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CRÍTICA: ANTÁRTIDA

Crítica by Raphael RitchieIsolada do restante do mundo por gelo, tempestades e uma logística que impede qualquer saída imediata, uma estação brasileira na Antártida se transforma em um espaço ainda mais sufocante quando Inês sofre uma violência sexual enquanto está desacordada e não consegue identificar o agressor.




A partir daí, os homens com quem ela continua dividindo corredores, refeições e trabalho passam a carregar uma suspeita inevitável, e é justamente nessa convivência forçada que Antártida encontra sua tensão mais incômoda.

O mistério importa menos como jogo de adivinhação do que pela maneira como altera cada relação dentro da base. Para Inês, descobrir o responsável significa saber de quem deveria ter medo desde o momento em que acordou, enquanto Elisabeth, vivida com firmeza por Andréa Beltrão, tenta conduzir uma investigação dentro de uma estrutura que precisa continuar funcionando mesmo depois de sua rotina ter sido rompida.



Essa impossibilidade de interromper a missão transforma o confinamento físico em uma espécie de cerco emocional, sustentado também por Marina Ruy Barbosa ao preservar na personagem uma vulnerabilidade que não se reduz apenas à condição de vítima.

O roteiro, porém, nem sempre confia na potência desse cenário. Em alguns momentos, comportamentos que já estavam claros pela encenação são novamente nomeados pelos diálogos, e certas conversas sobre culpabilização, abuso e violência de gênero assumem uma função explicativa que retira naturalidade das relações.




Quando tantos suspeitos também precisam carregar diferentes manifestações de masculinidade e abuso, alguns personagens se aproximam mais de funções temáticas do que de pessoas plenamente desenvolvidas.

A discussão continua pertinente, mas ganharia força se parte dela permanecesse no desconforto das ações, sem precisar ser traduzida para o espectador.

Essa limitação não destrói o suspense porque o espaço faz muito do trabalho. A produção virtual convence não como demonstração tecnológica, mas porque transforma quilômetros de gelo em uma ameaça concreta, enquanto os interiores fechados reforçam a sensação de que não existe distância possível entre vítima e suspeitos.




O contraste entre a vastidão do lado de fora e a claustrofobia da estação sustenta uma contradição particularmente eficiente: chegar a um dos lugares mais remotos do planeta não significa deixar a sociedade para trás.

As pessoas levam consigo suas hierarquias, seus preconceitos e suas formas de violência, e nenhuma quantidade de gelo consegue mantê-los do lado de fora¨.

Em meio ao gelo, ao silêncio e à tensão extrema nasce “Antártida”, superprodução do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo em coprodução com a TV Globo.

Escrito por Claudia Jouvin e dirigido por Bruno Safadi, o thriller psicológico une narrativa potente, protagonismo feminino e recursos visuais de última geração – o filme teve boa parte de suas cenas rodadas no Estúdio de Produções Virtuais, usando tecnologia Unreal.

Depois de abrir o 54º Festival de Cinema de Gramado no dia 14 de agosto, “Antártida” estreia exclusivamente nos cinemas no dia 17 de setembro, com distribuição da Paris Filmes.




Protagonizado por Andrea Beltrão e Marina Ruy Barbosa, o elenco reúne Antonio Calloni, Lázaro Ramos, Leandra Leal, Renan Monteiro, Mariana Sena, Gero Camilo, João Vitor Silva, Adélio Lima, Marcos de Andrade e Henrique Barreira.

A história se passa na estação de pesquisas brasileira na Antártida, onde cientistas e militares se preparam para enfrentar o inverno isolados.

Na primeira noite, um crime contra a pesquisadora Inês (Marina Ruy Barbosa) abala a base e transforma o ambiente já hostil em uma verdadeira panela de pressão.




Todos os homens da estação se tornam suspeitos, inclusive o Comandante Barros (Antonio Calloni) e o Capitão Vicente (Lázaro Ramos).

A subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) assume a missão de investigar o ocorrido e, com o apoio das mulheres da base – entre elas Marina (Leandra Leal) e Rose (Mariana Sena) –, enfrenta o medo, o silêncio e a violência em busca de justiça. “É um filme sobre união feminina em um ambiente extremamente masculino e opressor”, afirma a autora Claudia Jouvin.

O projeto nasceu em 2017, inspirado em uma notícia real sobre um incêndio na estação brasileira Comandante Ferraz, na Antártida. Para o longa-metragem, os Estúdios Globo decidiram testar a tecnologia Unreal em produções audiovisuais.





“‘Antártida’ é um projeto muito pessoal, que me permitiu exorcizar muitas coisas. E ver esse elenco incrível dando vida aos personagens foi emocionante”, conta Claudia.

A decisão de filmar em estúdio virtual foi o que permitiu que o projeto saísse do papel. “Fazer um filme inteiro na Antártida seria inviável, tanto pelo custo quanto pelas condições climáticas”, explica o diretor Bruno Safadi.

“A tecnologia de produção virtual nos permitiu criar uma imersão total, onde o mundo real e o virtual se fundem aos olhos da câmera e do espectador. Parece que estamos realmente no continente antártico”.

A produtora Isabela Bellenzani relembra os primeiros passos da produção e os desafios técnicos enfrentados: “A ideia de filmar na Antártida parecia impossível, até que surgiu a possibilidade de usar a tecnologia do estúdio virtual.




Montamos uma equipe multidisciplinar e começamos a estudar como viabilizar um filme dessa complexidade dentro dos Estúdios Globo. Foram oito meses de trabalho intenso, com 16 semanas de pré-produção e seis semanas de testes. Tudo precisava estar pronto antes do primeiro ‘ação’.

O resultado é fruto de muito estudo, testes e colaboração entre direção, efeitos especiais, produção e tecnologia”.

O projeto se destaca por ser filmado no maior estúdio permanente de produção virtual da América Latina. Com mais de 1.500 m², o novo espaço integra tecnologias de ponta como câmeras com tracking de alta precisão e recursos de Inteligência Artificial e Realidade Aumentada em mais de 300 m² de telas de LED.

O uso de produção virtual une o mundo real e virtual de forma fluida, trazendo inúmeras mudanças na cadeia de produção, como a possibilidade de filmar em lugares inóspitos e de difícil acesso. Outros benefícios são a otimização de recursos, a redução de deslocamentos e a não dependência de fatores externos como variações climáticas, ampliando as possibilidades criativas para o desenvolvimento de conteúdo.

O produtor de tecnologia Bruno Netto detalha: “Usamos um software de engenharia de games para reproduzir virtualmente a base de 2012, que não existe mais.

Captamos imagens reais na Patagônia com câmeras 360 e combinamos com cenários físicos, criando uma emenda quase imperceptível entre o real e o virtual”.

A cenografia também foi peça fundamental para garantir verossimilhança e confundir os limites entre real e virtual. “Nosso maior objetivo era fazer com que o público não soubesse onde começava o cenário físico e onde terminava o virtual”, explica o cenógrafo Felipe Serran.

“Criamos camadas de neve com diferentes materiais para dar textura, profundidade e realismo. O pé afunda, a neve se arrasta... tudo foi pensado para que a experiência fosse crível e imersiva”.

Além da inovação técnica, “Antártida” é um thriller eletrizante, que prende o espectador do começo ao fim. A tensão cresce a cada cena, com suspeitas e confrontos intensos. “É um filme de investigação, um whodunit, onde todos são suspeitos e ninguém está seguro”, diz Claudia.

“O público vai ficar nervoso, curioso, querendo descobrir quem cometeu o crime”. A produção também se destaca por abordar temas urgentes como violência contra a mulher e abuso de poder. “A história é sobre sobrevivência, justiça e solidariedade feminina”, resume Claudia.

Longa do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo escrito por Claudia Jouvin, “Antártida” tem direção de Bruno Safadi. A produção é de Isabela Bellenzani e a produção executiva de Raphael Cavaco e Betina Paulon. José Luiz Villamarim assina a supervisão artística.

SINOPSE

Na Estação Comandante Diniz, na Antártida, a cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) é vítima de uma violência. Isolados pelo frio extremo e sem possibilidade de resgate imediato, todos os homens da base se tornam suspeitos – inclusive as patentes mais altas, Comandante Barros (Antonio Calloni) e o Capitão Vicente (Lázaro Ramos).

A subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão), então, assume a difícil missão de investigar o ocorrido, enquanto as mulheres da estação – Inês, Marina (Leandra Leal) e Rose (Mariana Sena) – se sentem acuadas e precisam se unir para enfrentar o medo, o silêncio e a violência.

Cercadas por gelo e tempestades do lado de fora, elas descobrem que o verdadeiro perigo está do lado de dentro. “Antártida” é um thriller psicológico sobre sobrevivência, justiça e solidariedade feminina em um dos lugares mais inóspitos do planeta.

ELENCO

Andrea Beltrão

Leandra Leal

Marina Ruy Barbosa

Mariana Sena

Antonio Calloni

Lázaro Ramos

João Vitor Silva

Henrique Barreira

Adelio Lima

Renan Monteiro

Marcos de Andrade

Gero Camilo

FICHA TÉCNICA

Produção Executiva: Raphael Cavaco e Betina Paulon

Supervisão Artística: José Luiz Villamarim

Direção: Bruno Safadi

Roteiro: Claudia Jouvin

Produção: Isabela Bellenzani

Assistente Direção: Jully Irie/Daniel Lentini

Diretor Fotografia: Mauro Pinheiro

Diretor Arte: Felipe Serran e Priscila Diniz

Figurino: Nathalia Duran

Caracterização: Juliana Mendes

Produtor de Elenco: Herminio Ribeiro

Produtor de VFX: Bruno Netto

Produtor Musical: Rafael Langoni

Montador: Rodrigo Lima

Duração: 93min51

Produtora: Estúdios Globo

Coprodutora: TV Globo

Distribuidora: Paris Filmes

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