Post Page Ads

Post Page Top Ads

CRÍTICA: A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO

Crítica by Raphael Ritchie: ¨Meninas do interior do Piauí imaginam uma máquina do tempo para atravessar gerações e revisitar as histórias de suas mães e avós, transformando uma brincadeira em um caminho para compreender por que tantos sonhos parecem nascer já cercados por limites.




A ideia é simples, mas abre espaço para uma observação delicada sobre infância, memória e desigualdade, sem reduzir essas personagens às dificuldades que enfrentam diariamente.

A convivência entre vídeos de TikTok, cultos evangélicos, escola e rotina doméstica situa essas crianças em um Brasil que reúne tradições muito antigas e mudanças cada vez mais aceleradas.

Esse contraste atravessa toda a narrativa de maneira natural, revelando que o imaginário infantil continua sendo capaz de reorganizar a realidade, mesmo quando ela insiste em impor respostas prontas.




Em vez de recorrer ao formato convencional das entrevistas, a direção entrega às próprias meninas a possibilidade de reinventar lembranças e projetar futuros, permitindo que fantasia e realidade coexistam sem a necessidade de separar uma da outra.

É justamente nesse espaço que A Fabulosa Máquina do Tempo encontra suas reflexões mais interessantes. A fotografia observa o sertão com sensibilidade, registrando a dureza das condições materiais sem apagar a riqueza do universo inventado pelas protagonistas.

Educação, religião e herança familiar aparecem integradas ao cotidiano dessas meninas, deixando que os conflitos surjam das conversas, das brincadeiras e da convivência, sem transformar cada cena em uma tentativa de explicar o mundo ao espectador.




O ritmo contemplativo acompanha a proposta de observar essas vivências sem pressa, permitindo que pequenas interações ganhem importância ao longo da narrativa. Em alguns momentos essa escolha torna o percurso mais pausado, mas também preserva a espontaneidade das protagonistas e reforça o caráter íntimo das lembranças e das imaginações que conduzem o documentário.

Imaginar o futuro acaba se tornando também uma forma de revisitar o passado, permitindo que essas crianças enxerguem possibilidades diferentes das que herdaram. A fantasia deixa de ser apenas um refúgio e passa a ocupar um lugar concreto na maneira de pensar o amanhã, oferecendo uma perspectiva humana que observa essas vidas sem romantizar as dificuldades que as cercam¨.

O filme, que estreou mundialmente no Festival de Berlim e vem conquistando prêmios no Brasil e no mundo, acompanha as vivências de meninas município de Guaribas (PI), que refletem e revisitam as duras histórias de suas mães e avós, enquanto sonham com um futuro livre e repleto de realizações.



SINOPSE
No sertão do Piauí, meninas navegam entre cultos evangélicos, redes sociais e sonhos de futuro. Ao inventarem uma máquina do tempo, revisitam as histórias duras de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e desigualdade, e viajam para um futuro onde se enxergam livres e realizadas.

Entre brincadeiras e fabulação, elas questionam o que significa se tornar mulher. Um filme sobre o delicado limiar entre infância e adolescência, narrado por quem ainda vive essa travessia.




FICHA TÉCNICA
Elenco: Alice, Ana, Ana Vitoria, Joice, Laiane, Larissa, Laura, Lorenna, Manu, Manuellinha, Safira, Sophia, Thaemmy, Thabata
Direção: Eliza Capai
Produzido por: Mariana Genescá
Montagem e Roteiro: Daniel Grinspum e Eliza Capai
Direção de Fotografia: Carol Quintanilha
Som direto: Luisa Lemgruber
Produção executiva: Mariana Genescá
Direção de Produção: Clarice Rios
Ass. de Produção exec.: Jac Melo
Trilha Sonora Original: Décio 7 com participação especial de Juliana Linhares
Desenho de Som: Daniel Turini
Supervisão de Som: Marília Mencucini
Mixagem: Julia Teles
Colorista: Maisa Joanni
Coord. de Pós: João Gila
Desenho de Créditos e Cartaz: Joana Amador e Fiteiro
Distribuição Nacional: Descoloniza Filmes
Vendas internacionais: Split Screen

Postar um comentário

0 Comentários