Crítica by Raphael Ritchie: ¨Acompanhar o trabalho de um meteorologista não parece uma das coisas mais interessantes do mundo, mas Pressão tenta mudar um pouco essa percepção ao contar a história de alguém fundamental para um dos dias mais importantes do século XX.
Em 6 de junho de 1944, os Aliados desembarcaram na Normandia, dando início a uma operação decisiva para a libertação da Europa Ocidental. Antes disso, porém, alguém precisava responder a uma pergunta bem menos grandiosa: o clima permitiria a invasão?
Em vez de praias, tiros e explosões, temos homens dentro de salas discutindo mapas, datas, previsões e probabilidades. É quase um filme de guerra administrativo, mais interessado em como uma batalha é planejada do que na batalha em si.
James Stagg, vivido por Andrew Scott, ocupa uma posição curiosa nesse processo. Sua contribuição não envolve uma arma ou qualquer gesto heroico tradicional. Ele precisa observar informações meteorológicas, prever o comportamento do céu e, principalmente, convencer homens muito mais poderosos de que está certo.
Existe uma ironia nisso: uma operação com milhares de soldados, navios, aviões e meses de preparação ainda dependia de algo completamente fora do controle de qualquer general.
Scott funciona porque entende que a tensão do personagem está nas pequenas atitudes. Insistir numa previsão, escolher as palavras diante dos superiores e continuar defendendo uma conclusão que ninguém queria ouvir passam a ter peso. Brendan Fraser, como Eisenhower, ocupa o outro lado dessa relação: pode ouvir especialistas e militares, mas a decisão continua sendo dele.
E essa distância também carrega uma dimensão política. Alguns homens calculam os riscos dentro de uma sala; outros terão seus corpos diretamente expostos a eles. Pressão valoriza bastante a competência e a responsabilidade do comando aliado, mas questiona pouco essa estrutura.
O maior problema é que importância histórica e interesse dramático não são exatamente a mesma coisa. O longa depende demais dos diálogos para criar suspense e, em vários momentos, a sucessão de reuniões reduz bastante o ritmo. A ideia continua sendo mais interessante do que parte da execução.
Talvez o que Pressão tenha de mais interessante seja justamente lembrar que a história também é decidida nesses espaços pouco cinematográficos. Antes das praias da Normandia, houve mapas, previsões conflitantes e homens tentando decidir quanto risco era aceitável para quem estaria do outro lado da ordem.
O filme nem sempre transforma isso em suspense, mas encontra valor ao mostrar que, por algumas horas, prever uma tempestade também significava decidir quando uma guerra deveria avançar¨.
Sobre o filme:
Nas tensas 72 horas antes do Dia D, e com o destino do mundo em jogo, Pressãoacompanha o dilema do General Dwight D. Eisenhower e do Capitão James Stagg face a uma escolha impossível — lançar a maior e mais perigosa invasão marítima da história ou arriscar perder a guerra por completo.




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