A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que acontece entre 15 e 29 de outubro, exibirá as cópias restauradas nunca apresentadas de O Primeiro Ano (1972) e das três partes de A Batalha do Chile (1975-1979), dirigidos pelo chileno Patricio Guzmán, considerado um dos maiores documentaristas da América Latina.
Os filmes, que retratam o governo de Salvador Allende e sua derrubada por um golpe militar, captam a esperança e as tensões do início da administração socialista e a derrocada da democracia em tempo real, trazendo o calor dos acontecimentos e centrando nas pessoas comuns. Ambos são fundamentais para entender a história recente do continente.
O Primeiro Ano é a estreia de Guzmán em longas-metragens documentais. Ele retrata os primeiros 12 meses do governo socialista de Salvador Allende, eleito democraticamente, mostrando as reformas que promoveu pelos olhos e pela voz de cidadãos comuns, como mineiros, pescadores e indígenas.
O filme captura a esperança e a alegria pelas transformações fundamentais para a vida dos trabalhadores, mas também o incômodo da classe média e da elite e suas tentativas de minar o presidente.
![]() |
O Primeiro Ano é uma espécie de ensaio para A Batalha do Chile. Junto com cinco colegas, Guzmán estava documentando fazia nove meses as tensões e estratégias para derrubar o governo quando aconteceu o golpe militar violento, com o bombardeio do Palácio de la Moneda e a morte de Salvador Allende. O material era tão extenso que foi dividido em três partes.
O filme registra a urgência dos fatos, mostrando os esforços da direita para tomar o poder e o fim da democracia com suas repercussões imediatas. Mesmo sendo realizado no calor da hora, mostra uma capacidade analítica impressionante. Por isso, é considerado uma obra-prima do cinema político e uma peça fundamental da memória daquele período sombrio.
Como tantos outros chilenos, Guzmán, nascido em Santiago em 1941, foi preso logo após o golpe no Estádio Nacional de Santiago, onde foi interrogado e sofreu pressão psicológica ao longo de semanas.
Com apoio de várias pessoas, conseguiu ser liberado e partiu para o exílio levando vários rolos de filmes com dezenas de horas de gravações, que resultaram em A Batalha do Chile.
O cineasta nunca voltou a morar em seu país-natal, mas jamais esqueceu o Chile. Sua filmografia é quase inteiramente dedicada à memória desse período sombrio e suas repercussões na sociedade chilena, em obras como O Caso Pinochet (2001), Nostalgia da Luz (2010, 34ª Mostra) e O Botão de Pérola (2015, 39ª e 42ª Mostras), vencedor do prêmio de roteiro no Festival de Berlim. Ele recebeu o Prêmio Humanidade da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2015.
PATROCINADORES DA 50ª MOSTRA
Neste ano, a Mostra conta com o patrocínio master da PETROBRAS, o patrocínio do ITAÚ, a parceria institucional do SESC, a parceria da SPCINE e da Prefeitura de São Paulo, o fomento do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a colaboração da EMBRATUR e da NETFLIX, o apoio do PROJETO PARADISO, a promoção da GLOBOFILMES, do CANAL BRASIL, da FOLHA DE S.PAULO, da TV CULTURA, da ARTE 1, do INSTITUTO BANDEIRANTES e da REVISTA PIAUÍ, o apoio técnico da QUANTA e do CULTURA ARTÍSTICA. Realização: MINISTÉRIO DA CULTURA, através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA.



.jpg)
.jpg)
.jpg)
0 Comentários