Crítica by Raphael Ritchie: ¨Depois de anos acumulando continuações cada vez menos relevantes, a franquia Camp Miasma encontra no reboot a solução para continuar existindo. Uma jovem cineasta é contratada para comandar essa nova versão e procura a atriz que protagonizou o filme original, agora afastada da indústria.
É desse encontro entre duas gerações e duas relações muito diferentes com o mesmo filme que Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte constrói sua brincadeira com a memória do slasher e, principalmente, com a necessidade quase compulsiva de Hollywood de continuar ressuscitando aquilo que um dia funcionou.
A grande sacada é Camp Miasma nunca ter existido e, ainda assim, carregar todos os sinais de uma franquia que conhecemos há décadas. Existe uma familiaridade imediata nessa trajetória de sucesso, desgaste, culto e redescoberta, como se bastasse inventar um título, algumas continuações ruins e uma geração de fãs para fabricar também a nostalgia.
É uma maneira divertida de olhar para a relação que criamos com determinados filmes de terror e para como essa relação acaba ganhando tanto valor quanto os próprios filmes.
A metalinguagem fica mais interessante justamente por não depender apenas de referências. Existe um filme tentando descobrir como refazer Camp Miasma dentro de outro filme que também precisa descobrir o que ainda pode fazer com o slasher.
Acampamento, juventude, sexo, violência e morte já chegam carregados de significado, e parte da graça está em não fingir que estamos encontrando essas convenções pela primeira vez. O humor nasce bastante daí, dessa seriedade dedicada a códigos que o espectador reconhece imediatamente.
Mas talvez a melhor reflexão esteja na diferença entre preservar um filme e preservar as pessoas que fizeram parte dele. Para um fã, uma personagem continua tendo a mesma idade para sempre; a atriz associada a ela, evidentemente, não.
Existe algo desconfortável nessa tentativa de recuperar não apenas um filme antigo, mas também aquilo que alguém representava quando era jovem, especialmente em um gênero que transformou tantas mulheres em ícones através de imagens de desejo e violência.
É também por isso que a mistura entre realidade, memória e encenação combina tanto com essa discussão. Depois de décadas revendo, celebrando e reconstruindo essas imagens, elas deixam de pertencer somente aos filmes e passam a determinar como lembramos deles e até de quem estava dentro deles.
Acampamento Miasma rende mais quando observa esse ciclo do que quando simplesmente participa dele. Sua melhor piada talvez seja inventar uma franquia inteira para mostrar como aprendemos a sentir nostalgia até por fórmulas que nunca realmente abandonamos. Hollywood não precisa descobrir como deixar seus mortos descansarem quando sempre existe alguém disposto a comprar ingresso para vê-los voltar¨.
A MUBI, distribuidora global, serviço de streaming e produtora, e a distribuidora brasileira Retrato Filmes anunciam a abertura das vendas para as pré-estreias nacionais de Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte, marcadas para 13 de agosto.
Cinemas selecionados por todas as regiões do Brasil exibirão o slasher mais aguardado do ano na noite de sábado, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Recife, Belém, Brasília, Curitiba, João Pessoa, Londrina, Maceió, Poços de Caldas, Porto Alegre, São José dos Campos, Vitória e Balneário Camboriú.
O público brasileiro poderá assistir ao vencedor do Queer Palm, no Festival de Cannes, antes do lançamento oficial, dia 13 de agosto.
Mais informações sobre as salas participantes e compra de ingressos podem ser acessadas pelas redes sociais da Retrato Filmes.
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte é o mais novo terror de Jane Schoenbrun (Eu Vi o Brilho na TV). O filme traz dois grandes nomes como protagonistas: a vencedora do Globo de Ouro Gillian Anderson, premiada como Melhor Atriz por Arquivo X e como Melhor Atriz Coadjuvante por The Crown, e Hannah Einbinder, vencedora do Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante por Hacks, e atualmente indicada pela quinta vez pela mesma personagem.
Entre o elenco, também estão Amanda Fix, Arthur Conti, Eva Victor, Zach Cherry, Sarah Sherman, Patrick Fischler, Dylan Baker, Jasmin Savoy Brown, Kevin McDonald, Quintessa Swindell e Jack Haven. A produção é da Plan B.
Depois de anos de sequências desleixadas e um fandom em declínio, a franquia slasher Acampamento Miasma é entregue a uma jovem e entusiasta diretora para seu renascimento. Mas quando ela visita a estrela do filme original, uma atriz agora reclusa e envolta em mistério, as duas mulheres mergulham em um mundo de sangue, desejo, medo e delírio.
Sobre Jane Schoenbrun
Jane Schoenbrun (elu/delu) atua nas áreas de direção, roteiro e curadoria. Seu trabalho como profissional de direção inclui Eu Vi o Brilho da TV (I Saw the TV Glow), Vamos Todos à Exposição Mundial (We're All Going to the World's Fair) e o documentário experimental A Self-Induced Hallucination.
Eu Vi o Brilho da TV foi indicado a seis prêmios no Independent Spirit Awards, incluindo melhor filme, roteiro e direção, além de receber três indicações ao Gotham Awards.
Seu primeiro romance, Public Access Afterworld, será publicado pela editora Hogarth em 2026.
Schoenbrun também está responsável pelo roteiro, direção e produção executiva da adaptação da aclamada graphic novel Black Hole, que será uma série de TV para a Netflix em parceria com a Plan B e a New Regency.
Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte
Nos cinemas em 13 de agosto
Um lançamento MUBI e Retrato Filmes
mubi.com











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