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SAIBA TUDO O QUE ROLOU NA COLETIVA DE IMPRENSA DO FESTIVAL DE GRAMADO.

A 54ª edição terá “Antártida” na abertura, “La Perra” no encerramento e dez longas brasileiros divididos entre as competições de ficção e documentário.




O Festival de Cinema de Gramado apresentou nesta quinta-feira (16), em São Paulo, os filmes selecionados e parte da programação de sua 54ª edição. A disputa nacional será formada por seis longas-metragens de ficção e quatro documentários, enquanto “Antártida”, de Bruno Safadi, abrirá o evento e a coprodução chileno-brasileira “La Perra” ficará responsável pelo encerramento.

Na competição de ficção estão “Chorão: Só os Loucos Sabem”, de Hugo Prata e Felipe Novaes; “Feito Pipa”, de Allan Deberton; “Justino – Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte; “Leite em Pó”, de Carlos Segundo; “Nosso Segredo”, de Grace Passô; e “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia. Segundo a organização, a seleção combina trabalhos de realizadores estreantes com produções assinadas por nomes que já possuem uma trajetória consolidada no cinema brasileiro.



“Chorão: Só os Loucos Sabem” transforma em ficção a vida do vocalista do Charlie Brown Jr., interpretado por José Loreto. Depois de abordar o músico em um documentário, os realizadores encontraram uma nova perspectiva para retornar à sua história: o relacionamento com Graziela, vivida por Nanda Marques.

“Pouca gente sabe que o Chorão viveu uma história de amor incrível com a Graziela, para quem escreveu tantas canções. Pareceu interessante contar a história daquele brutamontes por meio das relações de amor e amizade”, explicou a equipe durante a apresentação.

Os diretores também destacaram a possibilidade de apresentar o artista a um público que não chegou a acompanhá-lo nos palcos. “O Chorão mobiliza muitas gerações. Está sendo muito interessante ver uma molecada que não o viu performando ao vivo e levar essa história para novos públicos”, afirmaram.




Em “Leite em Pó”, Vinicius de Oliveira interpreta um músico obcecado por rock que precisa reorganizar a própria vida após uma perda familiar. O ator contou que um dos maiores desafios do trabalho foi gravar as músicas cantadas pelo personagem.

“Cantar não é uma das minhas melhores atribuições. No primeiro momento, o Carlos falou que seria uma música. No terceiro tratamento, eram três; no quinto, cinco”, brincou. Apesar da insegurança, Oliveira afirmou que a falta de domínio musical acabou sendo incorporada à construção do papel. “Foi um processo muito bonito e realmente difícil. Entrar no estúdio e ter a certeza absoluta de que a gente não canta nada é muito triste, mas faz parte.”

O ator também celebrou o retorno ao festival quase três décadas depois de sua primeira participação. “Estou muito feliz de voltar depois de 28 anos, e da melhor maneira possível.”

Outro título que recebeu destaque na coletiva foi “Justino – Nos Bastidores do Reino”. Ambientado no universo de uma poderosa igreja neopentecostal, o longa acompanha um homem que ingressa na instituição aos 15 anos, alcança uma posição de liderança e, anos depois, decide enfrentar os acontecimentos de seu passado.

Christian Malheiros, intérprete do protagonista, reconheceu que o tema pode tornar o lançamento mais delicado em um país marcado pela polarização política e religiosa. Para ele, no entanto, a história não pretende reduzir a fé ou os evangélicos a uma representação única.

“É uma história muito potente e muito difícil de ser contada”, afirmou. O ator disse esperar que o público evangélico compreenda que o longa acompanha uma jornada individual e mostra “como a fé colocada no lugar errado pode levar a gente a muitas armadilhas”.

Onna Silva, que interpreta a esposa de Justino, ressaltou as contradições do personagem e a importância de levar para as telas histórias de brasileiros ainda vivos. “É uma vida complexa, cheia de contrastes, atravessada pela fé, pela igreja, pelos próprios desejos, pelos amores e pelas relações. Todo mundo comporta dentro de si fé e contradição, fé e desejo”, declarou.

Completam a seleção “Feito Pipa”, protagonizado por Yuri Gomes, Lázaro Ramos e Teca Pereira; “Nosso Segredo”, drama familiar dirigido por Grace Passô; e “Pele de Rinoceronte”, que traz Débora Falabella e Naruna Costa como uma repórter e uma advogada envolvidas em um homicídio que ajudou a iniciar o debate brasileiro sobre o feminicídio.

Entre os documentários selecionados estão “O Projeto”, de São Paulo; “Empeleitada”, de Pernambuco; “Gonzaguinha – Maior Liberdade”, também paulista; e “Afrontosa”, realizado em Campinas. A comissão avaliou mais de 150 produções documentais e decidiu manter uma disputa separada da ficção, buscando, segundo a organização, “uma competição mais justa”.

“Afrontosa” acompanha uma mulher trans que trabalha em um programa do SUS destinado ao atendimento da população em situação de rua e que também mantém um abrigo para mulheres trans em condição de vulnerabilidade. O longa encerra uma trilogia desenvolvida ao longo de aproximadamente dez anos, iniciada a partir da experiência familiar dos realizadores com a transição de gênero de um filho.

Já “Gonzaguinha – Maior Liberdade” foi apontado pela curadoria como uma oportunidade para aproximar novas gerações da obra do compositor. “Eu conhecia Gonzaguinha, ouvia, mas não tinha tanta profundidade. O filme pode levar o público para essa descoberta”, afirmou uma das integrantes da seleção.

O filme de abertura, “Antártida”, é estrelado por Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni, Lázaro Ramos e João Vitor Silva. Na trama, uma agressão cometida em uma base brasileira na Antártida transforma todos os homens presentes em suspeitos.

Lideradas pela subcomandante Elisabeth, vivida por Beltrão, as mulheres da estação iniciam uma investigação em meio ao isolamento e à desconfiança. O longa, distribuído pela Paris Filmes, tem estreia nos cinemas marcada para 17 de setembro.

Andrea Beltrão também receberá o Troféu Oscarito. Marcos Caruso será homenageado com o Troféu Cidade de Gramado, enquanto a produtora Renata de Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, receberá o Troféu Eduardo Abelin.

O Kikito de Cristal será entregue pela primeira vez a dois artistas na mesma edição: Maria Fernanda Cândido e Selton Mello, reconhecidos por suas carreiras no Brasil e pela presença em produções internacionais. Em vídeo exibido durante a coletiva, Maria Fernanda relembrou sua relação com o evento.

“O Festival de Gramado faz parte da minha história e da minha trajetória. Foi aí que recebi meu primeiro Kikito, pelo filme ‘Dom’. Eu me sinto profundamente grata”, declarou a atriz.

Selton Mello também integra o elenco de “La Perra”, filme escolhido para encerrar a edição. A produção, realizada em parceria entre Brasil e Chile, marcou a primeira experiência do ator trabalhando no país vizinho e também foi apresentada no Festival de Cannes.

Além das exibições, a programação contará com uma nova edição do Conexões Gramado Film Market, com rodadas de negócios entre realizadores e empresas do setor audiovisual.

O festival também realizará seu primeiro encontro internacional de cidades, tendo Medellín como convidada, e lançará uma residência para jovens cineastas.

A iniciativa recebeu 203 inscrições de profissionais entre 18 e 30 anos, representantes de 13 estados e do Distrito Federal.

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1 Comentários

  1. A atriz que faz a esposa de Justino é a Larissa Nunes, não a Onna Silva

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