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Festival Filmes Incríveis aposta em títulos menos óbvios e recupera o prazer da descoberta no cinema.

Terceira edição acontece entre 30 de julho e 12 de agosto, no Cine Belas Artes, com 14 longas inéditos, sessão dedicada a Carlos Reygadas e exibições especiais de “No Good Men” e “Refém por um Fio”

Em um circuito internacional no qual dezenas de produções disputam espaço, mas apenas um pequeno grupo concentra a atenção da imprensa, dos distribuidores e do público, o Festival Filmes Incríveis chega à terceira edição defendendo outra forma de olhar para a programação cinematográfica.



A proposta é retirar das margens filmes que passaram por grandes eventos, mas não receberam a mesma projeção dos principais premiados.

Durante a apresentação da edição de 2026, André Sturm, fundador do festival e presidente do Belas Artes Grupo, explicou que a mostra foi criada para recuperar o papel da curadoria e o prazer de entrar em uma sessão sem conhecer previamente o filme.

“Hoje, muitos filmes são feitos e passam pelos festivais, mas acaba se construindo uma lógica em que existem cinco, seis ou oito títulos dos quais todo mundo fala. Muitos filmes bons, interessantes e criativos acabam ficando apagados. Então, resolvemos fazer um festival pequeno e focado justamente nesses filmes”, afirmou.

A seleção principal reúne 14 longas inéditos no Brasil, produzidos em diferentes países e exibidos anteriormente em eventos como Cannes, Berlim e Roterdã. Embora existam obras premiadas na programação, Sturm ressaltou que o festival não foi pensado para simplesmente reproduzir os títulos mais conhecidos do calendário internacional.

“Não vai ter a Palma de Ouro de Cannes nem o Urso de Ouro de Berlim. Até existem filmes premiados, mas a ideia é justamente descobrir. Queremos recuperar esse espírito de o público acreditar na nossa curadoria, conhecer filmes dos quais nunca ouviu falar e confiar que vale a pena assisti-los”, explicou.

A inspiração está ligada a uma experiência cinéfila que, segundo Sturm, já foi mais presente em eventos como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O público consultava a programação, recebia a indicação de outro espectador e procurava a sessão seguinte de uma produção belga, islandesa ou asiática praticamente desconhecida.

A diretora-executiva do Belas Artes Grupo, Juliana Brito, responsável pela direção do festival, destacou que a programação foi construída como um trabalho coletivo de garimpo. Os títulos são assistidos e debatidos pela equipe, que também participa das votações responsáveis pela definição da seleção.

“A gente conseguiu fazer exatamente o que queria, que é garimpar esses filmes. Eles não são necessariamente os títulos óbvios dos grandes festivais. Alguns passam por esses eventos, outros a gente encontra no mercado, assiste e percebe que merecem uma exibição especial em uma sala de cinema”, contou.

Segundo Juliana, a seleção apresentada pelo programador Pedro Andrade chegou praticamente pronta ao fim do processo, sem que fosse necessário retirar algum dos títulos escolhidos.

“Quando o Pedro mandou a programação deste ano, eu não tinha o que falar. Estava perfeita, estava redonda, porque todos esses filmes mereciam o espaço e o lugar que receberam”, afirmou.

Uma programação para atravessar fronteiras

A diversidade geográfica permanece como um dos principais critérios do festival. A organização procura evitar a repetição de países e colocar lado a lado cinematografias pouco conhecidas pelo público brasileiro.

Entre os títulos estão o iraniano “Viver Duas Vezes, Morrer Três Vezes”, comédia mordaz sobre trabalhadores que sobrevivem ao desabamento de uma mina e decidem esconder que continuam vivos; o cipriota “A Mãe Bruxa”, fantasia sombria inspirada no folclore grego e cipriota; e o belga “A Criança Carneiro”, que aborda as rotas migratórias europeias por meio do encontro entre uma família refugiada e um policial de fronteira.

A programação também inclui “Brilha o Verão, Então Vem a Escuridão”, adaptação islandesa do romance de Jón Kalman Stefánsson; “Deixe que Eu Te Leve”, do francês Alain Guiraudie; e “Nina Roza: O Caminho de Volta”, vencedor do Urso de Prata de Melhor Roteiro na Berlinale de 2026.

Produções sobre espiritualidade, identidade e tradições ancestrais aparecem em filmes como “Lali: Entre os Vivos e os Mortos”, do Paquistão; “Árru: Terra Ancestral”, primeiro longa da artista sami Elle Sofe Sara; e “9 Templos para o Céu”, aventura mística produzida por Apichatpong Weerasethakul.

Completam a seleção títulos como “Literalmente Nu”, “Paraíso: Entre Duas Margens”, “Quando o Inverno Chega Antes”, “Terra Dividida” e “Ulya: A Gigante das Quadras”, cinebiografia da lendária jogadora letã Uļjana Semjonova.

A programação foi organizada para permitir que o público mais dedicado consiga acompanhar todos os títulos durante as duas semanas. O festival também terá um passaporte especial, criado para facilitar o acesso de quem pretende assistir a várias sessões.

“Esse tamanho de festival permite que o cinéfilo consiga ver todos os filmes. A gente monta a programação de um jeito para que quem passar por aqui nessas duas semanas tenha a possibilidade de acompanhar a seleção inteira”, disse Juliana.

Abertura, encerramento e homenagem

A sessão de abertura será dedicada a “No Good Men”, terceiro longa da diretora afegã Shahrbanoo Sadat. A produção também abriu a 76ª edição do Festival de Berlim e acompanha uma cinegrafista de televisão que tenta se afirmar em um ambiente de trabalho dominado por homens, em Cabul.

O encerramento terá “Refém por um Fio”, novo longa de Gus Van Sant, estrelado por Bill Skarsgård, Dacre Montgomery, Al Pacino e Colman Domingo. Exibido no Festival de Veneza de 2025, o suspense reconstitui um caso real ocorrido nos Estados Unidos, quando um homem manteve um executivo do setor financeiro como refém utilizando uma arma conectada por um fio ao próprio corpo.

Sturm esclareceu que o filme de Van Sant será exibido fora da seleção principal. A distinção procura evitar uma contradição com a proposta do evento, já que a produção possui um cineasta consagrado, elenco conhecido e maior projeção internacional.

“Para não parecer que a gente fala uma coisa e faz outra, o filme do Gus Van Sant passou em Veneza e é famoso. Por isso, ele está no encerramento e não na seleção oficial. Conseguimos os direitos para lançá-lo no cinema e achamos que o Gus Van Sant merecia essa homenagem”, explicou.

A edição ainda terá uma sessão dedicada ao mexicano Carlos Reygadas. Embora continue em atividade, o diretor de obras como “Japón”, “Luz Silenciosa” e “Post Tenebras Lux” foi apresentado pela organização como um nome que já pode ser tratado como clássico pela dimensão alcançada por sua filmografia.

“É um cineasta que tenta fazer muitos filmes, mas construiu uma obra pequena e muito poderosa. Já ganhou prêmios nos principais festivais e pode ser chamado de clássico pela qualidade do trabalho que realizou”, afirmou Sturm.

Ao reunir obras ainda desconhecidas no país e sessões dedicadas a realizadores consolidados, o Festival Filmes Incríveis pretende fortalecer uma relação de confiança entre público e curadoria. Para Juliana, a divulgação também é decisiva para que produções sem grandes campanhas publicitárias consigam encontrar seus espectadores.

“A gente faz todo esse trabalho de trazer os filmes, e vocês nos ajudam a divulgar e a levá-los até o público”, disse a diretora. “Espero que se fale muito do festival e que, no ano que vem, eu esteja aqui novamente para apresentar a quarta edição.”

Serviço

Festival Filmes Incríveis 2026

Datas: de 30 de julho a 12 de agosto
Local: Cine Belas Artes
Endereço: Rua da Consolação, 2423, Consolação, São Paulo
Ingressos: a partir de R$ 10
Acessibilidade: poltronas numeradas, assentos adequados para pessoas obesas e espaços reservados para cadeirantes.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO FFI 2026:

QUINTA - 30 de Julho

13h30 - Terra Dividida

15h40 - Deixa que eu te leve

17h45 - Paraíso

19h30 - Sessão cinéfilo - Literalmente Nu


SEXTA - 31 de Julho

13h40 - Lali: entre os vivos e os mortos

16h30 - Viver duas vezes, morrer três vezes

18h30 - Nina Roza

20h30 - Luz depois das trevas


SÁBADO - 01 de Agosto

13h20 - Brilha o verão, então vem a escuridão

15h30 - Arrú: terra ancestral

16h30 - 9 templos para o céu

19h10 - A mãe bruxa

21h20 - Literalmente nu


DOMINGO - 02 de Agosto

13h40 - Ulya, a gigante das quadras

15h40 - Terra Dividida

18h10 - Paraíso

20h - A criança carneiro


SEGUNDA - 03 de Agosto

14h - A mãe bruxa

16h10 - Brilha o verão, então vem a escuridão

18h30 - Deixe que eu te leve

20h30 - Viver duas vezes, morrer três vezes


TERÇA - 04 de Agosto

13h30 - A criança carneiro

15h25 - Luz depois das trevas

17h40 - Arrú: terra ancestral

19h30 - Sessão surpresa


QUARTA - 05 de Agosto

14h - Literalmente nu

16h - Terra dividida

18h30 - Lali: entre os vivos e os mortos

20h50 - Ulya: a gigante das quadras


QUINTA - 06 de Agosto

13h40 - Quando o inverno chega

15h30 - Luz depois das trevas

17h40 - Arrú: terra ancestral

19h30 - Sessão-cinéfilo - 9 templos para o céu


SEXTA - 07 de Agosto

13h20 - Ulya: a gigante das quadras

15h20 - Deixe que eu te leve

17h20 - A criança carneiro

19h15 - A mãe bruxa

21h20 - Terra dividida


SÁBADO - 08 de Agosto

13h10 - Paraíso

15h - Nina Roza

17h - Quando o inverno chega

18h50 - 9 templos para o céu

21h25 - A criança carneiro


DOMINGO - 09 de Agosto

13h20 - Lali: entre os vivos e os mortos

15h40 - Luz depois das trevas

18h - Viver duas vezes, morrer três vezes

20h - Deixe que eu te leve


SEGUNDA - 10 de Agosto

13h10 - Arrú: terra ancestral

15h05 - A mãe bruxa

17h10 - Nina Roza

19h15 - Literalmente Nu

21h15 - Brilha o verão, então vem a escuridão


TERÇA - 11 de Agosto

14h - Paraíso

15h50 - 9 templos para o céu

18h30 - Quando o inverno chega

20h30 - Nina Roza


QUARTA - 12 de Agosto

13h30 - Viver duas vezes, morrer três vezes

15h40 - Ulya a gigante das quadras

18h - Brilha o verão, então vem a escuridão

20h - Filme de encerramento: Refém por um fio

Sessão especial de abertura: 29 de julho

Horário: 19h30

Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)



Poltronas numeradas.
Em todas as salas, cadeiras adequadas para obesos e espaço para cadeirantes.

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