reforça nosso compromisso com obras que

geram identificação e reflexão”, afirma Sabrina N. Wagon, CEO da ELO STUDIOS.

O longa ressoa com os dados mais recentes do Censo 2022, que mostram o acelerado envelhecimento da população brasileira e o crescimento expressivo da presença digital de pessoas com mais de 65 anos.

O filme tem elenco formado por Beta Rangel, Nuno Leal Maia,, Victor Abrão, Tiago Venusto, , Paula Passos, entre outros.

Com produção da Atman Filmes, “Mil Luas” é uma coprodução entre Brasil e Itália. O projeto fez parte do Selo ELAS, uma iniciativa da ELO STUDIOS que tem como objetivo fomentar o cinema feito por mulheres, promovendo a equidade de gênero no setor audiovisual.

Carina Bini

Carina Bini é diretora, produtora e fundadora da Atman Filmes, produtora boutique sediada em Brasília. Sua obra transita entre a ficção e o documentário, com olhar voltado para o protagonismo feminino e o universo invisibilizado das mulheres.

Seu primeiro longa-metragem, Mil Luas, foi desenvolvido com apoio do programa de cooperação entre ANCINE, a Direzione Generale Cinema italiana e o Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma.

Dirigiu as séries Casas Vivas (2023) e As Majés (2024/2025), sobre mulheres indígenas e suas culturas ancestrais. Seu próximo projeto, O Manto, uma coprodução Brasil-Holanda, acompanha jovens Tupinambá na jornada pelo retorno do sagrado Manto de seu povo. Há mais de dez anos realiza o Festival Internacional Cinema e Transcendência.

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